Scream – Episódio 10 – Revelations (2015)

Scream – Episódio 1: Red Roses (2015)

Scream (2015) (1)

Scream
Original:Scream
Ano:2015•País:EUA
Direção:Jamie Travis
Roteiro:Jill E. Blotevogel, Dan Dworkin, Jay Beattie, Kevin Williamson
Produção:Robert West
Elenco:Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Amadeus Serafini, Connor Weil, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy Middendorf, Bella Thorne, Bobby Campo, Brianne Tju, Sosie Bacon, Max Lloyd-Jones

Quando Casey (interpretada por Drew Barrymore) atendeu o telefone em 1996, o gênero terror passava um período de instabilidade, não se definindo a qual caminho pretendia seguir: as continuações já não interessavam mais – faltava apenas mandar Jason para o espaço – e muitos apontavam as produções do período como trashes. Houve uma queda de público nas exibições de filmes fantásticos – só Independence Day havia feito alguma diferença -, e os produtores começavam a partir para outros estilos, como a ação exagerada (Missão Impossível e A Rocha), mistura de gêneros (Um Drink no Inferno), os dramas (O Paciente Inglês e Crash – Estranhos Prazeres) e os thrillers (As Duas Faces de um Crime). Havia quem visse uma possibilidade na diminuição da idade das vítimas do gênero, sem voltar às aventuras infantis da década de 80, principalmente com a boa aceitação de Jovens Bruxas, estrelado por uma desconhecida Neve Campbell. Por mais que existam detratores que neguem a força do produto, Pânico foi realmente um divisor de águas, abrindo as portas para o “terror teen“, com atores velhos fazendo papel de adolescentes, tendo que enfrentar um assassino mascarado, cuja identidade só seria revelada no final. Dele vieram subprodutos e continuações do mesmo Wes Craven, apoiado no roteiro metalinguístico de Kevin Williamson, estabelecendo uma franquia, no mínimo, divertida. Apesar da boa aceitação do segundo volume, o terceiro, lançado em 2000, estava desgastado, enfraquecido pela mesma fórmula desenvolvida. Somente em 2011, Pânico 4 chegou aos cinemas com a ousadia de trazer a mesma equipe, incluindo elenco, direção e roteiro – algo raro para qualquer franquia -, e houve quem acreditasse que dele surgiria uma nova trilogia.

Negações do elenco, desinteresse do diretor e da própria Dimension Films afastaram a possibilidade de um quinto exemplar. Ghostface estava enterrado, e parece que Woodsboro finalmente havia encontrado a paz. Pois, eis que dois produtores da MTV, Tony DiSanto e Liz Gateley, anunciaram em junho de 2012 que estariam atrás de alguém para escrever o roteiro de uma série baseada na fórmula desenvolvida com a franquia Pânico. Somente em 2013 foram divulgados os nomes de Jay Beattie e Dan Dworkin (de Criminal Minds) como contratados para escrever o argumento do episódio piloto, mas até o início das filmagens, em abril deste ano, na Louisiana, houve algumas danças da cadeira, com trocas de elenco e produtores – um caminho não muito bom e que já permite um certo olhar desconfiado do espectador. Também ampliou a desconfiança a divulgação da nova máscara do assassino, bem distante da original, fazendo com que o próprio Craven apontasse numa entrevista que “não deveriam mexer no que deu certo“.

Scream (2015) (3)

Pois, a novela se encerrou no dia 30 de junho, com a exibição do piloto do programa, apresentando novos personagens e a intenção de tocar levemente na franquia original, mantendo apenas a fórmula básica (assassino mascarado, metalinguagem e referências ao gênero) para a construção de uma nova trama, brincando, desta vez, com as séries de TV. O primeiro episódio dividiu opiniões, decepcionando os que esperavam muitas mortes, e empolgando os fãs da franquia, com apostas sobre a identidade do assassino e as possibilidades despertadas. Ainda é cedo para uma conclusão definitiva, mas, se a série não souber dialogar com os filmes e nem tiver referência aos crimes de Woodsboro, é possível que soe apenas oportunista e comercial, como um produto independente, uma caricatura da franquia de Wes Craven.

