Pânico 4 (2011)

Pânico 4 (2011)

Pânico 4
Original:Scream 4
Ano:2011•País:EUA
Direção:Wes Craven
Roteiro:Kevin Williamson
Produção:Wes Craven, Iya Labunka, Kevin Williamson
Elenco:Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette, Lucy Hale, Roger Jackson, Shenae Grimes, Dane Farwell, Anna Paquin, Kristen Bell, Aimee Teegarden, Britt Robertson, Alison Brie, Hayden Panettiere, Emma Roberts, Marielle Jaffe, Marley Shelton, Erik Knudsen, Justin Michael Brandt, Rory Culkin

Passaram-se quinze anos, desde que Casey (Drew Barrymore) atendeu aquele fatídico telefonema e acabou se tornando a primeira vítima de Ghostface! Daí por diante, o assassino mascarado voltaria para esfaquear mais jovens azarados até mesmo longe de sua terra-natal Woodsboro, tendo como algoz principal a sobrevivente Sidney Prescott (Neve Campbell), além de seus amigos Dewey (David Arquette) e Gale (Courtney Cox).

Na década de 90, não havia ainda a popularização dos celulares, os computadores possuíam telas verdes e a internet começava a engatinhar. Era fácil para Ghostface passar trotes, aterrorizar suas vítimas sem que elas soubessem como se proteger desse terrível vilão. Também foi o período em que o gênero terror estava em baixa, com continuações sem sentido e produções com efeitos risíveis, destacando-se apenas alguns poucos filmes fantásticos – o que justifica as perguntas envolvendo longas antigos, quando as pessoas se divertiam ao ver assassinos como Freddy Krueger, Michael Myers e Jason Voorhees na tela grande.

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Após a era-Pânico, vieram imitações risonhas da fórmula aprimorada por Kevin Williamson, fazendo com que o gênero voltasse os olhos vermelhos para o retorno dos mortos-vivos, os remakes sem sentido e os torture porns. Pode-se dizer que a década seguinte pertenceu à franquia Jogos Mortais, com JigSaw ensinando as pessoas a valorizar a vida através de provas sangrentas e um gravador de voz.

O terror passou a buscar inspiração no real. Câmeras em primeira pessoa davam o tom necessário para essa falsa realidade, enquanto as vísceras expostas e a violência explícita chegavam a enganar e assustar o público que as testemunhava incrédulo. Mais tarde, em busca do susto perfeito, os filmes passavam a uma terceira dimensão, com órgãos sendo atirados contra a plateia em ângulos cada vez mais impressionantes.

Durante esse período de mudanças tecnológicas e aprimoramento dos efeitos, ficava difícil imaginar como aquele assassino de Woodsboro seria capaz de voltar a fazer vítimas! Nem mesmo o elenco e direção imaginavam como, tanto que Neve Campbell reforçava as negativas de retornar à franquia e Wes Craven voltava ao estilo sobrenatural, embora ficasse evidente que ele estava preso àquela pequena cidade americana: tanto o horrendo Amaldiçoados, quanto A Sétima Alma repetiam o estilo de Kevin Williamson ao usar jovens, identidade secreta do vilão e tentativa de final surpresa. Voltando a ser coadjuvante, Campbell, aos poucos, mudava seu discurso, dizendo que voltaria SE Wes Craven estivesse novamente no comando e o roteiro fosse bom.

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Não teve jeito! JigSaw havia sido sepultado definitivamente – embora tenha durado até a missa de sétimo dia -, George Romero já não conseguia mais fazer seus zumbis adquirirem papel social e até o torture porn repetia os truques aprendidos e já não surpreendia nem mesmo as vítimas amordaçadas. Até mesmo o humor negro de Todo Mundo em Pânico já estava sem a mesma graça de outrora, já que a inspiração inicial estava em processo de hibernação. Assim, Ghostface achou que chegava a hora de voltar…precisava ensinar ao estilo como voltar a causar sustos e divertir, enquanto buscou aprender com os erros da década passada e adquiriu conhecimento para novas questões assustadoras!

