King Kong (2005)

King Kong (2005)

King Kong
Original:King Kong
Ano:2005•País:Nova Zelândia, EUA, Alemanha
Direção:Peter Jackson
Roteiro:Philippa Boyens, Fran Walsh, Peter Jackson
Produção:Jan Blenkin, Carolynne Cunningham, Peter Jackson, Fran Walsh
Elenco:Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Thomas Kretschmann, Colin Hanks, Andy Serkis, Evan Parke, Jamie Bell, Lobo Chan, John Sumner, Craig Hall

Magnífico, obra-prima, excelente e imponente sucesso. Esses são apenas alguns dos adjetivos que o filme King Kong (King Kong, 2005) vem recebendo por grande parte da crítica desde a sua estreia mundial. Tecnicamente perfeito, esta terceira versão da história do gorila gigante foi dirigida por Peter Jackson, o homem por trás da mais bem sucedida série do século 21 até o momento, O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings, 2001). Apesar dos elogios, da qualidade técnica indiscutível e do roteiro simples, a impressão que se tem ao assistir este novo King Kong é que o filme peca pela sua longa duração, uma escolha do diretor que optou por encher a história de cenas de aventura feitas digitalmente, mas que não acrescentam muito ao enredo e que em determinado momento acabam fazendo com que o público comece a ficar cansado durante a película que parece não ter fim.

A história é bem simples. Na Nova York de 1933 conhecemos a jovem e desempregada atriz Ann Darrow (Naomi Watts, da versão norte americana de O Chamado, 2002), que cai nas graças do cineasta falido Carl Denham (Jack Black, de Escola de Rock, 2003), para ser a estrela que faltava do seu novo filme, uma história de amor em alto mar. Após relutar um pouco, Ann aceita a oferta ao descobrir que o roteirista é o famoso dramaturgo Jack Driscoll (Adrien Brody, de A Vila, 2004). A equipe parte para as filmagens em alto mar a bordo de um navio cargueiro, porém, o real objetivo do diretor Carl é rodar várias cenas do seu filme na misteriosa e desconhecida Ilha da Caveira, que tem a fama de nunca ter sido pisada por nenhum homem.

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O lugar existe e possui um aspecto aterrador, com arrecifes esculpidos em forma de caveiras e uma imponente e intransponível muralha como se construída para evitar que qualquer ser vivo do local pudesse fugir. Após o navio encalhar em um dos rochedos, um grupo liderado por Carl decide explorar a ilha para justamente gravar algumas cenas para o tal filme. Durante essa visita, a equipe é surpreendida por aborígines que moram no local e que vão atacar e matar alguns dos membros da tripulação.

Conseguindo escapar dos nativos, o grupo retorna para o navio, apenas para que algumas horas depois um dos aborígines sequestre a mocinha Ann para ser oferecida como sacrifício para Kong, um gorila gigante de oito metros que mora no lugar e que é visto pelos nativos como um deus, ou um rei, temido. No entanto, o gorilão vai se apaixonar pela garota, salvando inclusive a mesma dos animais pré-históricos do local e dando início a uma relação de amor e domínio entre o animal e a moça, que por sua vez, passa a sentir pena do bicho e tenta protegê-lo. Para resgatar a pobre donzela das patas desta besta gigante, a tripulação do navio parte para a ilha enfrentando as mais perigosas situações enquanto o diretor Carl aproveita para rodar importantes cenas do seu filme. Após o resgate de Ann, a equipe vai prender Kong e, sob o comando de Carl, levá-lo para Nova York onde será exibido em um show como a oitava maravilha do mundo.

Esta versão de King Kong é na verdade um projeto antigo do diretor Peter Jakcson, que pretendia iniciar a produção logo após Os Espíritos (The Frighteners, 1996), porém como o filme não teve um bom resultado nas bilheterias, o estúdio resolveu engavetar a ideia, que já estava em fase de pré-produção. Jackson começou então a se dedicar à trilogia O Senhor dos Anéis e somente após o lançamento do último capítulo da saga, em 2003, e do coroamento do diretor como senhor de Hollywood, foi que pôde voltar a pensar novamente em King Kong. Com os mesmos roteiristas Fran Walsh e Philippa Boyens, com quem havia trabalhado na série do anel, Jackson construiu um enredo que se passa na Nova York de 1933, mesmo ano em que a primeira versão do filme foi lançada. Ponto positivo para a reconstrução de época com relação aos cenários, figurinos e até cabelos usados pelos personagens, além dos próprios créditos do filme serem mostrados como se fossem produções da década de 30.

