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Dream Eater
Original:Dream Eater
Ano:2025•País:Canadá
Direção:Jay Drakulic, Mallory Drumm, Alex Lee Williams
Roteiro:Jay Drakulic, Mallory Drumm, Alex Lee Williams
Produção:Thomas Chambers, Mallory Drumm
Elenco:Mallory Drumm, Alex Lee Williams, Jay Drakulic, Robin Akimbo, Brittany Drumm, Sade Green, David Richard, Dainty Smith, Alex Lee Williams, Kelly Williams

Os caminhos percorridos pelos “found footages” nos últimos 25 anos parecem o mesmo, como se o subgênero estivesse perdido nas matas de Maryland com Heather Donahue gritando o nome de Joshua. Há algum vigor físico aqui ou ali, alguma produção que tenta atalhos ou se arrisca a subir numa árvore, mas em geral parece uma novela repetida. Para os calejados no horror construído por uma câmera amadora, resta empilhar questionamentos sobre a justificativa da filmagem constante ou tentar se envolver o suficiente para acreditar no que está vendo. Dream Eater parece se alimentar de mais coisas do que pesadelos, mas basicamente se farta de ideias anteriormente vistas. Será que vale uma espiada quando o nome de Eli Roth é citado na apresentação, e você lê em algum lugar ele dizer: “Acredito que Dream Eater será o filme mais assustador do ano e realmente tem potencial para se tornar o próximo Atividade Paranormal ou A Bruxa de Blair.” Roth também tinha o potencial de ser um cineasta de renome, quando se envolveu numa sangrenta febre da cabana.

Dream Eater traz o contexto de um distúrbio do sono conhecido como “parassonia“, que pode envolver sonambulismo e terrores noturnos — também é o título de um álbum do Dream Theater, se vale a curiosidade. É a patologia que consome Alex (Alex Lee Williams), que, depois de um episódio em que ficou banhado de sangue e urina, alegando que alguém estaria tentando entrar em sua casa, conforme o clichê da ligação para o 911. Sua namorada Mallory (Mallory Drumm) — estão usando os nomes reais! Como são criativos! — sugere uma viagem de dez dias para uma cabana isolada numa região coberta por neve para comemorar o vindouro aniversário de 30 anos do rapaz e também mudar o cenário. Sim, a melhor ideia possível de se distanciar de um episódio de horror é buscar abrigo num cenário de filme do gênero!

Seguindo as orientações da Dra. Snape (Dainty Smith), sem parentesco com alguém de Hogwarts, ela decide filmar todos os episódios noturnos para que possa fazer uma análise clínica melhor. Mas como convencionalmente Mallory é uma diretora de documentários, ela resolve registrar absolutamente TUDO. A justificativa para isso, a tal perguntinha que qualquer um poderia fazer, é que ela pode estar planejando a realização de um novo trabalho em vídeo, e ainda permite que os ângulos de registros sejam exageradamente bem escolhidos. E são até artificiais pelos excessos: tudo é muito bem documentado, mesmo numa situação de risco, com a câmera posicionada em um local elegante para deixar o registro de maneira eficaz. Em dado momento, Mallory se esconde em um armário e o olhar pela fresta da madeira é o da câmera e não dela, que está sendo perseguida.

Nos momentos acordados, Alex tenta mostrar uma simpatia que não condiz com sua personalidade. Com brincadeiras constantes, muitas de cunho sexual, deixa transparecer um rapaz que objetifica a própria namorada. Quando os pesadelos passam a atormentá-lo mais vezes do que somente nas madrugadas, ele começa a agir com a agressividade de um homem babaca, dificultando a intenção de mostrá-lo numa mudança gradual de atitude. Ainda assim, a apaixonada Mallory não apenas precisa lidar com suas atitudes insanas de andar pela casa, tentar destruir a mão em um triturador e correr como um animal quadrúpede, como a de um aparente adolescente que não aceita sua condição. Mesmo tendo uma atadura na mão por ter vertido sangue no prólogo narrado, Alex desdenha de ajudas médicas, não quer dar atenção ao especialista Dr. Armitage (David Richard), sem parentesco com alguém de Dunwich, , e faz outras criancices como derrubar uma refeição e resmungar.

Em meio a essas desventuras, há a mitologia sobre uma entidade chamada de “Dream Eater” ou “Phobetor“, algo relacionado ao “nascer do sol negro“, e informações sobre o passado de Alex sendo apresentadas no programa “Mistérios Não Resolvidos” — é sério! Mallory descobre que a mãe de Alex se chamava Catherine Thorne (Kelly Williams), numa clara referência a Katherine Thorn, de A Profecia (1976), e teria se envolvido com um culto a uma entidade com aspecto de caveira com barba de cobra (Cthulhu? Não, está mais para Davy Jones de Piratas do Caribe: O Baú da Morte) com relação à parassonia e um massacre. Ainda que tenha todas as peças à mão, Mallory atende as sonecas do namorado e não se atenta às ameaças, principalmente na data de aniversário de Alex.

É difícil levar a sério a proposta de Jay Drakulic, em parceria dos dois protagonistas. Não há nada de assustador aqui, como previu Eli Roth, e nem muito menos inovador. A ideia de transmitir veracidade se encerra em nomes como Snape, Armitage e Thorne, na voz da criatura nos diálogos com Alex, na interpretação passiva de Mallory Drumm, ou em ideias absurdas como a noite em que a moça fica bêbada de vinho, a despeito do namorado ter tentado destruir a própria mão horas antes. Consciente que os episódios acontecem TODAS as noites, mesmo assim ela abraça o clichê de não assistir às gravações, como se nada de especial pudesse ter acontecido. E ainda deixa a dúvida: se os episódios são constantes e agressivos, por que Alex não tem medicação de inibição de sonhos ou algo que possa evitar a noite agitada? Será que a médica do Harry Potter não indicou nada?

Se há algo diferente por aqui, pelo menos a tal cabana isolada tem boa internet, mesmo que a energia acabe de vez em quando. Foi a forma que o roteiro encontrou para incluir personagens e sua mitologia, permitir que Mallory converse com a irmã de Alex, Tammy (Robin Akimbo, que se difere no elenco por ter foto no IMDB), e descubra sobre o passado do namorado. Não sei se conexão virtual, um machado à vista e uma casa de ferramentas já sejam suficientes para que você se interesse por alugar o local ou acompanhar esse horror sonolento com indicação de Eli Roth! Talvez seja melhor buscar férias e tratamento em outros lugares.

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