A Bruxa Margaret (2020)

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A Bruxa Margaret
Original:Dull Margaret
Ano:2020•País:EUA
Páginas:144• Autor:Jim Broadbent, Dix•Editora: DarkSide Books

Pieter Bruegel, também conhecido como “O Velho”, foi um dos artistas mais conhecidos e importantes da pintura renascentista flamenga. Apesar de ser pioneiro em retratar paisagens como elemento central, uma das características de suas obras é a retratação do cotidiano utilizando traços grotescos, expondo a loucura e fraqueza humanas, sendo Bosch uma grande influência em suas pinturas.  Um grande exemplo disso é o quadro Dulle Griet, ou Mad Meg, pintado em 1563.

A obra retrata uma mulher vestida para batalha, liderando um exército de mulheres para atacar o inferno enquanto passa por diversos monstros boschianos, e refere-se ao proverbio flamengo: “Ela poderia atacar o inferno e voltar ilesa”, que diz respeito a mulheres consideradas “megeras” e com “temperamento forte”, aqui representadas por Griet/Meg.

A graphic novel A Bruxa Margaret usou Dulle Griet como inspiração. Após voltar do inferno, Margaret é uma mulher solitária e marginalizada. Mal vista por seus modos grosseiros, vende enguias na cidade para sobreviver, e acaba sendo roubada por pessoas que não tem o mínimo respeito por ela.

Indignada e revoltada, Margaret volta para sua casa, isolada, e decide fazer um feitiço. Ela alega não precisar de ninguém, sempre viveu sozinha, a sociedade a despreza e o sentimento é mútuo, porém, ela é solitária. Em seu feitiço pede duas coisas: Ouro e riquezas, e uma companhia para passar o resto de seus dias.

Toda magia tem um preço, e ela só poderá escolher uma das coisas após conseguir ambas. Caso decida pelas duas, perderá tudo. Seu feitiço é aceito, ela consegue seu ouro, e também sua companhia: o ladrão que roubou suas poucas posses na cidade.

A história, apesar de possuir poucas falas, tem muito impacto. Vemos uma mulher excluída apenas por não seguir os “padrões aceitáveis de uma mulher respeitável na sociedade”, triste com sua solidão, mas também forte e perseverante, que não vai mudar seu jeito para se encaixar e, por isso, retratada como bruxa.  Suas ações e toda a narrativa são abertas a diversas interpretações. Tudo pode ser apenas uma fantasia da mente de alguém socialmente excluída, assim como o feitiço pode ser uma metáfora, ou sim, ela é uma bruxa, no sentido sobrenatural da palavra.

Para entender a magnitude do enredo, é preciso conhecer a história por trás do quadro que o inspirou, caso contrário, pode ser uma leitura um tanto confusa em um primeiro momento.  Assim como sua ida ao inferno na obra de Bruegel, sua volta pode ser interpretada tanto de forma literal quanto de forma figurativa.

As cores e traços utilizadas por Dix refletem a melancolia e solidão de Margaret, e também sua força e resiliência quando não se dá por satisfeita, como por exemplo as cores avermelhadas no momento do feitiço, em contraste com as cores acinzentadas e pálidas em outros momentos.

O final nos faz questionar até onde estamos dispostos a ir para conseguir o que queremos, e o quanto estamos dispostos a sacrificar.

A Bruxa Margaret é a primeira graphic novel escrita por Jim Broadbent, ator e vencedor do Oscar por sua atuação em Iris, além de acumular diversos outros prêmios ao longo de sua carreira. Suas aparições mais recentes no mundo televisivo foram em Game of Thrones e King Lear.

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Louise Minski

Um experimento de Schrödinger entediado.

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