Natal Negro (2006)

Natal Negro (2006)

Natal Negro
Original:Black Christmas
Ano:2006•País:EUA, Canadá
Direção:Glen Morgan
Roteiro:Glen Morgan, Roy Moore
Produção:Marty Adelstein, Steven Hoban, Glen Morgan, Victor Solnicki, James Wong
Elenco:Michelle Trachtenberg, Mary Elizabeth Winstead, Lacey Chabert, Katie Cassidy, Kristen Cloke, Andrea Martin, Crystal Lowe, Oliver Hudson, Karin Konoval, Robert Mann, Jessica Harmon, Leela Savasta, Cainan Wiebe

Então, é Natal! Aquela data mágica em que as pessoas conseguem esquecer os problemas que tiveram durante o ano entre presentes, uma farta ceia, fogos e cumprimentos. A magia dessa época está associada aos símbolos, a iluminação das ruas, à alegria das crianças enquanto aguardam o bom velhinho e a relação duvidosa com o nascimento de Jesus. Tudo é divertido: o amigo oculto (ou secreto), o parente que passa mal por ter comido muito ou até mesmo os conflitos com presentes equivocados e o cunhado bêbado. No entanto, a data também tem um lado mais assustador do que ouvir o CD da Simone! Muitos não sabem, mas o Natal é considerado pelos pagãos como um dia para espantar espíritos malignos com mais ênfase até do que o próprio Halloween! Alguns acreditam que os cristãos do século passado se apoderaram de uma festa de inverno romana quando as noites eram longas e os demônios do caos vagavam pela Terra. Todo esse lado sombrio incentivou a produção de inúmeros filmes de terror com essa temática, sendo a maioria relacionada a um Papai Noel assassino ou brinquedos assustadores.

Antes mesmo da febre dos slashers que homenageavam dias festivos (Dia dos Namorados Macabro, Halloween, Reveillon Maldito…), em 1974, foi feito um longa que trazia um grupo de garotas sendo atacado por um psicopata no Natal. Entre cabelos e roupas que entregavam a época hippie, Black Christmas é um filme bem feitinho, com algumas cenas de suspense escondidas numa fotografia escura e na trilha macabra de Carl Zittrer (A Morte Convida para Dançar). Com a onda dos remakes, seria estranho se essa produção obscura dirigida por Bob Clark (Children Shouldn’t Play with Dead Things) não ganhasse uma releitura com a vestimenta violenta da época moderna. Assim, em 2006, sob o comando de Glen Morgan (A Vingança de Willard), chegou aos cinemas americanos e às locadoras brasileiras Natal Negro, um slasher intenso e sangrento, exagerado e superficial.

A ideia de refazer Black Christmas surgiu do sucesso das refilmagens de O Massacre da Serra Elétrica, de Marcus Nispel, e Madrugada dos Mortos, de Zack Snyder. Enquanto se discutia a realização de remakes para Sexta-Feira 13, Halloween e A Hora do Pesadelo, o especialista em roteiros, Glen Morgan (Arquivo X, Millenium, Premonição, Premonição 3…), desenvolveu o conceito de uma nova versão para o slasher setentista. Ofereceu o argumento para a Dimension Films, que abraçou o conceito, dando oportunidade do autor escolher o elenco. Após o teste de escalação dos atores e atrizes – que recusou a participação de (pasmem!!) Amanda Seyfried -, as filmagens tiveram início em janeiro de 2006, no Canadá, e duraram 29 dias.

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Natal Negro estreou nos cinemas americanos no dia 25 de dezembro do mesmo ano, mas não foi muito bem recebido nas bilheterias. Com um orçamento estimado em 9 milhões, arrecadou apenas 16, evitando até mesmo a estreia nos cinemas brasileiros. Por aqui a novela foi mais longa! Entre definições do título – a princípio chamava-se Noite de Terror – e adiamento do lançamento previsto para 7 de maio de 2007, o longa teve seu destino traçado nas locadoras pela Paris Filmes. Qualquer possibilidade de realizar uma continuação acabou sendo enterrada juntamente com a carreira de Glen Morgan como diretor. O que há de tão ruim nesse remake para tantas pessoas falarem mal? É como o discurso da sogra no almoço de Natal: longo, cansativo e não chega a lugar algum.

