A Pele Fria (2017)

3.5
(4)

A Pele Fria
Original:La piel fría
Ano:2017•País:Espanha, França
Direção:Xavier Gens
Roteiro:Jesús Olmo, Eron Sheean
Produção:Mark Albela, Denise O'Dell
Elenco:Ray Stevenson, David Oakes, Aura Garrido, Winslow M. Iwaki, John Benfield, Iván González

No mesmo ano em que Guillermo Del Toro apresentava ao mundo sua criatura aquática dançarina, o francês Xavier Gens (de (A) Fronteira e O Abrigo) trazia uma versão mais agressiva de A Ilha dos Homens Peixe. Ambos os filmes envolvem monstros marinhos e a relação afetiva com humanos, sendo que o segundo abraça mais o lado claustrofóbico e deixa de lado o drama poético. Cold Skin, também intitulado La piel fría, foi desenvolvido a partir do argumento de Jesús Olmo (Extermínio 2) e Eron Sheean, inspirado num romance de Albert Sánchez Piñol.

Ambientado em 1914, nos passos iniciais da Primeira Guerra Mundial, com o anúncio do assassinato de Franz Ferdinand, o enredo apresenta o protagonista, interpretado por David Oakes, numa embarcação em direção a uma ilha. “Está fugindo de alguém?“, pergunta o capitão Axel (John Benfield) não entendendo porque alguém iria querer trabalhar durante doze meses isolado numa ilha, com o propósito de medir a força do vento. Ao chegar ao local e conhecer sua habitação simples, ele e os demais tripulantes não encontram o funcionário anterior e são avisados pelo responsável pelo farol, o extravagante Gruner (Ray Stevenson), que ele falecera de tifo.

Chamado de Friend por Gruner, o rapaz não consegue se estabelecer nem uma semana na cabana, sendo atacado durante a noite por estranhas criaturas com ventosas, numa cena que faz referência ao clássico A Noite dos Mortos-Vivos (1968). Logo, ele descobre que a ilha é habitada pelos homens-peixe, que só atacam durante a noite com um exército ágil e voraz. Sua função, então, passa a ser outra, depois que a cabana se incendeia: tentar sobreviver às investidas, enquanto busca meios de fugir dali, sabendo que seu parceiro no farol não facilitará as coisas.

Além dos aspectos que lembram produções de zumbis maratonistas, com efeitos digitais bem realizados no orçamento de 8.500 euros, Cold Skin também tem sua condução dramática: Gruner possui em sua morada uma criatura ajudante, chamada de Aneris (Aura Garrido), com quem mantém uma relação carnal e cria um laço familiar. É ela que permite que Friend comece a enxergar os monstros por um outro lado, num elo simbólico entre colonizador e colonizado, fazendo o protagonista se perguntar sobre quem seriam os invasores, os verdadeiros inimigos.

Flertando com o clássico Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, Cold Skin é uma interessante aventura com elementos de sci-fi e terror, além de uma eficaz narrativa. Não rivaliza com o filme Del Toro pelas propostas diferentes, porém possui um ritmo mais agradável aos fãs de uma história de horror claustrofóbica e bem contextualizada!

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

4 thoughts on “A Pele Fria (2017)

  • 05/07/2021 em 16:58
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    Simplesmente ruim.

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  • 20/05/2020 em 18:38
    Permalink

    Assisti na Amazon Prime em maio/2020. O filme é bom, mas a dublagem em português deixa MUITO a desejar. Apenas 02 exemplos:
    Logo no início, quando o navio chega à ilha, alguém grita: “Levantar âncoras”! Não seria o contrário?
    Em outro momento, durante uma narrativa do protagonista, o dublador em português não consegue pronunciar “espécime”. Provavelmente é uma palavra que ele nunca viu na vida.

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  • 21/04/2018 em 18:53
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    Não sei por que mas me lembrou Dagon de 2001.

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  • 31/03/2018 em 12:02
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    Gostei muito desse filme. Me lembrou muito o universo do Lovecraft, e isso foi o que mais me chamou atenção, claro, além das referências citadas no texto.
    Gostei bastante e recomendo!

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