O Último Capítulo (2016)

[Filme poster=”http://bocadoinferno.com.br/wp-content/uploads/2016/12/O-Último-Capítulo-2016-5.jpg” nacional=”O Último Capítulo” ano=”2016″ original=”I Am The Pretty Thing That Lives In The House ” pais=”EUA” diretor=”Oz Perkins” roteiro=”Rob Paris e Robert Menzies” produtora=”Oz Perkins” elenco=”Ruth Wilson, Paula Prentiss, Lucy Boynton, Bob Balaban, Brad Milne, Erin Boyes “]

[Avaliação nota=”3-5”]

Com produções cada vez mais populares, a Netflix lançou em outubro de 2016 o seu próprio longa de terror. Com o péssimo titulo em português de O Último Capítulo (o original I Am The Pretty Thing That Lives In The House pode ser traduzido como Eu Sou a Coisa Bonita que Vive Nesta Casa), trata-se de uma produção que merece ser conferida embora não seja para todos os públicos.

O filme acompanha a vida de uma autora de livros de horror chamada Iris Blum (Paula Prentiss), que sofre de demência em função da avançada idade e mora em uma casa isolada construída no século 19. A jovem enfermeira Lily Saylor (Ruth Wilson) é contratada para morar na casa e cuidar da senhora Blum. Na sua primeira fala, Lily explica calmamente que uma casa na qual aconteceu uma morte trágica jamais pode ser vendida ou comprada. A propriedade pode ser apenas emprestada pelos seus fantasmas.

Feita esta explicação, reconhecemos que estamos diante de um filme de casa assombrada e Lily logo vai testemunhar alguns estranhos eventos no lugar. No entanto, semelhante a um romance, a narrativa é lenta e até os eventos sobrenaturais são sutis. No entanto, um dos pontos mais assustadores acontece sempre que a senhora Blum insiste em chamar Lily de Polly. Vamos descobrir que Polly é o nome de uma personagem do livro The Lady in the Walls. Trata-se do mais famoso romance publicado pela senhora Blum.

A partir do momento em que começa a ler o livro, Lily começa a tentar juntar as peças de um quebra cabeça que parece existir não apenas na cabeça da autora, mas na própria casa na qual ela está morando. Pela idosa sofrer de demência, o diálogo entre as duas é praticamente inexistente. Cada vez mais envolvida na narrativa criada pela autora e pelos estranhos acontecimentos ao seu redor, Lily passa a ter cada vez mais certeza de que não é a única na casa a cuidar da senhora Blum.

Uma das curiosidades referente a este produto Netflix é que a direção foi assinada por Oz Perkins. Não reconhece o nome? Trata-se do filho do ator Anthony Perkins, o eterno Norman Bates de Psicose (1960) e suas três sequências. Apesar deste ser o segundo filme como diretor, Oz já atuou em filmes e séries para TV. Curiosamente o seu primeiro papel no cinema foi como Norman Bates criança em uma rápida cena de flashback em Psicose 2, de 1982.

Oz também é o roteirista de O Último Capítulo e é interessante acompanhar este trabalho, que opta por não trazer uma história na qual fantasmas ou coisas estranhas acontecem a cada cinco minutos. A intenção do diretor é trabalhar com o mistério envolvendo aquela casa e a autora caduca que insiste em querer conversar com alguém que fisicamente não está lá.

O elenco traz um bom trabalho com destaque para Prentiss como a autora. Curiosamente Prentiss sempre foi amiga de Anthony Perkins sendo assim, de acordo com Oz, a única escolha possível para o papel.

E se a trama segue sem pressa, o final é igualmente sutil, o que provavelmente vai desagradar ainda mais quem não gostou do desenvolvimento lento da história. Para este público, O Último Capítulo não é uma boa opção. Mas se você gosta de um bom livro de mistério e de acontecimentos que não podem ser explicados de forma lógica, este trabalho do filho de Norman Bates pode surpreender você.

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

9 comentários em “O Último Capítulo (2016)

  • 28/10/2019 em 14:46
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    Não é ruim, também não é espetacular, mas gostei. Não é um filme longo, mas as sequências são demoradas por vezes. O desenvolvimento é lento e não há surpresas, nem reviravoltas na estória. Na verdade, tudo já está ali desde o início do filme. Muitas coisas ficam em aberto, mas também não chega a ser um problema, pois não interferem na apreciação da trama.
    De fato não é um filme para todos, principalmente se estiver esperando sustos e uma trama toda explicadinha.

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  • 29/06/2019 em 19:44
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    Eu amei o filme. Sensacional e com um desenvolvimento singular. Historia interessante, bem feita e personagens que fazem parte da atmosfera lenta do filme. Adoro filmes nesse estilo.

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  • 26/10/2018 em 20:20
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    Adorei o filme, fiquei que nem louca criando teoria.

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  • 16/05/2018 em 18:32
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    O filme é pra poucos que gosta de bosta

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  • 26/07/2017 em 16:44
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    Eu adorei o filme, mas n tenho certeza se entendi…

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  • 11/07/2017 em 22:57
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    Esse filme é difícil mesmo… tem um ritmo mais lento até do que algumas produções mais sofisticadas que apareceram (ainda bem) nos último tempos nas telas de cinema e nos serviços de streaming. Eu pessoalmente, gostei muito. Acho que a maioria ou não entendeu ou não teve paciência para apreciar. E o título original é de uma beleza ímpar.

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  • 20/05/2017 em 16:54
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    Adorei o filme. Adorei sua resenha. Você entendeu perfeitamente a mensagem. Com certeza é um filme para poucos. Parabéns à equipe do filme e do site.

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