O Exorcista (2016): Chapter Ten: Three Rooms

O Exorcista (2016): Chapter One: And Let My Cry Come Unto Thee
O Exorcista (2016) (1)

O Exorcista
Original:The Exorcist
Ano:2016•País:EUA
Direção:Rupert Wyatt
Roteiro:Jeremy Slater, William Peter Blatty
Produção:
Elenco:Alfonso Herrera, Ben Daniels, Hannah Kasulka, Brianne Howey, Kurt Egyiawan, Alan Ruck, Geena Davis, Camille Guaty, Francis Guinan, Matthew Velasquez, Melissa Russell

O demônio mais ameaçador de O Exorcista, série que estreou na última sexta-feira no canal FX, é o da desconfiança. Levar o nome do clássico absoluto do gênero, dirigido por William Friedkin, em 1973, a partir de uma obra de William Peter Blatty, é de uma responsabilidade quase sobrenatural do showrunnerJeremy Slater (roteirista de Renascida do Inferno, 2015). Ameaçado pela maldição que acomete o original – não superado pelas continuações, pelo prequel e nem pelo relançamento remasterizado de 2001 – e ainda tendo em vista os maus tratos recebidos pelo subgênero das possessões demoníacas e exorcismos nas últimas décadas, é notável a ousadia em tentar trazer algo novo para a TV, sob a proteção frágil de um teto de vidro.

A principal questão era saber se o produto seria uma refilmagem, um reboot ou uma continuação do clássico. Os créditos apontados para o autor do livro em parceria de Slater fizeram os espectadores acreditarem que os personagens seriam os mesmos, e que veríamos uma versão alongada do texto original, como foi feito com O Bebê de Rosemary. O episódio piloto já apresentou todas as respostas: será uma produção nova, ambientada no mesmo universo que o filme original, respeitando o clássico ao mesmo tempo que amplia a mitologia demoníaca. O interesse se acentuou com o protagonismo de Geena Davis, que mesmo envelhecida traz uma nobreza favorável ao elenco, e alguns spots e imagens instigantes divulgadas aos poucos na internet e nos festivais de cinema.

O Exorcista (2016) (2)

Apesar das expectativas altas, o Capítulo Um infelizmente não foi o que se esperava. Bem realizado e com boas atuações, o que se viu foi uma reedição da fórmula, sem grandes novidades ou o terror que era esperado com bastante ansiedade. A abertura já dialoga com o longa de 73 ao mostrar o andar lento de um padre, com as vestimentas e a fotografia que remetem ao Padre Merrin, por uma rua de paralelepípedos úmidos. Uma sinfonia canina parece incomodada com os gritos de dor de uma criança numa comunidade mexicana.

Angela Rance (Davis) anda notando certos sons estranhos nas paredes de sua casa, como se fossem vozes perdidas. E uma de suas filhas, Kat (Brianne Howey), tem agido de maneira estranha desde que se envolveu em um acidente de carro. E seu desgaste psicológico é reforçado pela degradação lenta e contínua das habilidades cognitivas de seu marido Henry (Alan Ruck). Nada sobre o uso de uma tábua Ouija, Capitão Howdy ou a perda de um parente, mas todos os sintomas convencem prematuramente Angela a acreditar que há uma presença demoníaca na residência.

O Exorcista (2016) (3)

Provavelmente seja o momento de buscar a ajuda do Padre Tomas Ortega (Alfonso Herrera, de Sense 8), que anda perturbado com um desvio de sua conduta religiosa e também com pesadelos onde acompanha o experiente Padre Marcus Keane (Ben Daniels) no exorcismo obcecado de um garoto mexicano. Na segunda visão, o menino, com a pele cheia de bolhas e dentes pontiagudos, se liberta de suas amarras da cama e torce o pescoço para trás, caindo já sem vida. Tomas começa a pesquisar sobre o assunto exorcismo e vê algumas imagens já conhecidas como a possessão de Anneliese Michel e a trágica morte de duas pessoas em Georgetown, com a imagem da escadaria que resultou na queda do Padre Karras no original.