Na véspera de Natal, entre luzes e enfeites, uma garota é assassinada, sufocada por um saco sobre sua cabeça antes de receber o golpe fatal. No mesmo local, a casa de fraternidade feminina Delta Alpha Kappa, algumas belas garotas aguardam a troca de presentes, conversando sobre a tediosa data e sua magia. Longe dali, na instituição mental Clark Sanatorium (referência ao nome do diretor do original), o psicopata Billy Lenz está recebendo a sua ceia e a visita de um Papai Noel. Depois de enganar e matar o guarda e o visitante, ele se veste com as roupas natalinas e foge do local.

Eu estarei em casa para o Natal. Sim, a casa a qual ele se refere é a própria fraternidade, onde ele nascera e crescera com diversos problemas que ocasionaram seu lado assassino. A infância do Michael Myers de Rob Zombie, foi na Disney se comparada a deste futuro psicopata. Devido a uma desordem no fígado, Billy nasceu com a pele amarelada. Anos mais tarde, testemunhou o assassinato do pai pela mãe e pelo amante; foi abusado por ela e era mantido preso no sótão, andando pelo ambiente como as criaturas atrás da parede. Da relação com a mãe nasceu Agnes, impedida de ter contato com o pai-irmão. Num dia de fúria, Billy arrancou um olho da irmã e matou o padrasto e a mãe, fazendo bolachas com a pele dela para tomar com leite, até ser encontrado pela polícia. Essa sequência é o que melhor acontece nesse filme, tanto que foi divulgada como clipe na época de seu lançamento.

A lenda de Billy Lenz (Robert Mann) era tão conhecida na fraternidade que todos os anos, no Natal, alguém o tirava no amigo secreto, tendo que presenteá-lo figurativamente. Barbara ‘Sra. Mac’ MacHenry (Andrea Martin, que participou do filme original de 1974) cuida das jovens Kelli (Katie Cassidy, de A Hora do Pesadelo, 2010), Dana (Lacey Chabert, de Minhas Adoráveis Ex-Namoradas), Lauren (Crystal Lowe, de Floresta do Mal), Megan (Jessica Harmon, de Pânico na Ilha), Clair (Leela Savasta, de Cra$h & Burn), Heather (Mary Elizabeth Winstead, de A Coisa, 2011) e Melissa (Michelle Trachtenberg, da série Gossip Girl).

Após a morte de Clair na cena inicial, sua irmã Leigh (Kristen Cloke, esposa de Glen Morgan) vai ao local para encontrá-la. Sem saber o motivo do desaparecimento da garota, o grupo passa a ser ameaçado por telefonemas onde vozes estranhas são proferidas entre frases como Ela é da minha família agora., algo que também acontecia no filme original acompanhado de sussurros e respiração ofegante. Uma a uma, elas são vítimas de um assassino capaz de aparecer em diversos lugares ao mesmo tempo – seria uma falha se não houvesse uma surpresa final que revelasse o motivo dessa agilidade nas ações.

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Abalada pelo vídeo de sexo postado na internet pelo namorado Kyle (Oliver Hudson, de Cães Assassinos), Kelli aos poucos vai assumindo o papel de protagonista, enquanto suas amigas vão desaparecendo em mortes violentas. Olhos arrancados, cabeças esmagadas e muitas espetadas pelo corpo, as sobreviventes não conseguem encontrar um meio de sair desse pesadelo devido a forte nevasca que atinge a região.

Um dos grandes problemas de Natal Negro está no seu excesso de conteúdos, apresentados com flashbacks em indas e vindas da narrativa. Na busca pelo desenvolvimento da personalidade do assassino, Glen Morgan esquece de trabalhar com o presente, tornando as garotas extremamente artificiais, com seus diálogos não coerentes com suas atitudes. Parece que o roteirista quis criar um filme inteligente, com alguns subplots e referências, mas conseguiu exatamente o efeito contrário: fez de sua obra um produto confuso e sem profundidade, cujo sangue em profusão é a única justificativa de sua existência.

