Noturno (2017)

Noturno
Original:Nocturnal
Ano:2017•País:EUA
Autor:Scott Sigler•Editora: Darkside Books

Dois policiais, São Francisco, máfia, assassinatos, corrupção, encobrimento. À primeira vista, parece como qualquer outro livro policial.  Entretanto, Noturno é muito mais do que isso.  Adicione a esses elementos monstros e salvadores, sonhos estranhos e genética. Aí sim começamos a ter um real vislumbre desse livro.

Bryan Clauser e Pookie Chang são dois detetives do departamento de polícia de São Francisco trabalhando em um clássico caso de brigas de gangue, quando se deparam com o assassinato de um conhecido padre pedófilo. Como os melhores detetives do local, parece claro que o caso será deles, mas não.  Após a cena do crime, Bryan, que nunca fica doente, começa a passar mal e ter sonhos completamente bizarros. Quando acorda, descobre que tem algo muito errado acontecendo com ele.

Em contrapartida, temos Rex. Um adolescente que sofre abusos de sua mãe e é perseguido no colégio. Aos poucos, Rex também descobre que tem algo de muito errado acontecendo, e que está destinado a ser muito mais do que uma presa constante.

O livro é dividido em duas partes. No começo, parece que estamos lendo algo semelhante a O Médico e O Monstro, com Bryan duvidando da própria sanidade. Conforme a leitura avança, as reviravoltas são tantas que chega até mesmo a ser cansativo.  A leitura acaba ficando enfadonha com o excesso de informações e explicações detalhadas, seu ritmo acaba ficando mais lento, a investigação parece não sair do lugar e o destino dos personagens acaba ficando previsível.   Porém, a partir da segunda parte, os mistérios são deixados de lado e a ação toma seu lugar, revelando o sombrio e complexo subterrâneo da cidade. Tudo começa a ficar frenético e, é claro, com muito sangue envolvido, compensando a monotonia anterior.  Após ficar óbvio o que são os protagonistas de fato e o que pretendem fazer, tudo fica mais acelerado, os personagens não param um segundo e decisões são rapidamente tomadas, apesar de uma ou outra enrolação desnecessária.

O excesso de personagens também acaba sendo um problema, com o foco se alterando a todo momento e, com isso, fazendo com que muitos não sejam explorados adequadamente. Por causa disso, algumas reviravoltas não causam surpresa, ficando muito clara a resolução do maior “suspense” da trama. O sobrenatural aliado à uma explicação científica sobre a mutação genética dos monstros é algo um tanto inovador, mas poderia ter sido mais bem trabalhado.

Um ponto muito positivo foi o final. Depois de tantos acontecimentos – alguns até mesmo triviais – , ter um final inesperado foi algo surpreendente. Parecia que mais nada poderia acontecer para pegar o leitor desprevenido, mas Scott Sigler consegue fechar a obra de modo astuto e extemporâneo.

Noturno é uma obra bizarra, insana, criativa e, apesar de tudo, única.

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Louise Minski

Um experimento de Schrödinger entediado.

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