![]() Insectula!
Original:Insectula!
Ano:2015•País:EUA Direção:Michael Peterson Roteiro:Michael Peterson Produção:Danielle Cezanne Elenco:Sarah French, Pasquale Pilla, Arielle Cezanne, Harrison Matthews, Christian Hanson, Joel Thingvall, Hanna Hudson, Yasmin Moon, H.T. Altman, John Edel |
A invasão dos insetos gigantes no cinema B foi o que proporcionou a relação entre o fantástico e o entretenimento. Bem além do nosso tempo, ver um filme na tela grande poderia ocorrer em sessões duplas em drive-ins, quando você se sentia atraído pela divulgação que poderia incluir pessoas vestidas da criatura, entrega de sacos de vômitos, cadeiras que se moviam ou davam leves choques, enquanto algo, preso a cabos, atravessava a plateia, ampliando a imersão à proposta ousada. Além de todos esses esforços — os chamados movie gimmicks — para tornar a experiência ainda mais divertida, havia o contexto real, quando o mundo atravessava a ameaça nuclear de duas potências, tendo no retrovisor a Segunda Guerra Mundial. A época atual privilegia o acesso facilitado dos streamings — nem mesmo as locadoras, que diziam ser o prego do caixão da tela grande, conseguiu tal feito —, e o cinema passou a ser evento alternativo, pelos preços e pela própria exigência do público. Nesse cenário, um filme como Insectula! é uma esforçada tentativa de homenagem ao passado de ouro da Sétima Arte, embora o esforço tenha sido tão grande que deixou uma impressão de deslocamento.
Como em Plano 9 do Espaço Sideral (Plan 9 from Outer Space, 1958), o longa começa com uma narração ao estilo Criswell, falando sobre o mundo e as coisas que poderiam revidar à destruição constante. Corta para um planeta tosco com criaturas igualmente toscas em confronto, até que uma, derrubada, é enviada para a Terra, atraída pelo CO2, caindo nas águas onde a jovem Hanna (Hanna Hudson), namorada do agente da EPA, o galã de boteco Aldo ‘Del’ Delbiondo (Pasquale Pilla), se banhava até ser morta, sem que seu amado consiga flagrar os tentáculos do monstro. Tristonho, naquelas interpretações de novela mexicana, com exageros caricatos, ele já planeja sua vingança, conhecendo o vilão Dr. Kemplar (Harrison Matthews), que possui outros planos para o Insectula, mantendo-o em seu laboratórios para fins de…vilão de filme dos anos 50 de ficção científica. Na verdade, sua intenção é típica dos clássicos cientistas loucos, pensando em soltar o monstro na Terra para diminuir a população, defendendo a sobra de alimentos e da preservação das reservas naturais.
Apesar de seus intentos de vingar a amada, Del sempre tem outras alternativas femininas, moças bonitas que até brigam pelo seu interesse, como o Zé Bonitinho, do excepcional Jorge Loredo. Kemplar também não está muito atrás, sempre rodeado de belas mulheres como sua própria assistente, além de uma referência pouco discreta a Tor Johnson, com Lobo, interpretado por Joel Thingvall. Logo o Insectula terá um tamanho descomunal e estará à solta na mata, fazendo vítimas, precisando de uma ação de sacrifício e confronto para salvar o mundo. Como não há nenhum herói, o jeito é sem contentar com o dramático Del, socando o ar, com seu bigodinho mal posicionado na face.
Insectula! é um trabalho intimista de Michael Peterson, que atuou como diretor, roteirista, operador de câmera e supervisor de efeitos especiais. Feito ao longo de quatro anos, em Minnesota, tendo sua esposa, Danielle Cezanne, como produtora e a filha, Arielle Cezanne, como a assistente heroína, o longa peca pelos excessos, esquecendo que boa parte do cinema de outrora tinha duração menor de 90 minutos, subindo pouco além de um média — este tem cansativos 101 minutos. É bastante verborrágico e exagera nas piadinhas sem graça, quando a própria estrutura, com efeitos toscos e interpretações ruins, já fazia bem o serviço.
Com as excessivas referências a Ed Wood e tantos outras pérolas do cinema bagaceira, Insectula! traz até efeitos sangrentos, seja numa necropsia ou numa cabeça decepada sendo pescada por dois garotos, mas funcionaria muito melhor com uma metragem simples e uma narrativa mais séria, sem pastelão, deixando a paródia para as homenagens. De toda forma, é um filme de poucas reviews e pouco conhecido por aqui, talvez pela própria exigência do público jovem atual, mas pode valer como uma experiência nostálgica.






