Medo em Cherry Falls (2000)

Medo em Cherry Falls (2000)

Medo em Cherry Falls
Original:Cherry Falls
Ano:2000•País:EUA
Direção:Geoffrey Wright
Roteiro:Ken Selden
Produção:Marshall Persinger, Eli Selden
Elenco:Brittany Murphy, Jay Mohr, Michael Biehn, Jesse Bradford, Candy Clark, Amanda Anka, Joe Inscoe, Gabriel Mann, Natalie Ramsey, Douglas Spain, Bre Blair, Kristen Miller

Se quer sobreviver, não faça sexo!” Na cartilha dos slashers, concebida na década de 80, um dos principais tópicos de sobrevivência está relacionado a virgindade. Os promíscuos, usuários de drogas, os atletas ignorantes e até mesmo os chatos sempre estiveram na black list dos principais assassinos do período, como se o mínimo desvio de responsabilidade fosse suficiente para condenar alguém à morte. O conceito é banal e serve apenas como um ensinamento aos desajustados sobre resistência aos malefícios da juventude. Quando o horror teen Pânico, de Wes Craven, brincou com as regras e clichês do subgênero, houve aqueles que aprenderam e resolveram copiar a fórmula e os que a utilizaram como padrão a ser evitado, como o suspense Medo em Cherry Falls, lançado em 2000, destacando o rosto da promissora namoradinha da América, Brittany Murphy.

Na verdade, a tentativa de fugir do clichê “virgens sobrevivem ao assassino” se encerra no argumento geral do longa de Geoffrey Wright, que posteriormente completaria a carreira de forma melancólica ao atualizar a obra de Shakespeare, Macbeth, para os jovens em 2006. Todo o restante se esbarra em soluções fáceis e artificiais que não são salvas nem pelas tentativas de satirizar o estilo, como a inspiração de 1996. Para piorar a avaliação, o cineasta entrega um trabalho preguiçoso, com péssimas posições de câmera, intensificado pela edição com exaustivos flashbacks.

Uma pequena cidade da Virgínia – nome sugestivo – chamada Cherry Falls, expressão inglesa que denota a perda da virgindade, uma série de assassinatos está incomodando os moradores. Um jovem casal, entre beijos e insinuações sexuais no interior de um veículo, está numa discussão produtiva sobre a possibilidade de fazerem sexo, com o rapaz tentando convencer a garota de seus sentimentos e da chegada do momento certo para o ato, exemplificando com alienígenas e planetas desconhecidos (!!!) Alguém os observa num veículo próximo. A figura escondida pelo roteiro acende o farol, obrigando o jovem a tirar satisfações até ser golpeado inúmeras vezes, numa citação ao primeiro crime do assassino do Zodíaco. Após uma tentativa desesperada de fugir, a garota é sucumbida ao serial killer, sendo encontrada no dia seguinte pregada a uma árvore (Drew Barrymore fazendo escola) com uma palavra em sua coxa, marcada com um punhal: Virgem.

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Após algumas mortes com a mesma assinatura, o xerife da cidade, Brent Marken (Michael Biehn, que só aceitou fazer um slasher por se tratar de uma sátira ao gênero), percebe que a única conexão entre os crimes é a virgindade das vítimas. Temeroso com a possibilidade de ter a própria filha, Jody Marken (Brittany), assassinada, ele realiza uma reunião na cidade, apresentando um possível perfil do assassino e as vítimas em iminência, gerando uma confusão entre os pais e o delírio dos adolescentes, que organizam a festa Holocausto do Hímen, com a desculpa de “salvar vidas“. O humor se faz presente no evento dos jovens, principalmente com a participação dos nerds, com muitas garotas se “sacrificando” com o apoio até mesmo dos pais.

Com uma vestuária feminina, incluindo as unhas pintadas de vermelho, o assassino tem motivações referentes ao estupro da jovem Loralee Sherman, num passado que envolve quatro personagens, incluindo o xerife. A violência é contida, assim como as poucas cenas de assassinato são censuradas e sem impacto. A matança no último ato se baseia no som irreal da faca, sem exibir corpos mutilados ou violência, provavelmente para facilitar a identificação do público adolescente. Sem sangue ou qualquer atrativo, resta ao público quase nenhuma motivação para uma conferida.

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A própria Brittany Murphy (falecida em 2009) está bem exagerada nas expressões. Ela já havia feito outros filmes (Matemática do Diabo, Anjos Rebeldes 2, Garota Interrompida…), mas aqui entrega, provavelmente, sua pior atuação. Jay Mohr, como o professor Leonard, também não convence; restando apenas a Michael Biehn e à veterana Candy Clark (de A Bolha Assassina) os únicos papéis interessantes.

Curiosamente, Medo em Cherry Falls não chegou a estrear nos cinemas americanos. Aliás, teve poucas passagens pela tela grande, tendo perdido a “virgindade” exatamente no Brasil em maio de 2001. Mais um exemplar que comprova o quanto as distribuidoras brasileiras muitas vezes assassinam a cultura cinematográfica brasileira com péssimas opções levadas aos cinemas, enquanto produções melhores minguam em festivais isolados.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

4 comentários em “Medo em Cherry Falls (2000)

  • 11/07/2019 em 20:36
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    Esse filme perdeu a sua virgindade na TV aberta no Brasil em 2003 quando passou na Tela Quente próximo a semana dos Dia dos Namorados, ainda lembro pois a minha irmã colocou o cabelo dela todo pra frente ficou igualzinha ao Serial Killer kkkk deu pra sentir alguns sustos, para quem gosta do gênero de filme eu recomendo !

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  • 25/03/2014 em 16:47
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    Se ele desse aquilo que prometeu…, até que seria um bom filme

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  • 25/03/2014 em 09:10
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    ri muito com esse filme, é bem trash.

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  • 23/03/2014 em 13:33
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    gostei muito do filme, o elenco é muito bom, eu recomendo..

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