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Maníaco do Parque
Original:Maníaco do Parque
Ano:2024•País:Brasil
Direção:Mauricio Eça
Roteiro:L.G. Bayão
Produção:Marcelo Braga
Elenco:Silvero Pereira, Giovanna Grigio, Mariana Amâncio, Marco Antonio Barreto, Gilberto Barros, Arianne Botelho, Bruna Carvalho, Nathália Falcão, Ingrid Gaigher, Leonardo Garcez, Bruno Garcia

Francisco de Assis Pereira, mais conhecido como o Maníaco do Parque, é um dos mais notórios assassinos em série brasileiros. Acusado e condenado a 268 anos de prisão pelo assassinato de pelo menos 7 mulheres, o Maníaco do Parque aterrorizou todo o país na década de 90, incluindo as crianças que assistiam na televisão aberta às simulações dos crimes brutais cometidos pelo psicopata, em plenas tardes de domingo. Em outubro de 2024, estreou exclusivamente em streaming o primeiro longa ficcional baseado na história do terrível serial killer tupiniquim.

O filme é um drama policial que conta basicamente a história de Francisco (Silvero Pereira), um motoboy que estuprava, matava e enterrava suas vítimas – todas mulheres – no Parque do Estado, causando pânico em toda a cidade de São Paulo. Elena (Giovanna Grigio) é uma repórter iniciante que luta por um lugar ao sol no jornal em que trabalha. Eventualmente, a jovem encontra na história de Francisco a oportunidade de ser finalmente reconhecida e respeitada pelo seu trabalho. Porém, ao se deparar com uma mídia sensacionalista e uma instituição policial extremamente machista, o caso acaba se tornando mais do que um simples trabalho para Elena, que toma para si a missão de investigar e fazer com que o assassino seja finalmente capturado e pare de matar, de uma vez por todas.

A performance do elenco é um dos pontos positivos. Giovanna Grigio consegue convencer e segurar bem as pontas como a protagonista Elena, mas o destaque mesmo vai para a atuação impressionante de Silvero Pereira. Silvero, que já havia nos brindado com seu talento no passado, como quando interpretou Lunga em Bacurau (2019), conseguiu se transformar e transmitir toda a insanidade do assassino em série.

O maior acerto do filme foi a criação da heroína fictícia Elena. Ao invés de colocar Francisco como personagem central da trama, optou-se por conferir o protagonismo do longa à Elena. A jornalista, que nunca existiu na vida real, acabou tendo um valor quase que simbólico, ao representar e dar voz a todas as vítimas do Maníaco do Parque. Em pleno ano de 2024 seria inaceitável dar novamente tanto destaque ao assassino, assim como a mídia brasileira fez no final dos anos 90, ao estampar o rosto de Francisco, que ganhou um status de quase celebridade, em cada capa de revista e programa de TV.

Por outro lado, a obra de Mauricio Eça não deixa de ser mais um filme policial, cheio de clichês. O que não faltam nos serviços de streaming de hoje em dia são filmes com um policial/detetive perseguindo um assassino em série. A diferença é que dessa vez está sendo contada uma história nacional. Se o Brasil parou para acompanhar casos de assassinos importados como Jeffrey Dahmer, Ted Bundy, o assassino do Zodíaco e, mais recentemente, os irmãos Menendez, nada mais justo do que valorizar também uma produção nacional, baseada em um caso que, infelizmente, faz parte da nossa própria história. O longa foi lançado simultaneamente ao documentário Maníaco do Parque: A História Não Contada, que conta a mesma história só que de uma forma melhor, muito mais precisa e rica em detalhes. Para o longa ficcional, acho que isso foi um tiro no pé. Provavelmente, quem assistiu ao documentário primeiro vai achar o filme repetitivo e infinitamente inferior, assim como eu.

Maníaco do Parque é um bom drama policial, mas não traz nada de extraordinário. No final das contas, acaba soando como um exemplar genérico desse subgênero. Vale a pena ser conferido por se tratar de um dos mais temidos assassinos em série do Brasil. Ainda assim, se você quiser conhecer mais sobre o caso de Francisco de Assis Pereira, dê preferência ao documentário, que deixou o filme de Eça relegado à sua sombra. Maníaco do Parque está disponível no serviço de streaming Prime Video.

Errata: Conforme bem apontou o infernauta Marcelo Miranda, Maníaco do Parque não foi o primeiro filme sobre o assassino brasileiro. Ele apareceu em um longa de 2009, como você pode observar nos comentários. O texto foi corrigido.

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3 Comentários

  1. Dizer que Grigio convence como protagonista é uma heresia,existe um abismo na atuação dela comparada a do Silvério, definitivamente enfraquece demais o filme.

  2. Pessoal: este não é o primeiro longa ficcional com o Maníaco do Parque. Já rolou um filme sobre ele, com o mesmo título, filmado em 2002 e exibido publicamente a partir de 2009.

    Informações: https://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u55052.shtml

    https://www.portalbrasileirodecinema.com.br/horror/filme-o-maniaco-do-parque.php?indice=filmes

    Poster: https://pbs.twimg.com/media/GTr3Qx-WMAAlvu9?format=jpg&name=small

    A direção foi do Alex Prado, nome importante da Boca do Lixo paulistana. e o roteiro contou com informações colhidas diretamente com o Francisco de Assis Pereira.

    Ta disponível pra ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=ST7LgiUxytw

  3. Teria sido mais interessante do diretor ter abordado a infância bizarra do maníaco (molestado pela tia, achava divertido ver animais mortos num matadouro) e o lance do seu pênis mordido por uma namorada. Mas não, preferiu centrar na repórter q busca ser uma heroína e provar que é capaz no mercado de trabalho. O mesmo disse que por respeito as vítimas e familiares, optou por não mostrar explicitamente o horror e a violência cometida pelo maníaco. Uma pena! Daria um terror maravilhoso!

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