![]() Ticks: O Ataque
Original:Ticks
Ano:1993•País:EUA Direção:Tony Randel Roteiro:Brent V. Friedman Produção:Jack F. Murphy Elenco:Rosalind Allen, Ami Dolenz, Seth Green, Virginya Keehne, Ray Oriel, Alfonso Ribeiro, Peter Scolari, Michael Medeiros, Clint Howard, Rance Howard |
Bons tempos quando os efeitos eram práticos e havia ousadia dos realizadores em sujar o elenco de sangue e gosmas. Ticks: O Ataque (Ticks, 1993) faz parte dessa fase, sendo lançado exatamente no ano que seria considerado um dos divisores de águas para o desenvolvimento do CGI, com o lançamento de Jurassic Park, de Steven Spielberg. E o que é mais interessante do enredo de Brent V. Friedman (de Necronomicon – O Livro dos Mortos, 1993) é a sua clara vestimenta B, não tendo vergonha de partir de uma premissa absurda – maconha com esteroides alterando geneticamente carrapatos! – e encher de elementos que fazem a alegria dos fãs de horror.
Um grupo de jovens problemáticos faz uma expedição a um acampamento, o “Wilderness Project”, para curar seus males ao ar livre, e em contato com a natureza. Charles Danson (Peter Scolari) e sua filha Melissa (Virginya Keehne), que já é uma adolescente complicada, fazem parte da equipe que irá recepcionar o traumatizado Tyler Burns (Seth Green, de It – Uma Obra-Prima do Medo, 1990), o agressivo Darrel ‘Panic’ Lumley (Alfonso Ribeiro), o casal grudento Dee Dee Davenport (Ami Dolenz) e Rome Hernandez (Ray Oriel), além de Kelly Mishimoto (Dina Dayrit), com um trauma do passado.
Isolados numa pequena cabana, pensando apenas em curtir e se relacionar, os jovens não imaginam que nas proximidades uma raça de carrapatos acaba de atacar o solitário Jarvis Tanner (Clint Howard, de Apollo 13, 1995), invadindo seu corpo e causando-lhes dor e mutações. E não há nada que o Xerife Parker (Rance Howard, de Nebraska, 2013) possa fazer, ainda mais com a presença de caipiras contrabandistas, Jerry (Michael Medeiros) e Senhor (Barry Lynch).
Quando os insetos atacam Darrel, durante um confronto com os contrabandistas, acidentalmente ocorre um incêndio na mata, e as criaturas vão em direção à cabana, obrigando o grupo a criar uma barricada para sobreviver, em uma sequência inspirada no clássico A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968). E o curioso é que quando um carrapato é queimado, ele explode, ampliando ainda mais as doses de nojeiras da produção.
Apesar do elenco pouco competente, Tony Randel faz um trabalho eficaz com a proposta, alternando filmagens tradicionais com a câmera “na visão do carrapato”, algo que rende movimentos interessantes em primeira pessoa. Também merecem uma menção positiva os efeitos especiais, principalmente os de maquiagem, a cargo do experiente Greg Nicotero (de The Walking Dead): parece realmente que os insetos estão mordendo suas vítimas e drenando o sangue para se alimentar. Até mesmo o boneco do cãozinho é bastante convincente.
É claro que é um filme B, com seus exageros, falhas de continuidade e absurdos. Ainda assim, dentro da temática “homem vs natureza” e para aqueles que buscam uma diversão rápida e descompromissada, Ticks: O Ataque (por que simplesmente não traduziram o título?) flui adequadamente, sendo um dos bons exemplares desse divertido subgênero.
Tony Randel, nascido em 29 de maio de 1956, tem o seu nome relacionado a vinte produções, sendo que Hellraiser II – Renascido das Trevas (Hellbound: Hellraiser II, 1988) e Ticks: O Ataque (Ticks, 1993) são o ponto alto de sua carreira. Ele também dirigiu o sexto filme da série Amityville, entitulado Uma Questão de Hora (Amityville: It’s About Time), em 1992, e, um ano antes, o terrorzinho Crianças da Noite (Children of the Night). Depois de se envolver em seriados e comédias, ele voltaria ao gênero fantástico apenas em 2015 com The Hybrids Family, misturando bruxas, vampiros e crianças.