Pânico 4 finalmente chegou aos cinemas pelo mundo no dia 15 de abril, num período complicado para os brasileiros, assustados com um massacre numa escola carioca e a violência crescente com palavras e expressões como bullying, homofobia, assaltos com vítimas…aparecendo constantemente nos noticiários locais. Mas, contrariando a opinião de Mickey, de Pânico 2, não há como dizer que os filmes de terror inspiram a violência; talvez tornem os assassinos mais criativos, como disse Billy.

É preciso pensar nos filmes de terror como uma válvula de escape de um mundo feio, agressivo e frio. Numa tela grande, a violência acaba quando os créditos sobem; você está seguro, basta levar sua pipoca e refrigerante até a lixeira na saída e comentar a produção que acabou de ver. Ela não destrói famílias, não cria traumas…

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Um exemplo disso está na personagem de Neve Campbell, Sidney Prescott! Era uma menina simples, romântica e estudiosa, quando começou a perceber que seus amigos estavam desaparecendo e alguém mascarado estaria atrás dela. Após sobreviver a três massacres, imagina-se que a mulher não fosse capaz de sair às ruas, andaria com seguranças como em Pânico 2 ou viveria escondida numa casa rural (Pânico 3). Pelo contrário, em Pânico 4, ela é uma consagrada autora de sucesso de um livro intitulado Saindo da Escuridão, relatando como conseguiu superar tanta violência presenciada.

Ela não apenas venceu os medos, como ousou voltar para Woodsboro para divulgar seu livro – e possui até uma assessora, a ambiciosa Rebecca Walters (Alison Brie), reencontrando os amigos Dewey e Gale – agora casados, mas mantendo as brigas de sempre – e, é claro, aquela máscara de borracha que esconde a identidade de alguém que gosta de esfaquear pessoas. A diferença está no fato de que agora ela não é a estrela principal, apenas uma testemunha, enquanto aguarda a possibilidade de encontrá-lo para talvez um acerto de contas.

Woodsboro agora é uma cidade conhecida nos Estados Unidos. Ainda pequena, com seus costumes e tradições, ela está na maior, com mais centros comerciais e jornalistas. Anualmente, realiza um festival de cinema onde são exibidos todos os filmes da franquia Stab, numa maratona que vira à noite e sempre atrai curiosos. Para tentar conter a agitação dos jovens, está o xerife Dewey – a voz forte da região -, que comanda a delegacia principal da cidade e a parceria Judy Hicks (Marley Shelton), que tenta seduzi-lo com doces e elogios. Também há uma dupla de policiais, Perkins (Anthony Anderson) e Hoss (Adam Brody), que promovem bons diálogos sobre o papel deles nos filmes de terror.

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Já a esposa de Dewey, Gale Weathers-Riley, que havia conseguido destaque com os livros a respeito dos massacres testemunhados e que serviram de inspiração para os filmes da franquia Stab, está tendo dificuldade para escrever uma nova obra, enquanto volta a exercer indiretamente a profissão de jornalista.

Com as mortes acontecendo na cidade, resta a Sidney tenta ajudar a prima Jill Roberts (Emma Roberts) a não se tornar uma nova vítima. Amiga da divertida Kirby Reed (Hayden Panettiere) e Olivia Morris (Marielle Jaffe), e ex-namorada do estranho Trevor Sheldon (Nico Tortorella), a garota tenta entender qual o motivo dos telefonemas assustadores, desde o retorno daquela que recebeu o apelido de “anjo da morte” ou “ceifadora“.

Se não há um Randy para ditar as regras dos filmes, remakes e continuações, a função foi dividida entre Robbie Mercer (Erik Knudsen) e Charlie Walker (Rory Culkin, irmão de Macaulay Culkin), dois amigos responsáveis por um programa na internet que realiza entrevistas ao vivo, com a participação dos jovens que frequentam o Clube de Cinema. Partem deles algumas boas referências ao gênero, principalmente num desafio envolvendo “quem sabe mais sobre filmes de terror“.

Ainda assim, o personagem principal da história continua sendo Ghostface. Não usa mais aquele aparelho chato que imita vozes, mas continua com seu tom agressivo e ameaças, sempre um passo à frente de suas vítimas. Não está mais tão atrapalhado como nos outros filmes, por isso sua eficiência é maior, o que traz mais assassinatos do que as outras investidas. Ele também está mais violento, mais sangrento e decisivo – um retorno bastante fundamentado pela época atual.

