A Hora do Terror (1985)

A Hora do Terror (1985)

A Hora do Terror
Original:The Midnight Hour
Ano:1985•País:EUA
Direção:Jack Bender
Roteiro:William Bleich
Produção:Ervin Zavada
Elenco:Lee Montgomery, Shari Belafonte, LeVar Burton,Peter DeLuise, Dedee Pfeiffer, Jonna Lee, Jonelle Allen, Kevin McCarthy, Cindy MorganDick Van Patten, Mark Blankfield

por Célio Soares

Alguns filmes, mesmo que não tenham uma qualidade acima da média, ficam marcados em algum momento de nossas vidas, geralmente entre a infância e a adolescência. Quando revisitamos estas obras quando adultos, acontece na maior parte dos casos de ficarmos decepcionados quando colocamos a memória afetiva frente a frente à nossa personalidade atual. A década de 80 e início da de 90 produziu vários destes casos, principalmente porque a televisão aberta era a principal oportunidade de assistir filmes, e também porque neste período a censura televisiva não era tão rígida, o que influenciou na geração de vários fãs de filmes de terror, que passavam com frequência em todos os horários. A Hora do Terror (The Midnight Hour, 1985) é uma destas obras que marcaram a adolescência de muita gente e, por mais obscura que pareça na memória, mantém um modesto grupo de apreciadores.

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Em uma pequena cidade no interior da Nova Inglaterra, Cove Pitchford, cinco amigos de escola, após conhecerem a lenda local acerca de uma bruxa que foi capturada e condenada à morte por um caçador de bruxas, tem a ideia de invadir o museu da cidade e roubar as roupas das estátuas de cera que representam os personagens da lenda, para usarem na festa de Halloween à noite. No museu, encontram em uma espécie de porão um baú contendo um pergaminho lacrado e um anel. Resolvem, não se sabe exatamente porque, levar tudo para o cemitério da cidade. Acontece que Melissa (Shari Belafonte), uma das garotas do grupo, é descendente da tal bruxa da lenda, assim como Phil (Lee Montgomery) é descendente do caçador que a matou. Os outros três do grupo são Mitch (Peter DeLuise), o tipo playboy esportista, Vinnie (LeVar Burton), uma espécie de mistura de Eddie Murphy com Chris Tucker, e Mari (Dedee Pfeiffer), por quem Phil sente uma queda embora ela aparentemente apenas o vê como um amigo. Em um filme de horror convencional teríamos um grupo perfeito no qual já saberíamos quem estava na trama apenas para uma morte rápida, mas não é o caso aqui.

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Sob os famosos protestos ao estilo “Gente, talvez seja melhor não fazer isso” de Phil, Melissa lê o que está escrito no pergaminho e o grupo sai do cemitério. Pouco depois, os túmulos começam a explodir e os mortos voltam à vida. A maldição da bruxa incluía a volta de “todos os demônios do inferno”, além dos mortos-vivos convencionais. Mas no máximo surgem alguns lobisomens. A própria bruxa da lenda também ressurge. Estranhamente apesar de ter amaldiçoado a cidade, a mulher foi enterrada no cemitério junto aos demais cristãos habitantes. Entre cadáveres putrefatos, surge Sandy (Jonna Lee), uma loira em trajes de líder de torcida que não apresentam nenhum sinal de decomposição, no máximo uma palidez que não seria suficiente para atrair nenhum necrófilo.

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Logo, o exército de mortos-vivos começa a vagar pela cidade, sendo confundidos como pessoas fantasiadas para o Halloween. Enquanto isso, Phil se prepara para ir à festa na casa de Melissa fantasiado como uma espécie de mistura entre Drácula e o Kiss. Phil faz o tipo nerd tímido, com um visual que parece Peter Parker com um cabelo maior. No caminho, encontra com a simpática Sandy e tem uma breve conversa. Já na festa, Mary o ignora diversas vezes. Quando até um dos zumbis que entraram no local consegue uma garota, Phil resolve ir embora. É então que a magia do cinema acontece e o rapaz reencontra Sandy. Triste por ter percebido que sua casa não existe mais, a garota resolve reviver as coisas boas de quando era viva e o convence a dar uma volta pela cidade. Ironicamente, a garota morta mostra a Phil os prazeres de estar vivo, até serem atacados por um lobisomem e descobrirem que precisam refazer o encantamento de enclausuramento da bruxa, caso contrário todos que foram atacados pelo mal permanecerão amaldiçoados e os mortos continuarão vagando na terra.

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Apesar do ótimo visual não é um filme de horror para ser levado a sério. Feito diretor para a TV especialmente para o Halloween, chega a ser até surpreendente a qualidade da produção. O diretor Jack Bender tem uma prolífica carreira como diretor de filmes e série de TV, com episódios de Lost, Família Soprano e Barrados no Baile no currículo. No horror, dirigiu também o descartável Brinquedo Assassino 3 (Child’s Play 3, 1991). As cenas no cemitério ornamentado por estátuas de anjos, tomado por lápides e chão esfumaçante forrado por folhas secas dão o clima ideal para o tema. Segue uma ótima sequência no momento do despertar dos mortos, com os cadáveres saindo das covas. Os efeitos especiais e maquiagem são simples mas convincentes. Apesar do tema, espere quase a mesma quantidade de sangue que você veria em um filme da Disney. Os ataques dos zumbis e lobisomens à população são amenizados e não há exatamente momentos de tensão. A Bruxa da lenda, além de feiticeira, é vampira, e transforma todo o pessoal que participa da festa na casa de Melissa, mas o ataques são caricatos como uma peça de teatro. Já os ataques dos lobisomens são um pouco mais sérios, embora nada de muito visual.

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A Hora do Terror, que dá título ao filme, trata-se de um programa de rádio cujo áudio surge ao longo do filme, garantindo uma ótima trilha sonora calcada em classic rock trazendo Creedence, The Guess Who, The Smiths, Wilson Pickett e outros ainda mais antigos. Mais um ponto para marcar o filme na memória, exceto por uma constrangedora imitação de Thriller de Michael Jackson, quando todo mundo na festa, agora transformados em zumbis e vampiros, começam a dançar. Tudo bem. Neste ponto o carisma geral do roteiro já capturou o espectador e um pequeno número musical pode ser ignorado. Trata-se de uma produção modesta em todos os sentidos, com certo ar cômico e adolescente mas capaz de agradar aos espectadores a ponto de ainda ser lembrando quase três décadas depois. Ainda teve a coragem de inovar com um final melancólico e pouco otimista, fato que ajudou e muito a valorizar o filme. Não é indicado para espectadores que esperam um horror mais visceral e repleto de mortes horríveis, mas continua uma ótima opção para ser visto no Halloween por todas as idades.

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Autor Convidado

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Um infernauta com talentos sobrenaturais convidado a ter seu texto publicado no Boca do Inferno!

25 comentários em “A Hora do Terror (1985)

  • 05/04/2020 em 01:24
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    Eu lembro muito bem desse filme uma das cenas tinha até ópera

    Aliás uma curiosidade: esse filme foi o primeiro filme do Macaulay Culkin. Ele era um menino que pedia doces ou travessuras

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