The Requin (2022)

3.8
(4)

The Requin
Original:The Requin
Ano:2022•País:EUA
Direção:Le-Van Kiet
Roteiro:Le-Van Kiet
Produção:Cameron Burns, Jordan Dykstra, Aaron B. Koontz, Todd Lundbohm, Ellen S. Wander
Elenco:Alicia Silverstone, James Tupper, Deirdre O'Connell, Danny Chung, Jennifer Mudge, Kha Mai, Kameron Hood

Nada melhor que aquele final de semana na praia. Sol, família reunida e a imensidão do mar para mergulhar e se refrescar. Entretanto, no fundo do mar um grande perigo está à espreita e ele chega aos poucos, mostrando de imediato apenas a sua barbatana, escondendo sob as águas sua boca imensa e cheia de dentes afiados, pronto para rasgar a pele de quem ousar ficar no seu território. Eis que em 1975 se cria uma das cenas mais icônicas do cinema com Tubarão, do mestre Steven Spielberg, filme com pouco recurso mas com muita qualidade, que conseguiu assustar salas lotadas de cinema, trazendo para realidade o que antes estava apenas no imaginário dos leitores de Peter Benchley (criador do livro homônimo e de diversos outros).

Os anos que se sucederam a esse sucesso de bilheteria trouxeram consigo um novo conceito de terror, agora com monstros marinhos cada vez maiores e mais ousados. Alguns que valem a pena a lembrança nostálgica, como Tentáculos (1977), Medo Profundo (1999), e Águas Rasas (2016), outros por sua vez completamente esquecíveis como Tubarão de Malibu (2009), Piranha Shark (2014) e Megatubarão (2018), que acabam não servindo nem pra auto paródia como é o caso da franquia galhofa Sharknado.

O que fica muito claro com todos esses filmes que aparecem ano a ano é que o mar continuará sendo revisitado e o terror dos banhistas será cada vez mais criativo. Dado esse prólogo, digo a vocês que 2022 não passou incólume, tendo também seu próprio exemplar de terror marítimo.

Le-Van Kiet, nome até então por mim desconhecido, dirige The Requin, que tem mais uma vez um tubarão aterrorizando protagonistas inocentes que acabam ficando à deriva no mar, após eventos atípicos.

Jaelyn (Alicia Silverston) e Kyle (James Tupper) formam um casal em crise que, após eventos traumáticos e misteriosos, decidem ir a uma ilha paradisíaca para tentar se reconectar. Cenários belíssimos com águas cristalinas e clima perfeito fazem parte do conceito do hotel, que é o de pequenas cabanas suspensas ao mar, no estilo das casas em palafitas no Brasil, só que gourmetizadas. A perfeição acaba quando, numa madrugada, uma tempestade de verão se aproxima da ilha e com a força dos ventos a cabana, assim como a casa de Dorothy em Mágico de Oz, é arrastada pelos ventos, mas não se preocupe, afinal ela irá quase inteira ao mar, assim como um barco improvisado (pensa numa cabana resistente).

Nosso casal em crise fica então à deriva no mar, sem água potável e nem comida, tendo longas discussões sobre a relação e as mágoas, até a chegada do nosso amigo tubarão que resolve acabar com o Casos de Família sem Cristina Rocha.

Quando vi o trailer desse filme e reconheci atores de grande peso como Alicia Silverstone (famosa por comédias românticas como As Patricinhas de Beverly Hills e Paixão sem limites) e James Tupper (eterno David Clarke em Revenge), imaginei que iria ver um filme no estilo de Águas Rasas, sem muita criatividade, mas ao menos com um bom roteiro e com cenas de tensão bem calculadas. Entretanto nesse filme os diálogos se alongam cada vez mais e me flagrei olhando pro mar na expectativa do tubarão chegar logo (e ele demora a aparecer).

Na cena da tempestade, que era pra ser um dos pontos altos do filme, temos efeitos especiais bem sem vergonha, que acabaram me causando tédio e não medo pelos personagens. Falando neles, a atuação está boa dentro do que se propõe o roteiro, mas ele tenta nos vender duas vítimas de maneira tão forçada que acabei criando uma antipatia pelo casal, que durou até os minutos finais do filme.

Já no mar, os protagonistas ficam discutindo sobre o casamento e culpando um ao outro sobre o ocorrido, enquanto assuntos bem pertinentes como fome e sede são mal citados. Outra coisa que me incomodou bastante foi o fato de que mesmo expostos ao sol a ponto da boca de um deles secar, nenhum dos dois chega a se bronzear, o que numa situação como aquela é bem ilógico.

Com quase uma hora de filme, chega o tão aguardado terror dos mares. Mas não se anime, ele só aparece e vai embora logo. Causa uma comoção no casal e vai passear em outras praias. Talvez seja questão de cachê reduzido, mas nesse filme que se vende como um terror de tubarão, o que menos temos é isso.

Nos seus quinze minutos finais, ele até tenta recuperar a ação que foi perdida em uma hora e vinte de filme, mas, pra mim ao menos, já era tarde demais, pois já não sabia se torcia pro tubarão ou pra chegada dos créditos finais.

Então, meus caros leitores, se vocês buscam um bom filme de suspense que emula a sensação do clássico de Spielberg, infelizmente não será dessa vez. Aqui temos mais um filme bem esquecível que se perde em sua proposta, afundando nos mares do esquecimento.

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Diego Ferraz

Perdido na escuridão universitária vaga um escritor amante do obscuro, apaixonado pelo oculto e que possui um apetite voraz pelo terror. Sua biblioteca aterrorizante inspira sua vida e seus vídeos, que você pode acompanhar em seu canal Cripteca no Youtube.

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