Repleto de cenas de momentos anti-clichês – principalmente na sequência final -, Pânico 4 não é uma paródia apenas do gênero slasher, mas um filme que brinca com as próprias fórmulas criadas dentro da franquia. Tudo aquilo que você está acostumado a ver na série é apresentado de forma oposta, conduzindo o espectador como quer, surpreendendo-o a cada nova cena.

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Surpreende tanto que até mesmo o trailer e muitas imagens divulgadas ao longo do projeto não condizem com o que é exibido nos cinemas. Há falas nos trailers, ignoradas no filme; há uma foto sangrenta numa cozinha que não acontece na edição final do longa. Provavelmente, trata-se de um chamariz para a versão uncut do DVD, com possibilidades de finais alternativos e cenas extras. O próprio diretor falou coisas sobre o futuro da franquia e acabou enganando o público – fato que não pode ser comentado para não estragar a surpresa do espectador.

Wes Craven acertou a mão desta vez! Pânico 4 é, sem dúvida, a melhor continuação da série. Intenso e dinâmico, divertido e ousado: uma experiência extremamente divertida! Possui suas falhas, é claro; principalmente em algumas sequências que podiam ter sido realizadas de forma melhor, como a que ocorre num estacionamento (Craven foi melhor em Amaldiçoados, podem acreditar!), embora o diretor tenha se sobressaído na cena do closet!

Para aqueles que são fãs da série, o filme cumpre o que promete! Já aqueles que acham tudo uma bobagem sem sentido, é capaz que se surpreenda positivamente e acabe soltando um leve sorriso numa frase dita no final, algo que todos já sabem, mas é sempre bom ouvir de um personagem numa produção do gênero! Uma verdade absoluta e incontestável!

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

19 comentários em “Pânico 4 (2011)

  • 11/11/2016 em 10:36
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    sou fã da série( pois foi isso que se tornou … pena) e vou adorar sempre mas falar que um filme de terror como Scream 4 cheio de comédia é o melhor dos 4 é pra matar, a bilheteria prova isso, foi baixa pq é fraco, só não é mais fraco que o 3°, mas não é sério, é enrolado e segue a linha da não inovação, o 2° ainda é o melhor seguido do 1°, o scream 1 tem nota 9.5 pra mim enquanto o scream 2 tem 9.8, os outros estão abaixo pra mim , mas recomendo todos ,claro!!!

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  • 05/10/2015 em 05:09
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    Eu realmente não me lembro dos três primeiros filmes, só sei que pânico 4 acaba de entrar para minha lista de filmes favoritos. Talvez não tenha sido bom nas bilheterias, mas foi. Nada que uma divulgação não resolva, afinal, pânico é igual as Branquelas. É épico.

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  • 13/11/2014 em 21:15
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    Esse filme é perfeito,parece que o 5 sairá em 2016 dando fim a serie que começou quando eu nasci

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  • 08/06/2014 em 17:31
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    Concordo muito com a crítica. Esse filme acabou sendo bem mais do que eu esperava. Acho que o problema da bilheteria foi só a pouca divulgação. A série já estava fora do cinema á uma década e o grande público já não lembrava mais de Ghostface.
    Se esse foi o último filme da franquia, fechou com chave de ouro. Eu, como fã da série, adorei o filme.

    Em notas, eu classificaria a série assim:
    1. Pânico – 10,0
    2. Pânico 4 – 9,0
    3. Pânico 2 – 8,5
    4. Pânico 3 – 3,0

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  • 23/04/2014 em 18:09
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    OBS:
    Os rapazes fazem uma observação importante: AGORA SÓ TEM REMAKE!!!!!!!!!
    E Sydney nos apresenta a Regra Nº 1 dos remakes: NÃO MEXA COM O ORIGINAL!!!!!!!!!!!!

    ISSO AÍ!!!!!!!!!!!!!!!

