![]() Trampa Infernal
Original:Trampa Infernal / Hell´s Trap
Ano:1989•País:México Direção:Pedro Galindo III Roteiro:Pedro Galindo III, Santiago Galindo Produção:Eduardo Galindo, Santiago Galindo Elenco:Pedro Fernández, Edith González, Toño Mauri, Charly Valentino, Marisol Santacruz, Adriana Vega, Alfredo Gutiérrez, Alberto Mejía Barón, Armando Galván |
Nas prateleiras obscuras do cinema bagaceiro, você precisa fazer muito esforço para encontrar a fita do slasher mexicano Trampa Infernal, de 1989. Não faz parte dos destaques do período e nem do país, assim como o diretor, Pedro Galindo III, não é um nome de muita referência, tendo feito outros slashers divertidos como Masacre en Rio Grande, 1988. Ainda assim, quem é fã de horror já deve ter ouvido algo sobre um assassino mascarado, com luva de Freddy Krueger, infernizando um grupo de jovens durante um desafio de caçada. O longa não faz muito sentido pela proposta, não é inovador e tem algumas falhas visíveis — a minha preferida é a da moça morta que continua respirando —, mas é divertido pela galeria de absurdos e pelas atuações ruins.
O início já é uma pérola: os nomes do elenco aparecem em caixa alta na tela piscando, acompanhando de uma trilha incidental intensa que traz semelhanças com a clássica da franquia Sexta-Feira 13. A câmera acompanha a disputa de uma espécie de paintball com armas que simulam as reais: Nacho (Pedro Fernández) persegue por um galpão e um ambiente deserto o rival Maurício (Toño Mauri, da famosa novela Simplesmente Maria). Quando a “brincadeira” termina, eles ainda saem na porrada, deixando a entender que existe algo além de uma disputa entre amigos. Pouco depois, em um boteco, enquanto Nacho comemora a vitória com o amigo Charly (o comediante Charly Valentino) e a companheira Alejandra (Edith González, que fez uma ponta em Alucarda, 1977), na outra mesa, Maurício, ao lado da namorada Viviana (Adriana Vega) e do casal de amigos, Javier (Armando Galván) e Carlota (Marisol Santacruz), já pensa numa revanche.
Ao ler em um jornalzinho local sobre um massacre ocorrido em um vale conhecido como Filo de Caballo e a associação dele a um ataque de urso, Maurício propõe um novo desafio: ambos devem caçar o urso, e aquele que conseguir matá-lo, é o grande vencedor da disputa moral. Eles levam os amigos para o jogo de caça, parando antes para comprar armas na lojinha de Don Jeremias (Alfredo Gutiérrez), que, como Crazy Ralph, anuncia que o lugar é maldito e que poderia contar a história se receber alguns valores por isso. Eles não pagam, mas Maurício posteriormente fala sobre a lenda local envolvendo um ex-soldado do Vietnã, Jesse (Alberto Mejía Barón), que enlouqueceu e passou a residir na região, matando quem ouse se aproximar, como se ainda estivesse na guerra.
Diferente dos slashers tradicionais, não demora muito para eles perceberem a ameaça. Viviana é atacada pelo mascarado — com uma máscara que faz alusão a Michael Myers —, que usa uma luva de lâminas para cortar seu corpo. Consciente do que estão enfrentando, os demais partem para o combate com o inimigo insano, que espalhou armadilhas (um dos personagens é atingido por uma, mas a cena não foi filmada) e usa um arco e flecha, granadas e até metralhadora para exterminar os visitantes. Mesmo com o vilão à espreita, há quem fique sozinho para facilitar suas ações criativas.
Apesar das referências, Trampa Infernal não segue ipsis litteris a cartilha dos slashers: não há personagens fazendo sexo ou usando drogas, e eles até agem com uma inteligência que não é comum no subgênero, sabendo usar armas de fogo, tendo boas pontarias e organizando planos de enfrentamento. Você até se simpatiza com eles, o que não normal no estilo, principalmente com o animado Charly e sua aparência de Léo Jaime, e com as porradas de Alejandra… E o grupo é embebido de anos 80, com direito a camisas por dentro da calça jeans e abertas no peito, maquiagens exageradas, roupas de banho coloridas e até mullets.
O contexto, no roteiro de Galindo III e Santiago Galindo, não é bem explicado mas também não importa. Você chegará aos créditos finais sem saber da natureza do inimigo, porque usa luva com lâminas, a escolha da máscara e a razão de não estar vestindo roupas de soldado. Ele simplesmente mora em um abrigo camuflado, mata rapidamente às vezes, como também opta por sequestrar uma das moças, sem necessidade alguma. Ora, não precisaria preparar a armadilha para os demais, se eles estavam inconscientes!
Mesmo com a roupagem bagaceira, Trampa Infernal é bem divertido. Curto, com apenas 77 minutos, é uma brincadeira cinematográfica que não incomoda, mesmo com tantas chupinhadas de slashers oitentistas, fotografia ruim e efeitos pouco convincentes. Apesar de tudo, vale a pena conhecer, principalmente para os fãs de cinema bagaceiro de horror mexicano, e os que querem algo além do óbvio.






