Scream Bloody Murder (1973)

Scream Bloody Murder (1973) (5)

Scream Bloody Murder
Original:Scream Bloody Murder
Ano:1973•País:EUA
Direção:Marc B. Ray
Roteiro:Marc B. Ray, Larry Alexander
Produção:Marc B. Ray
Elenco:Fred Holbert, Leigh Mitchell, Robert Knox, Ron Bastone, Suzette Hamilton, Willey Reynolds, A. Maana Tanelah, Florence Lea, Cecil Reddick, Gloria Earl, Angus Scrimm

Quando as sessões duplas e os drive-ins estavam no auge nos Estados Unidos, uma característica seria tão importante que era uma questão de vida ou morte para as pequenas produtoras que faziam estes filmes: o Marketing. Em tempos onde não havia redes sociais e sem o apoio de grandes distribuidoras para colocar comerciais na televisão, tudo o que estas companhias tinham era a força do sensacionalismo para tentar atrair seu público.

Muitos foram considerados pináculos da propaganda picareta e fizeram sua fama nesta época (diversos serão comentados nesta série), mas creio que Scream Bloody Murder é um excelente exemplo para se tratar, já que usou todas as regras do sagrado livro do exploitation para vender seu peixe.

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Primeiro, o título. Quem não ficaria curioso para ver um filme intitulado com as palavras Scream (gritos), Bloody (sangrento) e Murder (assassinato)? Sem qualquer sutileza, com um nome tão vago como poderia ter e mesmo que as três palavras juntas não façam muito sentido (grite assassinato sangrento? assassinato gritado sangrento? grito sangrento do assassinato?), não se pode negar que é uma conexão extremamente chamativa…

E, em segundo, o pôster original é uma obra de arte e merece uma dissecação própria. No topo, em letras garrafais, diz que “é o primeiro filme a ser chamado de Gore-nografia” com três pontos de exclamação para efeitos de ênfase. A parte da esperta junção das palavras “Gore” e “pornografia“, NINGUÉM além dos próprios produtores chamaram Scream Bloody Murder de Gore-nografia.

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Abaixo, fotos de personagens aparecem sendo mortas devidamente cobertas com tarjetas de censura (entregando spoilers, por sinal), acompanhadas por um clássico aviso de “não recomendado para pessoas com estômago fraco“. Também declara que foi filmado em “Violent Vision” e “Gory Color“, só que o troféu fica para a obrigatoriedade do espectador portar uma venda para cobrir os olhos na entrada do cinema a fim de se proteger das imagens potentes – convenientemente fornecidas de graça com a compra do bilhete. São esquemas como estes que fazem falta nos tediosos multiplexes contemporâneos. Mas enfim, será que Scream Bloody Murder tem entrega tantos gritos, assassinatos e sangue como promete? Veremos.

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O filme começa com um garoto chamado Matthew e seu pai trabalhando no campo. Quando o trator dá defeito, o pai vai consertar o veículo e Matthew sobe ao volante, engatando a marcha à frente e atropela o pai, aparentemente de propósito. Sem conseguir parar, o menino pula da máquina, porém seu braço também é esmagado pelo trator.

Quando terminarem de se perguntar como alguém pula para o lado, com um veículo andando para frente e ainda consegue ter um membro superior preso na parte de baixo, os créditos iniciais terão passado e você verá que Matthew, agora um jovem adulto e interpretado por Fred Holbert (lembrando Jean Claude Van Damme/Mark Hamill desnutridos e em início de carreira), está voltando para a casa após passar vários anos internado em uma instituição psiquiátrica, agora com um gancho no lugar da mão amputada.

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Tal é a surpresa do rapaz quando vê que sua querida mãe casou-se novamente. E no exato primeiro dia de sua “reabilitação“! E no exato mesmo dia da festa de casamento da mãe, Matthew fica furioso e mata o padrasto a machadadas e a mãe com a cabeça esmagada… Alguém me dê o telefone do médico deste lugar para eu não ligar nem por engano!

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A partir daí Matthew se torna um caroneiro e acompanhamos seu sofrimento enquanto ele tenta livrar o mundo dos homens e mulheres que gostam de apalpar uns aos outros… Já que, na sua cabecinha perturbada, todas lembram sua mãe. Até que ele conhece Vera (Leigh Mitchell, que depois fez uma ponta em O Incrível Homem Que Derreteu e depois sumiu), uma prostituta de uma região portuária com aspirações artísticas, pela qual cria uma forte afeição. Será que desta vez Matthew conseguirá controlar seus impulsos ou seus demônios internos o farão matar novamente?

Colocando ao pé da letra, Scream Bloody Murder é um típico filme de Psycho Killer, subgênero abundante nos anos 70, com o roteiro funcionando como uma versão hardcore de O Colecionador (1965) entremeado com Psicose (1960). E neste aspecto é surpreendentemente bem eficaz para uma obra paupérrima! Tem mesmo gritos, homicídios e sangue, só que não no mesmo volume que o propagandeado pelos produtores.

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Os assassinatos são pouco explícitos para os padrões atuais, mas foram bem filmados e continuam tendo seu valor, especialmente se tratando de vitimas com as quais se pode obter alguma correspondência. O destaque certamente vai para o ato derradeiro com uma série de imagens distorcidas e um desfecho pessimista pouco convencional (para não dizer bizarro) que completa o circulo com competência.

Isto não quer dizer que Scream Bloody Murder seja excelente. Os diálogos são pífios, desproporcionalmente raivosos e abusam da redundância, lembrando uma novela mexicana, as situações entre Matthew e Vera chegam a beira do ridículo, o antagonista é pouco ameaçador e chega a irritar com sua infantilidade, mesmo considerando seu transtorno mental. Não ajuda considerar que alguns personagens são excessivamente inocentes (ou estúpidos, como queira) para cair na lábia do assassino e serem mortos logo em seguida.

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Se os assassinatos, gritos e sangue não são tão impactantes, muito se deve pelo fato de que a película envelheceu mal. Apesar de tudo é ainda bem assistível, o que é um feito que não se pode ignorar. Se não te dei motivos suficientes para dar uma chance, considere que Scream Bloody Murder hoje está em domínio público e pode ser apreciado pela infinidade da Internet sem qualquer receio. Ah, e um doce para quem conseguir reconhecer o eterno Tall Man, Angus Scrimm, em uma de suas primeiras participações no cinema.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados. Co-autor do livro Medo de Palhaço, produz as Horreviews e Fevericídios no Canal do Inferno!

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