A Cor que Caiu do Espaço (2019)

A Cor que Caiu do Espaço
Original:Color Out of Space
Ano:2019•País:Malásia, Portugal, EUA
Direção:Richard Stanley
Roteiro:Scarlett Amaris, Richard Stanley, H.P. Lovecraft
Produção:Daniel Noah, Josh C. Waller, Lisa Whalen, Elijah Wood
Elenco:Nicolas Cage, Joely Richardson, Madeleine Arthur, Elliot Knight, Tommy Chong, Brendan Meyer, Julian Hilliard, Josh C. Waller

Famoso conto do icônico escritor H.P. Lovecraft chega ao universo cinematográfico, nas mãos do cultuado diretor Richard Stanley, responsável pelo excelente Hardware, de 1990. O conto, já recebeu outras versões, como Die Farbe de 2010, e também, em um dos filmes mais exibidos nas sessões diurnas do saudoso Cine Trash, A Maldição – Raízes do Terror. Adaptar Lovecraft nunca foi uma tarefa fácil, devido à riqueza de detalhes em suas obras, consideradas de difícil concepção visual. Alguns diretores como Stuart Gordon, partiram do princípio de utilizar a principal ideia de determinada obra, ou em seu universo, e criar uma narrativa dentro daquele contexto.

Logo quando foi noticiado, criou-se uma grande expectativa, até mesmo pela presença do amado/odiado Nicolas Cage como protagonista – e o filme não decepciona. A adaptação é trazida para os tempos atuais, há liberdade criativa de Stanley na criação dos personagens e na inserção de elementos místicos. No conto, um meteoro cai em uma fazenda, com uma coloração que não pode ser descrita por quem o vê. A cor, afeta tudo ao redor, causando impacto na fauna e flora, e afetando também a sanidade da família residente.

Mesmo com as liberdades criativas, Stanley consegue pegar a essência do texto original para realizar um belo trabalho visual na construção do cenário, aliado aos efeitos especiais e fotografia, criando uma densa atmosfera psicodélica, um belo reflexo do horror cósmico, rótulo dado a narrativa de Lovecraft. Stanley consegue deixar o espectador desconfortável dentro desse contexto visual, onde o horror trazido pela cor se revela para a isolada família, em algumas cenas perturbadoras. Há referências do universo de Lovecraft, como o Necronomicon, utilizado por Lavinia (Madeleine Arthur), e também ao personagem Phillips Ward, em homenagem ao próprio Howard Phillips Lovecraft – curioso pelo fato de Stanley escalar um ator negro para o papel, já que racismo do autor era frequentemente observado em suas obras.

No elenco, Nicolas Cage está à vontade, como o tradicional pai de família Nathan Gardner, com semblante tranquilo de homem do campo. Sua sanidade se perde gradativamente, e quando isso acontece, Cage entrega uma excelente atuação. Do elenco familiar, a grata surpresa vai para o caçula Jack, interpretado por Julian Hilliard, que já havia se destacado na série A Maldição da Residência Hill como o jovem Luke. Há uma participação especial de Tommy Chong, da saudosa dupla Cheech e Chong, como o místico caseiro.

Já foi anunciado pelos produtores Elijah Wood e Daniel Noah, segundo o site ComingSoon, que A Cor que Caiu do Espaço é o primeiro de uma trilogia, e que já estão trabalhando no roteiro de o Horror de Dunwich. Lovecraft é uma grande influência tanto para a literatura quanto para o cinema, e é louvável ver uma adaptação que consiga trazer as mesmas sensações e sentimentos causados em seus contos. Bem vindo de volta Richard Stanley!

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Ivo Costa

Ivo Costa

Estudante de Cinema, fez parte do Juri Popular do Cinefantasy em 2011. Além de crítico do Boca do Inferno, atua como diretor e roteirista de curtas-metragens.

5 comentários em “A Cor que Caiu do Espaço (2019)

  • 08/08/2020 em 00:55
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    O filme consegue trazer, principalmente através do uso da iluminação e cenários, parte da essência do conto de H.P. Lovecraft. Em particular a influência das cores causando a degradação no cenário ao redor e a degeneração fisica e mental dos personagens.

    A parte negativa fica pro aspecto do roteiro voltado a interação entre os personagens e a narrativa interna entre eles. O filme não se aprofunda nos aspectos psicológicos de nenhuma das pessoas, nem suas histórias e mal toca em como se dá o relacionamento entre elas, tornando difícil de criar grande empatia por qualquer um deles.

    Talvez essa seja a principal falha, enquanto o aspecto visual do impacto das cores é excelente, só vemos mas não sentimos o mesmo no concernete a saúde mental dos personagens retratados.

    Achei boa a atuação da atriz Madeleine Arthur, que faz a filha Lavigne, enquanto a atuação pastiche do Nicolas Cage é a mesmice que se espera dele, tão ruim quanto na malfadada cena “No, not the bees”.

    Nota 6,5/7 em 10

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  • 14/05/2020 em 16:43
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    Não é prazeroso ver um filme de horror que põe a instituição mãe e filho em uma situação tão degradante! Ao invés disso dá uma profunda tristeza, e isso não tem absolutamente nada de prazeroso ou satisfatório. Meu questionamento sai do contexto da história e vem para o fato de que as pessoas precisam massacrar princípios tão consagrados e ainda no final obter lucro financeiro com isso!

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    • 19/05/2020 em 15:46
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      Meu filho, isso é baseado nos contas de Lovecraft, provavelmente vc não sabe quem é. Sugiro que sempre que ver um filme que foi inspirado nos contos dele, não assista. Se for pra ficar nessa ladainha aí.

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    • 23/05/2020 em 13:24
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      O “cidadão de bem” ficou puto? Ótimo sinal! Vou assistir.

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