São evidentes as comparações com Halloween, de John Carpenter. Esse assassino-família, com o rosto indevidamente escondido nas sombras, seguiu a cartilha do vilão de Haddonfield, com a fuga do hospital-prisão e a sequência final, totalmente referente à velha franquia. A diferença está na condução videoclipe de Glen Morgan, evidenciada na cena bagunçada no sótão, e na presença de protagonistas bonitas, mas ordinariamente vazias.

Glen Morgan mostra que viu filmes de terror ao submeter sua produção a referências diversas como o slasher Natal Sangrento (na fuga do assassino vestido de Papai Noel) e Feliz Aniversário para Mim (não reunião dos cadáveres), além do já citado Halloween e do, é claro, Noite de Terror. São cenas que podem estampar um sorriso nos espectadores, mas não passam disso. Talvez teria funcionado melhor se o diretor tivesse aprendido a fazer suspense com essas produções ao invés de apenas homenageá-las.

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Há cenas bem sangrentas no filme como a morte do padrasto, esfaqueado na órbita, fazendo seu olho aparecer pela parte de trás da cabeça. Mesmo sendo um momento gore é preciso considerar o absurdo da cena, pois nem com toda a força alguém conseguiria atravessar a cabeça de uma pessoa e deixar o olho intacto. E a morte de Melissa na versão americana, com os olhos arrancados, servindo para um dos pôsteres da produção, é bem feita. Na versão inglesa, a garota tem sua cabeça esmagada por um patins de gelo. Aliás, há finais alternativos e cenas deletadas no DVD brasileiro, por incrível que pareça! Um trabalho caprichado para uma produção que nem merecia tanto!

Apesar de falhar na construção de seus personagens e no suspense, Natal Negro pode ser recomendado para os fãs de slashers modernos – filmes com muita violência e mortes gráficas, mas fáceis de serem esquecidos. É como o presente da tia: embalagem linda e atraente para algo desnecessário e de baixa qualidade.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

6 comentários em “Natal Negro (2006)

  • 06/11/2016 em 07:44
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    Para mim esse filme foi uma decepção. Fotografia escura, atuações exageradas, mortes risiveis (me corrijam se eu estiver errado. O guarda foi assassinado com um doce?) e nada surpreendente. Realmente tedioso como discurso de familiares no almoço natalino, ruim como chester mal assado e descartável como cartões de “Feliz Natal”.

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  • 27/12/2013 em 09:13
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    Concordo. Achei o estilo da narrativa um pouco confuso e desnecessário, embora (felizmente) tudo se encaixe no final. Algumas cenas e diálogos são realmente péssimos e sem nexo, como se tivessem sido esquecidas de serem cortadas na edição. Mas no geral, achei um bom slasher, até mesmo um pouquinho melhor que outras produções mais recentes. O grande destaque, sem dúvida, é a beleza do elenco feminino, além das garotas já serem conhecidas de outras produções do gênero. Katie Cassidy não decepciona ao assumir o protagonismo do longa, já quase em seus momentos finais. Além de possuir uma “bela figura” diante das câmeras, sua atuação é muito boa na sequência final da película, a cena do hospital, que foi inesperada e contribuiu de forma positiva para o resultado final do filme. Fiquei triste quando a lindíssima Michelle Trachtenberg foi morta (com o patins arremessado contra sua cabeça, na versão qus eu assisti), já que ela foi o motivo principal que me fez ver o filme. Curiosidade: assisti Halloween II na mesma noite, logo após de ver este Natal Negro. Hospitais rendem boas cenas em filmes de terror. 🙂

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  • 25/12/2013 em 13:50
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    Na menção de Carl Zittrer. você colocou “A Morte Convida para Jantar” Milici. Bem que poderiam fazer esse filme kkkk. Enfim, esse remake aí eu não vi, apenas o original. Irei conferir!

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  • 24/12/2013 em 15:04
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    Divertidinho… mas, não se salva em tudo!

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  • 24/12/2013 em 14:39
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    adoro esse filme,sem falar que tem várias atrizes que eu gosto.

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