
![]() Possuídos
Original:Fallen
Ano:1998•País:EUA Direção:Gregory Hoblit Roteiro:Nicholas Kazan Produção:Charles Roven, Dawn Steel Elenco:Denzel Washington, John Goodman, Donald Sutherland, Embeth Davidtz, James Gandolfini, Elias Koteas, Gabriel Casseus, Michael J. Pagan, Robert Joy, Frank Medrano, Reno Wilson |
Na era dos thrillers sombrios, enquanto Jodie Foster, Morgan Freeman e Christopher Lambert caçavam assassinos em série com motivações religiosas, Denzel Washington se viu envolvido numa trama de troca de corpos ao som da balada “Time Is on My Side“, dos Rolling Stones. Trata-se do pastiche Possuídos (Fallen, 1998), que reciclou ideias de outras obras como Shocker: 100 Mil Volts de Terror (Shocker, 1989) para apresentar uma ameaça sobrenatural perturbadora, sem a travessia por programas de TV no humor sarcástico de Wes Craven. Ainda que não inovadora, a ideia se mostrou interessante, embora poderia ter sido melhor se o público descobrisse o que está acontecendo junto com o Detetive John Hobbes, sem a sinopse e o título nacional reveladores.
Além de Washington, que depois ainda faria outro thriller atípico, O Colecionador de Ossos (The Bone Collector, 1999), Possuídos também traz os rostos conhecidos de John Goodman, Donald Sutherland, Elias Koteas e Robert Joy. Com roteiro de Nicholas Kazan e a direção de Gregory Hoblit (As Duas Faces de um Crime, 1996), o longa começa com o último encontro entre o Detetive Hobbes e o serial killer condenado Edgar Reese (Koteas), aguardando a execução da pena capital. Tranquilo, Reese pronuncia frases na língua aramaico-assírio, toca a mão de Hobbes chamando-o de “um bom homem” e, na ida ao corredor da morte, canta a música dos Stones, antecipando o “show” que será visto.
Com a morte do hospedeiro, assim que abandona o corpo, a entidade passeia pelos ambientes da prisão numa técnica que explorou a câmera Ektachrome, até possuir um dos guardas. Logo irá passar para outras pessoas, como uma doença transmissível pelo toque, fazendo as pessoas possuídas espelharem a atitude de Reese até mesmo ao cantar versos da música. O que parece inicialmente como um copycat, intrigando o parceiro de Hobbes, Jonesy (Goodman), e o tenente desconfiado Stanton (Sutherland, em mais um papel de vilão ocasional), começa a se revelar algo aterrorizante, com algumas informações descobertas na cabana onde o policial Milano se suicidou e nas falas enigmáticas de sua filha Greta (Embeth Davidtz). A investigação traz a revelação do nome Azazel, uma entidade bíblica apresentada como “bode expiatório“, disposta a brincar com o Detetive em vez de simplesmente eliminá-lo.
O jogo do “anjo caído” é divertido, principalmente nas cenas em que ele atravessa vários corpos nas ruas movimentadas e quando possui pessoas próximas do detetive, incluindo seu sobrinho Sam (Michael J. Pagan) e colegas da delegacia. É claro que se mostra extremamente artificial para uma entidade que quer sobreviver: nunca explica quanto tempo Reese ficou possuído, por que a entidade não saiu da prisão nas prováveis oportunidades que teve e por que permitiu que Hobbes descobrisse tanto a seu respeito. Outra ideia do roteiro que incomoda é a demora em Greta contar o que está acontecendo, uma vez que ela já sabe de toda a verdade, mas preferiu escondê-la entre os símbolos de anjos em sua moradia: ora, a atitude dela simplesmente condenou um homem inocente à morte.
Ao final, Possuídos reserva uma sequência intrigante na cabana isolada de Milano, numa temperatura fria, com a desconfiança de Hobbes sobre quem poderia ser o “possuído” da vez. A narração de Denzel Washington propositadamente engana o espectador ao mesmo tempo que deixa uma ponta solta para uma parte 2. Mesmo não sendo original, o longa diverte como um thriller que foge do padrão da época e traz elementos sobrenaturais, concluindo com outra música dos Rolling Stones, com ainda mais sentido que a primeira nos versos: “But what’s puzzling you / Is the nature of my game” (“Mas o que te deixa confuso / é a natureza do meu jogo.”).





