
![]() Sem Saída
Original:Bunker / Fallout
Ano:2025•País:EUA Direção:Cecil Chambers Roteiro:Cecil Chambers, Michael Miceli Produção:Cecil Chambers, Tyler Jon Olson Elenco:Tyrese Gibson, Kate Bosworth, Katie Cassidy, Devon Sawa, Christopher Backus, Kale Browne, Lisa Long, Joey Anibal Mendez Jr., Eric Salamone, Lorena Sarria |

Pode-se traçar um paralelo entre os argumentos do paranoico Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane, 2016) e o thriller de Cecil Chambers, Sem Saída. Ainda que as propostas e caminhos sejam diferentes, ambos lidam com o absurdo e envolvem loucura e desconfiança, ao colocar pessoas trancafiadas em um bunker sem ter certeza se existe uma ameaça externa. É uma sensação de impotência, somada às incertezas, quando você fica sem saber como agir e depende de fatores além da sorte. Com o passar do tempo, a falta de oxigênio e respostas dão lugar ao desespero, e a vontade de sair dali se sobrepõe ao que está lá fora, levando à discórdia e o enfrentamento. E se as possibilidades de fuga se tornam improváveis?
Ainda não oficialmente lançado — no IMDB não há nem o ano de lançamento, e você nem encontra reviews com o título Bunker —, o filme está disponível na plataforma Adrenalina Pura+. Vale a pena pela realização simples, com baixos recursos, ambientação única, e o protagonismo de Devon Sawa (da série Chucky e sempre lembrado pela atuação em A Mão Assassina e o primeiro Premonição) atuando como Dell Gaeta, um ex-militar que, na noite de comemoração de seu aniversário, recebe um alerta sobre ataque nuclear. Como ele oportunamente construiu um bunker, ele leva todos os cinco convidados, à exceção de seu irmão expulso, para o abrigo, sem ter certeza se aquilo realmente está acontecendo lá fora.

Descem com ele ao subterrâneo a esposa grávida Petra (Katie Cassidy, dos remakes A Hora do Pesadelo e Natal Negro), os pais dela, Earl (Kale Browne) e Beverly (Lisa Long), além dos amigos Ty (Tyrese Gibson, de Morbius, 2022) e Soren (Christopher Backus). Sem comunicação externa, inicialmente Dell precisa enfrentar as tentativas de fuga de Ty, preocupado com a companheira, e Soren, até descobrir que o sistema de ar não está funcionando, assim como a própria porta de saída. Presos e sem oxigênio, eles sabem que têm poucas horas de vida e talvez tenham que escolher quem deve viver e os que serão sacrificados.
Um enredo simples, com um plot twist que beira o nonsense. Mesmo que o argumento resulte em algo divertido, um suspense envolto em tensão e terror psicológico, quando você chega ao final, é inevitável a sensação de “precisava de tudo isso“? E algumas ações ali parecem não fazer sentido: quando eles percebem que a energia só volta com o girar de uma manivela, Ty fica encarregado da função de manter a iluminação interna. Além de não alternarem na ação, deixando apenas uma pessoa para fazer o trabalho, fica a dúvida sobre se isso seria necessário. Enquanto há tentativas de comunicação por rádio até se justifica, mas para que se preocupar com a eletricidade, se o girar da manivela está necessitando de um esforço que irá fazê-lo precisar de mais oxigênio e limitar o tempo de vida dos demais?

Outras perguntas obviamente irão despontar com a descoberta final, fragilizando o roteiro de Chambers e Michael Miceli. Pode funcionar na proposta teatral, mas faz pouco sentido na realização. E, quando se imagina um final até adequado com tons pessimistas, o enredo propõe uma justiça ainda mais artificial e exageradamente moralista, do que tudo o que fora visto.
Conta com as atuações razoáveis do elenco, principalmente de Sawa, e funciona bem nos aspectos técnicos como direção e ambientação. Pode divertir quem procura filmes com poucos personagens, único cenário, surpresas mastigadinhas com direito a flashback explicativo, desde que não se preocupe com a lógica.





