Tomas, então, decide ir ao encontro de Marcus para buscar respostas, mas, como já imaginado, encontra o eclesiástico perturbado pelo exorcismo frustrado. Logo, ele vai visitar a família Rance para saber sobre a jovem Kat, mas descobre que talvez o demônio tenha uma outra hospedeira. Para os fãs de horror, além do exorcismo pirotécnico do garoto, que traz uma profundidade aos conflitos pessoais do padre experiente, há a sequência no sótão, com alguns calafrios, movimentos estranhos e uma boca torta.

The Exorcist (2016) 1

Pela necessidade de trazer o demônio já nos primeiros acordes da trilha clássica original, as ações foram um pouco aceleradas. Imaginei que inicialmente teríamos vestígios de uma casa assombrada até os sinais obrigarem a mãe a buscar ajuda médica e posteriormente religiosa, como aconteceu na história original e nos acontecimentos que deram origem ao livro. Mas, parece que as intenções é partir rapidamente para o combate com a força diabólica, mesmo que o gesto prematuro possa soar artificial.

No final, a frase da adolescente Casey (Hannah Kasulka) – “Quando há um, logo aparecem vários.” -, em relação ao rato morto, representa, talvez, a “legião“, em referência à Bíblia, e também o subgênero das possessões demoníacas, a partir do clássico de 1973. Só esperamos que este consiga trazer algo novo, e não apenas a exploração de uma fórmula de um subgênero já desgastado.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

16 comentários em “O Exorcista (2016): Chapter Ten: Three Rooms

  • 24/12/2016 em 09:37
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    A série me surpreendeu positivamente, pude notar que a cada episódio a história foi se desenrolando e a tensão aumentando. No inicio como muitos desconfiava de algumas atuações que se superaram com o passar da história. Acho que podemos ter um gancho para uma segunda temporada, acho que seria muito legal ver o treinamento de um exorcista, saber um pouco mais da história e mítica por trás de tudo isso!

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  • 23/12/2016 em 17:13
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    Gostei da série, respeita o original de 1973 fazendo referências e homenagens mas sem pretensão de se igualar ao mesmo. As atuações são no geral boas, em especial de Geena Davis, que se prestarem atenção SPOILER , lembrar até alguns momentos da Regan, como a risada que ela dá depois que o padre Merrin é encontrado morto.

    A série serve como uma continuação do filme clássico, funcionando bem melhor que os filmes que foram feitos depois do de 1973. Recomendo para verem a série sem ficar comparando com o filme pois nunca foi o objetivo da série se igualar ao mesmo.

    Achei o último episodio mediano pois tava na expectativa de ver a Angela Rance apodrecendo que nem no filme original mas paciência, foi bom mesmo assim.

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  • 01/12/2016 em 21:03
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    Assisti e gostei do capítulo, mas dava para perceber que algo estava errado. Pois se analisarmos a conduta dos dois padres, um é adultero e o outro ” aparentemente ” é homossexual, no caso condutas condenadas pela Igreja Católica. Agora, vamos aguardar os dois próximos capítulos para ver o que o futuro reserva …

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    • 21/12/2016 em 20:17
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      Me supreendeu positivamente a série, não vejo necessidade de uma nova temporada. Melhor série de terror dos últimos anos, desde a a segunda temporada AHS.

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  • 23/11/2016 em 13:08
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    Comecei a acompanhar a série desde semana passada, e por conta das reviews do Boca, no qual sou fã assíduo do site.
    Sou admirador do filme Exorcista, e estou gostando muito da série de relacionar com o filme. Explicando alguns fatos fora não explicados no filme. Gostaria muito que a série continuasse em uma nova temporada. Porém minha dúvida é: É o Pazuzu que está na garota?

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  • 28/10/2016 em 09:08
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    Como um fã do longa de 1973, fiquei empolgado em assistir à série homônima. Esperava encontrar uma história independente, mas com algumas referências ao filme, como por exemplo citarem o caso de possessão em Georgetown. Enfim, estava acreditando que os autores fossem capazes de produzir algo por si sós. Infelizmente, no capítulo 5 tive a ingrata surpresa de trazerem o longa para dentro da série. Não que eu não goste do longa – longe disso – mas reafirmo: gostaria de algo mais independente. Angela ser a Reagan com o nome mudado? Forçaram, não foi? Tenho medo que isso se torne um “O Exorcita II – O Herege” e “O Exorcista III”.

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  • 18/10/2016 em 18:50
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    Começei assistindo com o pé atrás, mas a série está me supreendendo com o desenvolvimento dos personagens. So achei o ator do Padre Thomas meio fraco. Espero ver o que vai acontecer.

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    • 05/11/2016 em 21:20
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      Concordo, caro amigo! O desenvolvimento dos personagens estão muito bem encaixados no roteiro. O padre Thomas precisa de algo a mais… Mas o papel de “padre do pecado” está se tornando cada vez mais interessante! Tomara que sejamos agraciados por episódios mais intensos e um roteiro ainda mais surpreendente! Um abraço.

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  • 08/10/2016 em 03:12
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    acabei vendo alguns episódios porque passa antes do THE STRAIN, alguns efeitos feitos em computador me incomodam um pouco , porem o elenco é muito bom e carismático o que torna o clima mais pesado pelo drama e sofrimento dos personagens!

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  • 05/10/2016 em 17:48
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    Tente mostrar o filme original pra um moleque de 12 anos, se ele não dormir ou se distrair com o celular, vai rir da nossa cara… os tempos são outros, eu acho impossível levar uma série com o “timing” do filme original… é preciso prender o telespectador a cada episodio e pra gente é amor, mas para os produtores é dinheiro.

    Por enquanto a série está bem honesta, desenrolando mais uns 2 ou 3 capítulos já da pra perceber se vale a pena continuar…

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  • 25/09/2016 em 23:11
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    Como fã do original, achei horrível esse piloto. O charme de ”O Exorcista” era ir trabalhando a possessão aos poucos, sem pressa, e aqui, como já era de se esperar, vemos logo de cara um exorcismo cheio de CGI, uma garota se retorcendo num sótão (mais clichê impossível), e outras coisas desnecessárias, como os sonhos do padre Tomas. Não acho que essa séria merecia levar o título e a trilha do original, afinal mesmo tratando do mesmo tema, não se passa no mesmo universo, e nem parece ter o mesmo demônio atuando nas possessões. Acho que pelo menos os simbolismos do original podiam aparecer aqui, como aquela correntinha de São José… Da de ver de cara que vai ser um desastre, como foi Scream. To vendo que o padre Tomas logo vai se transformar num Constantine, lutando com demõnios de CGI…

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  • 25/09/2016 em 21:41
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    O que realmente me incomodou, foi a forma apressada com que os acontecimentos sucedem. Padre Tomas se convence das ações demoníacas sem nenhuma prova contundente – o mesmo pode ser dito sobre a mãe das garotas. O desenvolvimento podia ser mais paulatino. Ainda assim, vou acompanhar. Minha curiosidade é se haverá algum diálogo com a história da Regan.

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    • 28/10/2016 em 09:03
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      José Cláudio, isso também me incomodou bastante. A resposta do padre para o exorcismo foi mais rápida do que no filme!

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  • 25/09/2016 em 20:15
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    Acho que se compararmos com o RIP Damien e The Outcast, até que foi legal. Temos que levar em consideração que tem tanto filme de possessão hoje em dia que fica difícil criar algo novo (se bem que O Exorcista é o pai da grande maioria deles). Gostei da atuação dos dois padres. Vamos esperar mais uns capítulos pra ver!
    Só aproveitando o espaço… E sem relação com o assunto, assisti um filme quando beeeem mais novo (já sou quarentão), em que a classe rica faziam uns tipos de orgia, onde eles se fundiam, ficavam parecendo uma massa disforme, e depois separavam. Efeitos bem anos 80 mesmo. Vocês por acaso sabem o nome desse filme?

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    • Marcelo Milici
      25/09/2016 em 20:39
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      Agradeço os comentários, Ricardo! Também estou com “fé” (haha) que a série vai melhorar.

      O filme que você perguntou a respeito é A Sociedade dos Amigos do Diabo, de Brian Yuzna.

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