Sodom: Um dos Precursores do Thrash Metal

Sodom

O estilo de música “Metal” e o gênero artístico “Horror” sempre tiveram uma aproximação muito grande, exemplificado pela temática das letras, ilustrações das capas dos discos, ou pela própria postura e proposta agressiva das bandas em geral. No início da década de 1980, o “Heavy Metal” estava se desmembrando numa série de ramificações criando vários estilos ainda mais rápidos e extremos de sua já diferenciada música. Um dos primeiros novos rótulos foi denominado na época como “Thrash Metal”. Depois vieram o “Power Metal”, “Black Metal”, “Death Metal”, “Doom Metal” e mais uma infinidade de outros subgêneros. Na minha opinião, esses rótulos todos não trouxeram grandes benefícios ao estilo principal de onde originaram, ao contrário, de certa forma acabaram criando uma confusão com um inevitável desgaste. No final das contas, concordo plenamente com as sábias palavras do saudoso e falecido Chuck Schuldiner (1967-2001), guitarrista, vocalista e líder da banda americana “Death”, uma das mais significativas de todos os tempos: “Para mim é tudo Metal. Este monte de categorias acaba com tudo. Tire a primeira palavra de todas e deixe só uma: Metal”.

Com o surgimento do “Thrash Metal”, três bandas alemãs em especial podem ser consideradas precursoras desse agressivo estilo musical: “Destruction”, “Kreator” e “Sodom”. Curiosamente, todas estão na ativa até hoje, mesmo enfrentando uma série de dificuldades ao longo dos anos, e também todas já estiveram no Brasil em várias oportunidades mostrando suas performances ao vivo em ótimos e memoráveis shows.

O “Sodom” foi criado em 1983 pelo líder Angel Ripper (baixo e vocais, que mais tarde passou a ser conhecido como Tom Angelripper), além de Witch Hunter (bateria, e posteriormente assinando seu nome como Chris Witchhunter) e Aggressor (guitarra e vocais). Eles inicialmente buscavam referências e influências musicais em bandas consagradas como “Venom” e “Motorhead”. Os primeiros trabalhos foram as demo tapes “Witching Metal” (83) e “Victims of Death” (84), e com o lançamento dessa última o guitarrista Aggressor deixou a banda sendo substituído por Grave Violator, e Angel Ripper assumiu os vocais sozinho.

Com essa formação, surgiu o primeiro disco, o clássico EP “In the Sign of Evil” (84), que trazia na capa a figura bizarra de um carrasco, com músicas que tornaram-se imortais por sua brutalidade sonora como “Sepulchral Voice” e “Blasphemer”. Sobre esse disco, tenho uma curiosidade para relatar: antes de ser lançado oficialmente no Brasil, eu adquiri um vinil pirata em forma de split, trazendo “In the Sign of Evil” em um lado e o EP “Sentence of Death” do “Destruction” do outro lado, com capas em preto e branco, constituindo-se numa raridade de valor inestimável.

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A troca de guitarristas ainda continuava e dessa vez Destructor assumia agora a posição para o álbum seguinte, “Obsessed By Cruelty” (86), que teve um nível de produção ruim e uma baixa performance do novo guitarrista. Ele também foi substituído passando a vaga para Frank Blackfire, um músico bem mais técnico com o instrumento. Com essa formação, a banda se estabilizou por alguns anos e lançou mais cinco álbuns até 1989: “Expurse of Sodomy” (EP de 87), “Persecution Mania” (LP de 87), “The Mortal Way of Life” (88, ao vivo), “Agent Orange” (LP de 89) e “Ausgebombt” (EP de 89). Nesses trabalhos, o “Sodom” mostrou um metal poderoso, com um vocal gritado e rasgado, além de uma bateria detonadora num ritmo à velocidade da luz, explorando com maior ênfase nas letras o tema da brutalidade da Guerra e suas consequências devastadoras para a humanidade. Músicas marcantes como “Nuclear Winter” e “Agent Orange” destacam-se dentro dessa ideia. Curiosamente, a banda gravou também dois covers do “Motorhead”. Um é “Iron Fist”, numa ótima versão que foi veiculada no LP “Persecution Mania”, e o outro é “Ace of Spades”, gravado ao vivo em “One Night in Bangkok”.

Em 1990, o “Sodom” lançou o disco “Better off Dead”, já com um outro novo guitarrista, Michael Hoffmann, mudando um pouco o estilo musical da banda, investindo menos na sua agressividade tradicional, o que de certa forma começou a mostrar sinais de decadência e desgaste, principalmente também pelo fato de na mesma época estarem proliferando uma infinidade de outras excelentes bandas apresentando um estilo musical ainda mais agressivo, rotulado como “Death Metal”.

A banda sempre teve problemas de instabilidade com os guitarristas e após o lançamento do EP “The Saw is the Law” em 1991, Michael Hoffmann é substituído por Andy Brings, que ficou com o grupo até 1994. Nesse período o “Sodom” gravou três álbuns, “Tapping the Vein” (92), “Aber bitte mit Sahne!” (93) e “Get What You Deserve” (94). Porém, nessa época também o tradicional baterista Chris Witchhunter, que estava com a banda desde o início, resolveu sair após a gravação de “Tapping the Vein”, e em seu lugar Atomic Steif assumiu as baquetas, vindo em 1995 um novo trabalho chamado “Masquerade in Blood”, com outro guitarrista, Dirk Strahlmeier.

As constantes mudanças de formação juntamente com um desgaste natural de tantos anos de estrada, fez com que o “Sodom” diminuísse sua produção inédita. Tanto que em 1996 foi lançado “Ten Black Years – Best of”, um disco duplo trazendo uma coletânea das melhores músicas da carreira ao longo de mais de uma década de metal.

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Somente em 1998 o “Sodom” retornaria, com o líder Tom Angelripper em outra nova formação, trazendo ao seu lado o baterista Bobby Schottkowski e o guitarrista Bernemann. Eles lançaram então “’Til Death Do Us Unite”, sendo o primeiro disco não produzido pela tradicional gravadora “Steamhammer/SPV”, que esteve com a banda desde sua criação. Depois vieram ainda mais dois álbuns, “Code Red” (1999) e “M-16” (2001), este último voltando a ser produzido pela “SPV”.

Nesse meio tempo, um grupo de bandas foi convidada para gravarem covers para um disco em tributo ao “Sodom” chamado “Homage to the Gods – Tribute to Sodom”. Foi um total de quinze bandas, entre elas “Cradle of Filth”, “Impaled Nazarene” e “Dark Funeral”, e curiosamente teve a participação da excelente banda gaúcha “Krisiun” (com o cover de “Nuclear Winter”), bastante conhecida e admirada internacionalmente através de várias turnês divulgando seu trabalho e o nome do Brasil por todo o mundo.

M-16” tem um excelente e agressivo desenho de capa mostrando um imponente soldado carregando um companheiro morto em adiantado estado de putrefação, com a temática das letras abordando principalmente a “Guerra do Vietnã”, com mensagens críticas e de alerta para a irracionalidade da guerra.

Em 2003 o “Sodom” lançou seu terceiro trabalho ao vivo (depois de “Mortal Way of Live”, 88, e “Marooned”, 94), o disco duplo “One Night in Bangkok”, gravado na Tailândia, com 24 músicas representando toda a carreira da banda, incluindo “Outbreak of Evil”, “Blasphemer” e “Witching Metal”, do já clássico EP “In the Sign of Evil”.

Em 2006 eles lançaram um CD auto intitulado “Sodom” e em 2007 a banda lançou “The Final Sign of Evil”, uma regravação das cinco músicas do EP de 84 acrescentando outras sete inéditas que foram criadas para este álbum, mas que foram descartadas por decisão da gravadora. Além disso, foi reunida a formação original do EP “In the Sign of Evil”, com Tom Angelripper no vocal e baixo, Grave Violator na guitarra e Chris Witchhunter na bateria.

No ano de 2010 houve nova troca na formação, com a saída do baterista Bobby Schottkowski, e sua vaga sendo ocupada por Makka, que gravou o álbum de estúdio “Epitome of Torture” em 2013.
O “Sodom” certamente é uma das grandes bandas do Metal mundial, com uma consagrada carreira artística apoiada por milhares de fãs espalhados ao redor do planeta.

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Juvenatrix

Juvenatrix

Uma criatura da noite tão antiga quanto seu próprio poder sombrio. As palavras são suas servas e sua paixão pelo Horror é a sua motivação nesse Inferno Digital.

3 comentários em “Sodom: Um dos Precursores do Thrash Metal

  • 07/11/2014 em 15:19
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    Gostei muio do artigo, seria bom se o site continuasse escrevendo sobre bandas de metal, pois os sites relacionados ao gênero horror não costumam fazer isso.

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  • 05/11/2014 em 23:12
    Permalink

    Faço um apelo: continue escrevendo matérias sobre bandas de metal extremo. São excelentes.

    Grande abraço.

    Resposta

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