S.O.N (2019)

Original:S.O.N
Ano:2019•País:EUA
Desenvolvedora:RedG Studios•Distribuidora: RedG Studios

Poucos gêneros no mundo dos jogos indies e de pequenos estúdios tem sido tão explorados como o terror. De fato, enquanto jogos de ação, estratégia ou plataforma exigem muito mais recursos de desenvolvimento, é possível organizar um jogo de terror com bem menos mecânicas. A prova disso vem justamente da proliferação e sucesso de jogos como Outlast e Remothered, entre tantos outros, que obtiveram grande reconhecimento da crítica e do público. E acompanhando essa onda, S.O.N tenta apostar no terror psicológico para se vender. Infelizmente, ele erra… e muito!

Se autointitulando um jogo de horror e sobrevivência psicológica ambientado nos dias de hoje e desenvolvido pela RedG Studios, em S.O.N você estará no controle de Robert Alderson, um homem mais velho que está na busca de seu filho desaparecido Jay, que sumiu nas profundezas da floresta Clarencaster, na Pensilvânia (EUA), mais conhecida como South Of Nowhere.

Um enredo que parece interessante, né? Seria, se não fosse o detalhe de que nada disso é contado no jogo.

Sim, para saber do que S.O.N se trata, é necessário no mínimo ler a sinopse do game antes. Ao dar início, você já é jogado de cara na tal floresta, sem nenhuma cena de abertura, ou um texto na tela explicando o que está acontecendo. Você já começa encarnando seu personagem e pode até demorar para entender que deve seguir o caminho apresentado de imediato.

O jogo é em primeira pessoa e nunca vemos nem mesmo mãos ou pés do nosso personagem. Completamente linear, é até interessante que ele se venda como acontecendo numa floresta, quando sua maior parte se passa justamente em um estranho calabouço com a proposta de ser um labirinto, mas que não possui dificuldades para ser compreendido.

Não há falas, legendas, simplesmente nada. O máximo de interação que acontece é no começo do jogo, quando você encontra um rádio amador e ouve uma fala em looping do que parece ser seu filho, ainda que quase inaudível.

Em S.O.N não há recursos de jogabilidade. Desvendar os caminhos para seguir em frente é seu único desafio. Uma interação mínima acontece da necessidade de encontrar chaves para abrir passagens. Salvar manualmente o desempenho junto aos coelhinhos de pelúcia é outro ponto. De fato, há apenas dois puzzles em todo o jogo, nada muito instigante ao raciocínio.

O terror vem da situação em que você se encontra. O jogo aposta principalmente em ambientes claustrofóbicos e situações visualmente grotescas ao longo do caminho envolvendo uma quantidade sem fim de corpos mutilados e cenários sem sentido, além de óbvios jump scares junto a trilha sonora e assombrações em momentos que tentam ser inesperados.

É de uma pobreza de produção que beira o constrangedor.

O jogo tem o mérito de ao menos ter cenários razoavelmente bonitos, mas só isso. Até mesmo suas poucas ações são problemáticas. Às vezes pegar os poucos objetos disponíveis é dificílimo, porque simplesmente o comando não funciona, o que pode nos irritar bastante como o momento em que levei um tempo considerável para conseguir segurar o rádio. Mesmo jogando sozinho, no escuro, a noite e de fones, o tão desejado efeito de me assustar ou me sentir tenso não se realizou.

E não se engane, mesmo após um início sem explicações, o final será idem, com a possibilidade de dois desfechos, sendo um altamente esdrúxulo e outro sem nenhum sentido, numa quebra da narrativa que é definitivamente o único momento que pode chocar no jogo, infelizmente não de uma forma positiva.

No site da RedG encontramos algumas informações extras como explicações de que em 2018, 648 pessoas desapareceram na tal South Of Nowhere, incluindo várias equipes de busca e resgate, policiais e alpinistas. Apenas 22 corpos foram encontrados, todos de crianças.

Mas do que nos adianta um jogo que para entender o que está acontecendo precisamos buscar as informações numa outra mídia?

Indo de nada a lugar nenhum, S.O.N poderia ter algum potencial, mas até mesmo acreditar nisso depois do que nos foi apresentado se torna difícil.

O jogo é exclusivo para PlayStation 4.

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Samuel Bryan

Samuel Bryan

Jornalista, acreano, tão fã de filmes, games, livros e HQs de terror, que se não fosse ateu, teria sérios problemas com o ocultismo. Contato: games@bocadoinferno.com.br

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