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Anaconda
Original:Anaconda
Ano:2025•País:EUA
Direção:Tom Gormican
Roteiro:Tom Gormican, Kevin Etten
Produção:Thiago Da Costa, Kevin Etten, Andrew Form, Brad Fuller, Alex Ginno, Tom Gormican
Elenco:Jack Black, Paul Rudd, Steve Zahn, Thandiwe Newton, Daniela Melchior, Selton Mello, Ice Cube, Ione Skye, Rui Ricardo Diaz, John Billingsley Sebastian Sero, Diego Arnary

No reinado das cobras gigantes cinematográficas, Anaconda é a rainha — parceira independente do King Cobra. Dentre os vários exemplares realizados, principalmente no final dos anos 90 e a partir dos anos 2000, Anaconda lidera pela quantidade de continuações (há pelos menos sete filmes com ela, sem contar uma refilmagem chinesa) e também por ser considerado um legítimo Filme B, camuflado de blockbuster. O primeiro, lançado em 1997, destaca-se pelo elenco estrelar: Jennifer Lopez, Jon Voight, Ice Cube, Eric Stoltz, Owen Wilson, Kari Wuhrer e Jonathan Hyde, além de um prólogo com Danny Trejo. É claro que alguns desses nomes ainda iriam se destacar no cinema, mas são todos rostos conhecidos, como se o combate à cobra amazônica lhes tivesse dado a visibilidade que precisavam para seus currículos. Ainda assim, trata-se de uma produção mais cult do que considerada boa, um guilty pleasure de muitos fãs de horror como eu.

À exceção do segundo filme, A Caçada pela Orquídea Sangrenta, que ainda teve uma produção melhorzinha, as demais continuações (e variações) são trashes até a medula, feitos no quintal de alguns técnico de CGI terceirizado. Dificilmente você poderia imaginar que um novo filme com a temática “cobra gigante” poderia despontar nos cinemas, com um ótimo elenco, se não fosse a curiosa ideia de Kevin Etten e Tom Gormican, roteiristas do novo Anaconda. Eles fizeram algo que justificou o entretenimento desde os rascunhos iniciais: um metacinema, algo como Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras, isto é, uma produção que assume que o anterior é apenas um filme, numa metalinguagem divertida, desde que a realização cumpra o que as prévias e o conceito básico prometiam.

Os amigos de infância Doug McCallister (Jack Black), Ronald “Griff” Griffin (Paul Rudd), Kenny Trent (Steve Zahn) e Claire Simons (Thandiwe Newton) sentem saudades da época em que realizavam filmes caseiros ruins e estão insatisfeitos com a vida que levam. