![]() | Sombras de um Desejo
Original:Possession
Ano:2008•País:EUA Direção:Joel Bergvall, Simon Sandquist Roteiro:Michael Petroni, Won-mi Byun, Min-ho Song Produção:Guy East, Doug Davison, Roy Lee, Nigel Sinclair, Bob Yari Elenco:Sarah Michelle Gellar, Lee Pace, Michael Landes, Tuva Novotny, Tuva Novotny, Chelah Horsdal, Dhirendra, Paul Jarrett, William B. Davis, Veena Sood, Peter Bryant |
Sombras de um Desejo (2009) é o segundo longametragem dirigido pelos suecos Simon Sandquist e Joel Bergvall, mais conhecidos pelo curtametragem Victor (2008), indicado ao Oscar da categoria em 1999. Neste thriller com toques sobrenaturais, a dupla aposta suas fichas no remake de um suspense oriental “menos conhecido”, a produção sul-coreana Jungdok (2002). No enredo da versão americana, a tranquilidade e a felicidade dos recém casados Jess e Ryan é interrompida pela presença do problemático Roman, que após cumprir pena por assassinato procura abrigo na casa do irmão. A harmonia do casal é então abalada; a falta de privacidade e alguns olhares indiscretos aos poucos vão tornando insuportável a convivência com o novo hóspede. Entretanto, um grave acidente de automóveis termina colocando os dois irmãos em estado de coma profundo. Passado algum tempo, Roman recobra inesperadamente a consciência chamando por Jess. Ainda confuso, ele insiste que é Ryan. A situação é perturbadora, mas evidências levam Jess a acreditar que o espírito do marido está no corpo de irmão e que a situação é uma nova oportunidade para consertar os erros do passado.
Como qualquer suspense razoável que se preze, Sombras de um Desejo utiliza da ambiguidade como artifício para instaurar a “dúvida”. No caso deste thriller, o conflito principal é criado pelas possíveis explicações para a migração do espírito entre os corpos dos dois irmãos. Pelo menos três desenlaces são admissíveis. O primeiro e mais romântico seria o sobrenatural/espiritual, na qual a alma do marido, por alguma espécie de justiça divina, teria se apossado do corpo do irmão bad boy. O acidente já parece um indício que comprovaria esta hipótese, já que ocorre numa circunstância bastante incomum: os irmãos estão em carros diferentes, que se chocam violentamente de frente. Ambos têm uma parada cardíaca e são ressuscitados no mesmo instante. Nesta sequência, muito bem realizada, vemos os carros dos irmãos destruídos, os corpos no meio da estrada com equipes de paramédicos tentando reanimá-los; ao mesmo tempo o sangue dos dois irmãos escorrem e se misturam numa enorme poça. Uma outra hipótese, mais racional, seria a que Roman estaria fingindo e querendo assumir a vida quase perfeita do irmão. Antes mesmo do acidente, podemos notar que Roman é atraído pela mulher do irmão. Porém como explicar a lembrança de acontecimentos e momentos íntimos do casal, que apenas o verdadeiro Ryan poderia saber? Estaria ele de posse de algum diário ou algo que pudesse lhe fornecer tais informações? Uma terceira explicação, também racional, seria de ordem psicológica, na qual algum tipo de confusão mental causada pelos ferimentos deixaria Romam com um problema de múltipla personalidade.
E como era de se esperar, existem diferenças nada sutis entre os roteiros da versão americana e do original. Enquanto em Addictec (título adotado pelos americanos) a construção das personagens e do drama acontece com delicadeza e num ritmo cadenciado, no remake tudo acontece a base de clichês e correria. No enredo coreano o irmão mais novo é piloto de corridas e apaixonado por adrenalina. Já o irmão mais velho é o oposto: um artista de temperamento calmo apaixonado pela esposa, uma jovem promotora de eventos. Quando comparamos com a versão made in Usa, onde o irmão mais velho é um ex-presidiário, notamos que os espaços ocupados pelo “bem” e pelo “mal” são muito mais delineados – postura irritantemente maniqueísta que também insiste em deixar tudo muito bem explicado; o que na minha opinião fere a “inteligência” do espectador, pois diminui a zero sua participação no entendimento do enredo. A adaptação também altera as condições e as consequências do desastre. Na versão oriental os acidentes acontecem simultaneamente porém em locais diferentes. O irmão mais velho morre e o mais jovem retorna pra casa depois meses mergulhado em um coma profundo. Diferentemente da refilmagem, ele não acorda gritando “eu sou meu irmão!”. A possível possessão do irmão é notada aos poucos, por gestos e detalhes de seu comportamento, como por exemplo o interesse repentino pelas artes. Ou seja, falta a refilmagem, no mínimo, a sutileza e a classe do original.
É curioso que o título americano da refilmagem – Possession (Possessão) – faça mais sentido para o enredo coreano, já que na produção ianque o irmão nem mesmo morre no acidente. Já o título adotado pelas distribuidoras brasileiras apela para o lado romântico do filme, e também revela certo equívoco, já que não encontramos grande justificativa para o “desejo” do título nacional (tudo bem, existe até uma “pequena” atração entre Romam e a esposa do irmão).
Sombras de um Desejo não derrapa apenas na banalização do argumento original. O elenco tem um desempenho raso, apesar de contar com a bela Sarah Michelle Gellar (O Grito) como protagonista. Os irmãos são interpretados pelos jovens Lee Pace (da série Pushing Daisies) e Michael Landes. Um destaque é a rápida aparição do veterano William B. Davis interpretando o psiquiatra que cuida de Roman. Willian ficou conhecido como o enigmático Canceroso, personagem da série Arquivo X.
Parte das deficiências citadas pode ser resultantes da tumultuada produção. Só para ilustrar, um dos estúdios envolvidos, o Yari, chegou a falir antes mesmo do término das filmagens – que foram iniciadas e encerradas no ano de 2007. Sombras de um Desejo enfrentou problemas também na distribuição e acabou lançado diretamente em vídeo apenas em 2010.
Apesar de todos os remendos e alterações prováveis que os produtores foram obrigados a adotar para finalizar o longa, Sombras de um Desejo não é exatamente um filme ruim. Na verdade, se mostra um filme mediano, com um argumento inicial interessante, e que pode até mesmo agradar o público menos exigente. Já os iniciados no gênero devem reclamar, e com razão. Afinal é apenas mais um remake que nada acrescenta ao original. Pelo contrário, é inferior a versão coreana, que também não chegava a ser nenhum clássico. E apesar da curta duração (em torno de 85 minutos), Sombras de um Desejo carece de fôlego para se garantir realmente interessante.
No início o filme até te prende um pouco, gerando uma boa expectativa, mas o final é lamentável.
[COMENTÁRIO COM SPOILERS]
Pois eu gostei mais do Sombras de um desejo que o coreano ! Justamente porque o marido morre !! Pronto falei!
deve ser bem fraco mesmo,pena.