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O aspecto técnico é indiscutivelmente bem realizado sendo inclusive responsável por grande parte do êxito deste novo King Kong nas bilheterias. Os cuidados com efeitos especiais geraram sequências impressionantes de serem vistas, com destaque para a concepção do próprio Kong que é extremamente realista, em especial quando comparada aos filmes anteriores, onde foram usados dublês vestindo uma fantasia de gorila e cenas de sobreposição de imagens. Para que os movimentos do Kong de Jackson fosse o mais realista possível, foi percorrido um longo caminho que mesclou tecnologia de ponta com o trabalho do ator Andy Serkis, que fez a criatura digital Gollum na trilogia O Senhor dos Anéis. Além de passar alguns meses estudando o movimento de gorilas na África, Serkis utilizou uma roupa especial com sensores para captura de movimentos, que depois foram tratados no computador para darem vida ao bicho. Tal técnica auxiliou inclusive nas expressões faciais do bicho.

No entanto, foram justamente os avanços tecnológicos que também fizeram com que King Kong pecasse como produto final. Com o objetivo de criar sequências que deixariam o público de boca aberta, o diretor Jackson na verdade conseguiu fazer do filme um produto extremamente longo, com 187 minutos. Só para se ter uma ideia, o original de 1933 durava 100, enquanto a refilmagem de 1976, ficou com 134. O problema de fazer um filme tão longo é que não existe história, leia-se roteiro, para mais de três horas de ação, que em certo momento começa a se arrastar em sequências bem realizadas tecnicamente, mas que não fariam nenhuma falta caso fossem eliminadas na ilha de edição. King Kong é um filme basicamente de aventura e possui um roteiro simples que funcionaria caso a sua duração fosse de aproximadamente duas horas, mas como a trama aqui é longa, a história acaba perdendo fôlego a medida em que os minutos avançam.

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Tratando um pouco do aspecto humano do filme, temos em King Kong um bom elenco, mas que se limita a fazer o que se espera neste tipo de filme. A mocinha grita, o herói faz cara de valente para o gorila e os coadjuvantes morrem tão rápido que é difícil até se lembrar deles durante a projeção. Aliás, isso mostra apenas como o roteiro é simples, pois no momento em que o filme começa já se tem uma clara noção de quem vive e quem morre.

Talvez o comentário mais frequente para quem assista a King Kong seja o de que os efeitos são excelentes, mas que a história é demorada e isso a torne um pouco chata. Lembrando que filmes longos não são necessariamente cansativos e que a própria trilogia O Senhor dos Anéis é o melhor exemplo neste caso, onde somente o terceiro filme teve duração de 201 minutos, mas foi apoiado em um roteiro que prendia a atenção do público durante quase quatro horas. No caso de King Kong o roteiro simples não permite que haja consistência para uma história demorada e mesmo se tratando de uma aventura despretensiosa, o filme da forma longa como foi lançado não consegue se segurar apenas em efeitos ou imagens.

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Curiosidades:

– Foi o diretor da primeira versão de King Kong, Merian C. Cooper, quem idealizou o roteiro que deu origem a história. A ideia para o argumento surgiu depois que Cooper teve um sonho onde um macaco gigante destruía Nova York. Após acordar deste pesadelo, ele imediatamente tomou nota do que se lembrava para não esquecer até o amanhecer. O novo King Kong foi dedicado à memória de Cooper que morreu em abril de 1973.

– A atriz Fay Wray, que estrelou a versão original de King Kong, não aprovou a escolha de Naomi Watts para ser a mocinha Ann no novo filme, mas depois de uma conversa com a jovem atriz mudou de opinião, declarando para a imprensa que Naomi era adequada para o papel que foi seu 70 anos atrás.

– A mesma Fay Wray recebeu um convite do diretor Peter Jackson para fazer uma aparição especial no novo King Kong, no entanto, ela faleceu em agosto de 2004 antes de gravar a sua participação. Além do filme ser dedicado a memória da veterana, Jackson fez uma outra homenagem a mesma quando o personagem Carl está procurando uma atriz para o seu filme, é mencionado então o nome de Fay, mas o diretor responde que ela está envolvida em um projeto da RKO (produtora da época) e por isso não estaria disponível. O King Kong de 1933 foi gravado pela RKO.

– Apesar desta ser a terceira versão para o cinema de King Kong, o personagem já participou de várias outras produções desde que foi criado em 1933. Entre os principais, estão os longas:

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· King Kong Aparece em Edo (1938), Japão, dirigido por Sôya Kumagai.

· King Kong (1962), Índia, dirigido por Babubhai Mistri.

