Pod (2015)

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Pod (2015) (1)

Pod
Original:Pod
Ano:2015•País:EUA
Direção:Mickey Keating
Roteiro:Mickey Keating
Produção:Sean Fowler, William Day Frank, Morgan White
Elenco:Larry Fessenden, Lauren Ashley Carter, Brian Morvant, Dean Cates, John Weselcouch

O Reverendo Graham Hess, interpretado por Mel Gibson, vai à casa de seu vizinho Ray (M. Night Shyamalan), atendendo a um pedido daquele que foi responsável pelo acidente que vitimou sua esposa e o fez perder a fé. Ferido, tanto externa quanto internamente, antes de fugir do local, o rapaz diz que prendeu um dos alienígenas em sua despensa, levando Graham a um possível contato com uma criatura desconhecida, num dos momentos mais tensos do longa Sinais, de Shyamalan. Essa cena remete ao principal argumento do horror psicológico Pod, de Mickey Keating (de Ritual, 2013), um filme de baixo orçamento centrado nos diálogos e na expectativa do público, optando pelo caminho mais fácil e, consequentemente, mais óbvio.

No enredo, os irmãos Ed (Dean Cates) e Lyla (Lauren Ashley Carter, de The Woman – Nem Todo Monstro Vive na Selva, 2011) vão ao encontro do mais velho, o veterano de guerra Martin (Brian Morvant), que habita uma cabana cercada por uma mata gelada. O motivo da visita se deve a uma mensagem incoerente do próprio Martin, como um espécie de pedido de socorro, fazendo-os questionar se aquele seria o momento de levá-lo a uma clínica de reabilitação. Insano e imprevisível, com a cabeça semi-raspada, ele diz ter sido parte de uma experiência do governo, que teria colocado um implante de observação em seu dente. Contribuindo para essa paranoia, ele acredita que há uma conspiração para o desenvolvimento de criaturas e que ele possui em seu porão uma delas aprisionada. É claro que os irmão não acreditam nessa possibilidade – muito por conta das atitudes descontroladas de Martin -, embora o espectador já tenha uma resposta, principalmente devido à cena inicial. E a resposta virá oficialmente quando a porta for finalmente aberta, dando um tom mais agressivo ao conteúdo psicológico apresentado.

Pod (2015) (2)

Um conceito simples e que talvez funcionasse melhor como um curta. Como não há muito o que contar, já que há basicamente três personagens em cena, muitos conflitos familiares e praticamente um único cenário, o filme não se desenvolve corretamente, apelando para conversas fúteis em 3/4 de sua curta projeção para finalmente chegar ao local aguardado. Quando as duas portas se abrem, reforçadas com tábuas e trincos, as personagens são descartadas facilmente, tendo o apoio de um terceiro e inusitado convidado (o experiente Larry Fessenden, de Colapso no Ártico, e Stake Land). Também é possível perceber atuações caricatas, com ênfase na loucura de Martin.

Com muito diálogo e poucas explicações, Pod acerta a mão somente na sequência final, quando o espectador já perdeu todo o interesse no que está acompanhando. Uma pena, pois a premissa “monstro no porão” sempre rende boas ideias.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

3 thoughts on “Pod (2015)

  • 18/10/2016 em 21:37
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    Eu discordo. Achei que o final deu uma descambadinha. Até então o suspense estava indo bem, os diálogos malucos estavam me deixando atento e principalmente curioso pra ver o que estava no porão. Entendo que os diálogos se mostraram um pouco importantes, pois foram colocando assuntos para se pensar e, ao mesmo tempo, mostrando um pouco de cada personagem, tentando dar um pouco mais de camada a eles. Poderia ter sido melhor? Claro que poderia. Mesmo assim não achei que foi esse desastre todo. Talvez por que não estava esperando nada muito diferente daquilo.

    Sobre a criatura e minha curiosidade: Era óbvio que havia algo lá, só não sabia exatamente o que encontraria. Agora, o momento em que a criatura é mostrada quebrou a tensão construida pois, além do bicho ser mais do mesmo, não mete medo em ninguém, sinceramente. Cadê a criatividade dos designers? Outra coisa que me deixou irritado foi a história ter-se estendido alguns minutos a mais do que deveria. Se tivesse acabado no momento em que o personagem de Larry Fessenden olha para trás, com cara de apavorado, após ter visto algo, ao que parece, ainda pior, teria terminado bem, mas não, a necessidade de mostrar mais falou mais alto e aquele momento que vem depois seguido pelo o que deveria ter sido um susto foi broxante. Mesmo assim ainda achei um bom filme. Nada mais que isso.

    Sobre o “casulo”… Não sei o que pensar. Teorias seriam bem-vindas.

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  • 04/07/2016 em 23:37
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    Muito boas as tuas análises e críticas! Parabéns pelo site!

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