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Monstros da Universal: Frankenstein Vive!
Original:Universal Monsters: Frankenstein
Ano:2025•País:EUA
Páginas:128• Autor:Michael Walsh, Toni-Marie Griffin•Editora: DarkSide Books

É de amplo conhecimento que a obra de Mary Shelley, Frankenstein, foi um marco na literatura de ficção científica e horror. Sua importância já foi amplamente discutida em textos anteriores do Boca do Inferno. O monstro criado por Victor Frankenstein é descrito como uma criatura horripilante e cheia de cicatrizes, e seu visual mais conhecido é aquele eternizado pela Universal.

Em 1930 o livro de Shelley já estava em domínio público, tanto que já existia uma adaptação teatral de Frankenstein, escrita pela dramaturga Peggy Webling. A peça faz alterações importantes, com uma criatura mais primitiva e um Dr. Frankenstein mais dramático, focando no confronto entre criador e criatura e deixando de lado toda a parte inicial do romance, quando o cientista é encontrado congelando até a morte por marinheiros. Foi essa a versão que a Universal adquiriu os direitos para uma adaptação cinematográfica. Dirigido por James Whale, o filme Frankenstein eternizou a criatura, interpretada por Boris Karloff, com parafusos no pescoço, cicatrizes e cabeça achatada. E assim mais um ícone foi adicionado ao hall dos inesquecíveis Monstros da Universal. Em homenagem, a DarkSide Books e Macabra lançaram o quadrinho Frankenstein Vive!, uma releitura baseada no clássico filme de 1931.

Enquanto uma criança chora a morte do pai em seu túmulo, avista duas pessoas revirando covas. Assustado, se esconde e assiste o corpo de seu falecido pai ser levado por ninguém menos que Dr. Frankenstein e seu assistente Fritz. Ao segui-los, o jovem testemunha seu pai ser dilacerado e transformado em outra coisa, uma criatura inconcebível pela humanidade, que ganha vida através da eletricidade.

Michael Walsh preserva falas e cenas marcantes do filme da Universal, como a criatura ganhando vida em uma noite de tempestade, mas aqui a conexão entre pai e filho não é apenas a de criador e criatura, temos também um filho vendo partes de seu pai transformadas em outro ser. O horror de ver um familiar com aparência monstruosa que não te reconhece, e ainda assim tentar a todo custo resgatá-lo, causa um grande impacto emocional.

Outro diferencial é que cada capítulo mostra de onde vieram as diferentes partes da criatura, a história daquelas pessoas, quem elas amavam e como foram mortas. Cada uma dessas partes guarda uma memória própria, que vão aos poucos sendo ativadas conforme o ser vai absorvendo o mundo e aprendendo novos sentimentos, sejam bons ou ruins. Walsh transmite o medo, incompreensão e raiva do monstro frente ao sofrimento e exclusão, até chegarmos ao esperado confronto.

O roteirista também é o responsável pela arte da HQ, que é primorosa. Personagens expressivos, traços firmes e atmosfera sombria casam perfeitamente com a história apresentada, com momentos perturbadores onde a arte passa a mensagem sem a necessidade de palavras. Isso é potencializado pelas cores utilizadas por Toni-Marie Griffin, que mescla tons intensos com sombras estratégicas, criando um clima melancólico e assustador.

Frankenstein Vive! É uma bela homenagem à icônica criatura criada por Mary Shelley e que foi eternizada nas telas por Boris Karloff graças à Universal, com uma narrativa ao mesmo tempo sombria e sentimental e uma arte cheia de horror e emoção, em uma abordagem diferente da que comumente vemos em adaptações da criatura.

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