Uma imagem em névoa de um lago frio dá início ao episódio, comandado por James Travis. Nina (a estupenda Bella Thorne, do promissor Amityville: The Reawakening) está insatisfeita com o namorado Tyler (Max Lloyd-Jones), após a exibição em vídeo do rapaz em um momento comprometedor. Após o gelo oportuno, a garota chega à sua imensa casa, conectada pelo seu Iphone, para um banho quente ao luar. Assim que se prepara para a noite tranquila, ela começa a receber vídeos gravados de dentro de sua casa, além de mensagens instigantes, levando-a a acreditar que o namorado ainda insiste em aproveitar alguns momentos com ela. Mais alguns contatos, gravações e digitadas (uma impressionantemente rápida, quando Nina escreveu em apenas dois segundos What the hell was that?) até surgir a cabeça de Tyler na banheira quente, conduzindo-a a alguns momentos de terror, com as portas trancadas e o encontro com o assassino. Com as costas rasgadas, ela tem o pescoço aberto de uma ponta à outra por uma faca afiada, e depois seu corpo é atirado na piscina. Para encerrar a abertura, em homenagem ao início de Pânico, o mascarado exibe sua vestimenta para o para o público, antes do título surgir na tela.

Scream (2015) (2)

Sem noção da tragédia, a preocupação dos demais estudantes está na divulgação de um vídeo envolvendo o beijo lésbico entre Audrey Jensen (Bex Taylor-Klaus, da série The Killing), que está sempre com uma câmera de vídeo registrando tudo, e Rachel Murray (Sosie Bacon). Mesmo com a aparente tendência – não sei como os demais se surpreenderam com o que viram -, Audrey nega seu interesse por outra garota, mas está extremamente incomodada pela fama repentina. Ela é uma das melhores amigas de Emma Duvall (Willa Fitzgerald), que teria realizado a filmagem com Nina, a primeira vítima. Emma também não está satisfeita com o namorado Will Belmont (Connor Weil, de Sharnado), devido a uma traição – ele também teria se envolvido com Nina -, o que permite a aproximação de um amigo, Kieran Wilcox (Amadeus Serafini). Também estão entre as prováveis vítimas/assassinos a safada Brooke Maddox (Carlson Young), que anda tendo um caso com o professor de inglês, Seth Branson (Bobby Campo); o fã de slashers Noah Foster (John Karna), uma versão televisiva do papel de Jamie Kennedy na trilogia Pânico; e um provável interesse de Noah, a esperta Riley Marra (Brianne Tju).

Pânico (2015)

Todos estudam na mesma sala e aproveitam a aula do professor para discutir sobre horror gótico, com menção ao excelente O Castelo de Otranto, o primeiro exemplar do gênero, escrito por Horace Walpole, e relacionar com as séries de TV. Há referências a Hannibal, The Walking Dead, Bates Motel, American Horror Story, além das franquias Halloween e O Massacre da Serra Elétrica. O papo deve remeter o público a Pânico 2, no debate em sala sobre continuações de filmes de terror. No momento em que sabem da morte de Nina, eles tratam de relacionar o crime às ações de um assassino do passado, que, teria há 20 anos, sofrido de deformações na face (devido à doença Síndrome de Proteus) e se apaixonado por uma tal de Daisy. Rejeitado, Brandon James teria matado alguns jovens na época, até culminar num ato policial e a queda de seu corpo no lago, sem esquecer de presentear a amada como um caixinha em forma de coração.

Pânico (2015)

Para evitar problemas, Daisy mudou o nome para Margaret (Tracy Middendorf, a Julie de O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger, 1994), mas parece que alguém sabe disso, pois ela logo recebe uma caixa contendo o coração de um animal e uma mensagem ameaçadora – uma referência a Dia dos Namorados Macabro, 1981. O envolvimento da mãe da protagonista pode ter relação direta com as motivações do assassino, podendo ser até um filho bastardo de Brandon. Quem sabe Margareth não teria se relacionado efetivamente com Brandon, mas escondeu esse segredo para evitar problemas na cidade? São apenas teorias…

Pânico (2015)

Com apenas as duas mortes iniciais, e uma festa já no primeiro episódio, Scream ainda precisa ir além da metalinguagem e de personagens cômicos para cativar o público a acompanhá-la até seu desfecho. Se aumentar o ritmo, com mais sustos e mortes violentas, sem se arrastar em relações vazias e piadas adolescentes, pode ser até que a série traga alguma diversão. Caso contrário, será esquecida e tratada como um subproduto de uma franquia que trouxe evolução para os slashers. É só aguardar os próximos capítulos!

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

14 comentários em “Scream – Episódio 10 – Revelations (2015)

  • 12/08/2016 em 00:52
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    Acredito q há mais de 1 assassino , na 2 temp.
    O pai de Emma pode ser um deles. Motivo ele tem: a namorada dele o traiu o com o monstro dedeformado da cidade.
    Ferir Emma, é ferir a mar.
    Cenas suspeitas: perseguiçao a Emma, com o carro; porrada q ele deu em um carinha; gesto suspeito com a mao (a camera deu um close), qdo tomava cafe com a filha. O assassino de Jake faz um gesto igual.
    Ele tem a altura do assasino e as pernas se parecem…
    Ele pode ter descoberto q Emma é a filha de Brandon J.
    Sei lá, acho q ele é o principal.
    Ps: Audry nao suporta ele..

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  • 26/09/2015 em 15:55
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    Achei a temporada toda decepcionante, é claro que tem alguns bons(poucos) momentos que se salvam mas nada de especial, acho o elenco horrível, as mortes um saco e quase não sinto tensão ou suspense. Vou seguir a segunda temporada pq tenho quase 100% de certeza que será a última pq a qualidade dessa foi de regular pra péssima! Ps: não vejo nada de especial no diretor Ti West, acho os filmes deles um tédio ( e olha que eu sou fã de “Babadook” e ”Corrente Do Mal” que as pessoas reclamam do ritmo).

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  • 08/09/2015 em 18:47
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    O que eu achei ruim foi da série beber pouco da produção original. O que eu queria ver era um assassino debochado, que brincasse com a sua vítima antes de matá-la… Cadê o famoso “Qual é o seu filme de terror favorito?” … Ou “Você quer morrer esta noite, fulano?” …

    Assim como acontecia com Sidney, faltou o assassino correr mais atrás de Emma, mesmo que fosse só para assustá-la e levar um vasos na cabeça, como acontecia na franquia.

    O assassino nem era fã de filmes, uma pena.

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  • 07/09/2015 em 21:39
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    Quando se trata de mortes, eu achei bem fraca, ainda mais se for comparada a franquia original, teve algumas que se destacaram, mas teve outras que eu achei muito simples e rápido demais, a cena inicial dá série por exemplo, por mais que tenha durado oito minutos, eu achei que eles não a conduziram bem, as mensagens não eram nada assustadoras, foi uma enrolação para a Nina ser atacada e quando isso aconteceu, foi num piscar de olhos, não achei nada surpreendente, outra coisa que senti muita falta nesse episódio foi o que você comentou: as mortes, na franquia de filmes, as cenas finais eram onde eles passavam a faca em boa parte do elenco, aqui o que acontece é o contrário, a maioria sobreviveu, personagens como Jake, Kieran e até Seth por exemplo, considero dispensáveis, além da péssima atuação, o jake estava fazendo papel de figurante praticamente, mas parecia que a Mtv queria “reciclar” o elenco para a próxima temporada, estava esperando um banho de sangue e muitas mortes nesse último episódio, mas quando mataram, mataram um figurante rs. Enfim se você é fã da franquia de filmes, não espere muito da série, por que você sente falta de muitas coisas…

