![]() Puro Sangue
Original:Pura Sangre
Ano:1982•País:Colômbia Direção:Luis Ospina Roteiro:Luis Ospina, Alberto Quiroga Produção:Rodrigo Castaño, Luis Ospina Elenco:Gilberto Forero, Carlos Mayolo, Florina Lemaitre, Humberto Arango, Luis Alberto García |
Pura Sangre é um filme colombiano de 1982, e o longa-metragem de estreia do cineasta Luís Ospina, e é inspirado em uma série de assassinatos ocorridos na sua cidade natal, Cali, nos idos de 1960. O assassino, na época apelidado de Monstro do Mangue, foi responsável pela morte de mais de 30 crianças e adolescentes, e descrito como sádico sexual que sofria de “vampirismo crônico”.
O longa de Ospina, entretanto, vai além ao usar a linguagem do terror para lançar uma forte crítica social, através do “drama” de um ricaço que precisa de diversas transfusões de sangue para sobreviver.
O velho milionário é Roberto Hurtado (Gilberto Forero), dono de uma extensa plantação de cana de açúcar localizada no Valle del Cauca, um dos maiores receptores do tráfico de africanos escravizados na Colômbia durante o período do Comércio Triangular do Atlântico. Fora isso, é dono do maior hospital de Calí, que é dirigido pelo seu filho corrupto, Adolfo Hurtado (Luís Alberto Garcia).
Internado devido uma doença rara e sob a necessidade de transfusões diárias de sangue, é seu filho quem entra em ação em socorro. Ao descobrir que três funcionários do hospital – Perfecto (Carlos Mayolo), Florencia (Florina Lemaitre) e Ever (Humberto Arango) – estão molestando e assassinando jovens locais, Adolfo imediatamente os convida a serem os coletores do sangue para as transfusões.
A partir de então, os homicídios começam a crescer em quantidade, com corpos de adolescentes sendo encontrados em terrenos baldios com o sangue drenado, dando lugar a boataria sobre um vampiro que estaria atacando as crianças de Calí. As vítimas são, frequentemente, adolescentes homens marginalizados, na tentativa de que não se dê tanta importância ao seu desaparecimento.
Puro Sangue dá seguimento a uma ideia já traduzida para as telas pelo próprio Ospina em associação com outros cineastas, chamada “Agarrando Pueblo” (Os Vampiros da Miséria, 1977), curta-metragem que parece seguir um modelo ou corrente da época, voltada para a representação da vida das classes mais pobres.
Com iluminação baixa e uma fotografia que favorece poucas cores, como o vermelho fechado, entre as sombras, Pura Sangre já foi etiquetado por aí como “gótico tropical”. O termo foi cunhado, inclusive, por Ospina e Mayolo para se referir à estética de seus filmes, que apresentam narrativas monstruosas em um cenário de luz solar, climas quentes e abundância de recursos naturais.
No longa, entretanto, apesar da utilização da linguagem do terror em muitos momentos, principalmente na criação de climas soturnos e de suspense, o horror se dá mesmo é na representação da sociedade classista e racista que usa os corpos dos vulneráveis, simbólica e literalmente, como alimento.