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  • 23/04/2014 em 18:07
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    Não sei por que foi um fracasso de bilheteria…
    “PÂNICO 4” é a volta digna do Assassino ao cinema! Tudo parece exatamente igual… os personagens não mudaram nada, ainda guardam as marcas da trilogia em seu passado; Sydney especialmente…
    Os novos personagens são alheios à tudo que está acontecendo de fato ao seu redor; muitos deles nem sabem quem realmente é Sydney, mas isso não importa.
    O divertido desse filme é que, em certos, ele é exatamente o que os personagens tanto falam: um Remake do primeiro. Pode ser até um ultraje dizer tal coisa, mas, de fato, você às vezes se sente dentro de um Remake bacana, que não ofende o original.
    Só não diria que Emma Roberts está à altura de Neve Campbell.
    Mas fora, isso, a fita resgata muito da formula slasher film do passado, ao encher a tela de sangue em cada morte, uma mais divertida que a outra, e quase esquece as Três Regras dos Slasher Films, mas não ligamos para isso. O que queremos é ver o Assassino usar sua faca em suas vitimas sem piedade nenhuma! E ele não nos decepciona!
    O final, então, quase não há palavras para descreve-lo porque é simplesmente genial, com a revelação surpresa da nova identidade do Assassino.
    Enfim, “PÂNICO 4” cumpre seu prometido. É uma sequencia digna, com sustos, momentos tensos e um pouco de diversão. Só acho que não havia necessidade de dizer o nome do Assassino, porque esse nome surgiu aqui fora, e pessoalmente, não gosto muito dele… Deveriam chama-lo de Assassino mesmo, pois esse é seu nome verdadeiro.
    Só faltou os outros dois Capítulos da Segunda Trilogia, mas parece que não vão acontecer… Uma pena…

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  • 03/04/2014 em 23:31
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    Adoro os 3 primeiros filmes,mais esse é totalmente desnecessário.Tipo,o único motivo de começar um novo massacre é o fato da guria querer se tornar uma celebridade?dãã ¬¬

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  • 25/03/2014 em 17:12
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    Espero que venha uma nova trilogia… pq olha, PÂNICO lembra minhas idas ao cinemas com amigos… ÉPOCA BOA.
    Muito bom…, e ás vezes, gosto de pegar os 4, e ficar na sala com amigos vendo filmes… uma ótima pedida!

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  • 23/03/2014 em 18:23
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    Gostei muito do quarto filme. O primeiro filme satirizava o gênero terror, o segundo as continuações de filmes de terror, a terceira as trilogias e este focou nos remakes. Uma pena que tenha sido tão injustiçado, percebi que o roteiro tenta desenvolver Judy Hicks, de maneira que deixa claro que ela seria importante caso fossem planejadas continuações. Sempre achei que Judy tem potencial para ser a verdadeira vilã de uma nova trilogia na franquia, estando inclusive, envolvida nos eventos de Pânico 4 (como a ineficácia da polícia).

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  • 23/03/2014 em 00:46
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    na minha humilte opiniao e uma pessima continuaçao. vo explica por que eu nao gostei em vez de colocar um assassino pika eu colocaram uma garota idiota pra ser o panico. ma confesso que foi pegor de supresa ao descobrir quem era o assassino. pronto essa e minha humilte opiniao.

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  • 22/03/2014 em 01:49
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    Concordo com a crítica acima. A melhor continuação da série. Claro que há falhas como o pai da protagonista nem ser mencionado no filme ou até mesmo a tia de Sidney que não era mencionada nos filmes anteriores e de repente aparece em Woodsboro. Relevando essa parte, o filme é de extrema eficiência. Principalmente em seu final. A revelação impressionou (todos no cinema soltaram juntos um “não acredito!”, bem inusitado, foi como um coro e depois todos rimos). Os motivos são extremamente convincentes e atuais, tanto que minha monografia do curso de Psicologia teve como base Pânico 4. Um dos melhores filmes de 2011.

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  • 21/03/2014 em 16:31
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    Nao gostei do final…muito sem sentido os motivos pelo qual um outro massacre começou..e muito forçado quem e o assassino

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  • 20/03/2014 em 00:08
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    concordo com a critica acima , a melhor continuação da série , pena que não foi bem nas bilheterias..

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