· King Kong vs. Godzilla (1962), Japão, dirigido por Ishirô Honda.

· A Fuga de King Kong (1967), dirigido por Ishirô Honda.

· Macaco (1976), Coréia do Sul, dirigido por Paul Leder.

· As Bonecas de King Kong (1981), México, dirigido por Alfredo B. Crevenna.

· King Kong 2 (1986), EUA, continuação do filme de 1976. (fonte: Revista Época)

– Apesar de serem tratados como refilmagens, cada um dos filmes do King Kong possui enredos com algumas diferenças sendo essas as principais:

· No primeiro, de 1933, o empresário de shows Carl Denham parte com um grupo de exploradores para uma ilha tropical em busca de um gorila gigante conhecido apenas como lenda. O objetivo é levar tal animal para ser exibido como parte de um novo espetáculo produzido por Carl. Junto com a equipe está a bela Ann Darrow, que vai ser sequestrada pelos nativos para ser oferecida como sacrifício para Kong.

· Na versão de 1976, acompanhamos um biólogo que parte como passageiro clandestino de uma expedição naval em busca de uma ilha para obtenção de petróleo. No percurso eles resgatam uma bela moça sobrevivente de um naufrágio e ao chegarem no lugar indicado pela empresa, vão se deparar com um grupo de nativos que veneram um gorila gigante e a mocinha retirada do mar vai ser a próxima oferenda para o bicho.

– Várias cenas do atual King Kong lembram outros filmes já vistos e como exemplo máximo tem-se O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park, 1993), pelas inúmeras sequências envolvendo animais pré-históricos digitais. Claro que dinossauros são iguais em qualquer produção, mas a exposição em exagero e sem muita finalidade destes seres faz com que se pense em alguns momentos estar assistindo uma sequência do Parque dos Dinossauros, lembrando que a ilha do filme original também possuía dinossauros, mas eles apareciam pouco.

– Outras semelhanças claras para este King Kong são com O Senhor dos Anéis, em especial com relação aos aborígines que moram na ilha da Caveira serem clones dos orcs da saga do anel, além da fortificação onde eles viverem ser uma mistura do Abismo de Helm com Mordor, duas regiões da obra de Tolkien. Ainda da famosa trilogia, observadores mais atentos vão perceber que a luz utilizada no nascer e no por do Sol são idênticas as utilizados em King Kong. Isso acontece graças ao trabalho de fotografia do australiano Andrew Lesnie, que repetiu, literalmente, o bom trabalho feito na saga do anel. E para completar, é impossível não se lembrar da comédia Querida, encolhi as Crianças (Honey, I Shrunk the Kids, 1989) quando o grupo está em uma espécie de lamaçal e se deparam com as mais diversas espécies de insetos gigantes.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

9 comentários em “King Kong (2005)

  • 16/06/2019 em 16:00
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    Sinceramente, o filme é tão bom que a longa duração passa despercebida. Não vejo como desgaste nenhum. O filme é fascinante do começo ao fim. Dificilmente outro filme do gorila irá superar a grandeza de King Kong (2005).

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  • 05/11/2016 em 01:14
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    Nada contra o filme ele é muito bom.Porém se contradiz quando um grupo de exploradores preferem levar para cidade um macaco gigante deixando para traz incríveis dinossauros de várias espécies.Isso é extremamente ridículo e frustrante esses dinossauros não deveriam nem aparece no filme.Porque na realidade eu levaria um t-rex pra casa não macaco enfurecido. Pensem nisso!

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  • 12/05/2015 em 12:49
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    Como já diziam os críticos: “Três horas de puro espetáculo.”

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  • 25/02/2015 em 16:08
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    Eu daria três estrelas, mesmo pecando no ritmo perto do final!

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  • 16/02/2015 em 01:03
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    Também acho que merecia uma cotação melhor, uma meia hora a menos não faria falta é verdade, mas não nem por isso é um filme ruim. 4 estrelas.

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  • 24/01/2015 em 08:28
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    Se esse filme não merece 5 estrelas já não sei mais o que é filme espetacular.
    Não tinha como ficar mais perfeito.

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    • 22/04/2015 em 10:02
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      Também acho, ficou perfeito o filme. Adorei. Pra mim, é o melhor filme de aventura que já assisti, e já assisti muuuuuuitos. O tempo de duração é o de menos, o conteúdo é o que importa.

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  • 22/01/2015 em 01:20
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    eu prefiro o original ,esse com o passar dos anos foi ficando cada vez mais chato!!

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  • 18/01/2015 em 12:17
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    Cinco Caveiras!!!!!!!!!!
    É um filme excelente!!!!!

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