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  • 04/09/2015 em 20:17
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    Eu como fã da franquia, a série foi mediana, mas esse último episódio foi bem legal e para mim nada decepcionante. Ao contrário acho que a revelação de Audrey como uma “segunda” assassina, é bem interessante, quero ver como os roteiristas vão prender o público com a revelação do “assassino” já feita. E na verdade esse episódio deixa várias pontas legais para a próxima temporada… Piper é mesmo a filha de Brandon James? Quais as motivações de Audrey? Com certeza haverá um novo assassino… talvez veremos a morte de Audrey nos primeiros episódios… E espero mais desenvolvimento dos personagens como Kieran, que é um nada na série. Mais mortes, mais sangue, mais perseguições por favor MTV!

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    • Marcelo Milici
      04/09/2015 em 21:57
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      Não acho que a Audrey seja a segunda assassina. Piper precisava de ajuda para retirar provas da delegacia sobre os assassinatos da década de 90, com a desculpa que é para seu programa. Ela pediu para Audrey ajudá-la. Depois que a garota retirou o material e Piper iniciou a matança, Audrey ameaçou contar tudo à polícia. Para mantê-la no foco, sob ameaça, Piper matou Rachel e a incriminou pelos assassinatos, a partir do DNA que estava na máscara. Assim que atirou em Piper, ela se viu livre para eliminar as provas. Mas, acredito que ela não saiba quem é o ajudante de Piper.
      Se houver bom senso nas ações dos roteiristas, ela será a primeira a morrer na segunda temporada!

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      • 08/09/2015 em 18:43
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        Rapaz, não tinha pensado nisso. Bom, ponto Marcelo.

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      • 03/10/2015 em 20:37
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        eu já acho que a Audrey pode ser sim a segunda assassina. a nina e o tyler não significavam muita coisa pra personagem principal, e a audrey tinha motivos de sobra pra ter matado a nina. o dna na parte interna da máscara pode indicar que ela tenha matado o tyler. no final do primeiro episódio, aparece uma foto do brandon no espelho da audrey e não vamos esquecer de quando o will e a piper foram “atacados” depois do prefeito sair.

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  • 25/08/2015 em 06:04
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    Maggie explicou para Emma que engravidou de Brandon com 16 anos e os pais a levaram da cidade para que ninguém descobrisse. Ao voltar, então, ela voltou a se relacionar com o pai da Emma. Não tem como Emma lembrar/esquecer um irmão pois ela não era nascida. E, a nível de curiosidade masculina, não necessariamente quando se faz uma ultrassom se descobre o sexo do bebê.

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  • 17/08/2015 em 17:51
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    Estou achando essa série bem fraca, no caso venho fazendo o mesmo que “Mk” aqui dos comentários. Apenas sigo a série por ser inspirada em um dos meus slashers favoritos. Porém, por mais que seja um roteiro muito bom, acima da média inclusive, os atores e a direção são péssimas. Não tem como ter carisma de nenhuma das personagens e a Emma consegue ser a pior de todas, ao mesmo tempo em que carrega uma atuação nada convincente, apenas fazendo caras engessadas e gritos irritantes. A coitada não convence!

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  • 28/07/2015 em 14:52
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    Por enquanto eu não estou sendo um grande fã, pra falar a verdade eu estou seguindo a série mais pela marca ”SCREAM” propriamente dito do que pela história, caso fosse algo sem relação eu teria abandonado no episódio piloto.Os assassinatos não tem um pouco de tensão e os personagens com umas caras de bocós.Espero que melhore.

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  • 19/07/2015 em 19:12
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    Em termos de SERIADO…, e curti a idéia. Quero ver como vai se Concluir.

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  • 07/07/2015 em 09:15
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    Não é que eu não seja fã da franquia, mas odiei este primeiro episódio. Tirando uns dois ou três bons momentos (como a abertura e a discussão em aula sobre horror), o resto é dificílimo de engolir! Os personagens não são nada interessantes e fica difícil se importar com o destino deles.

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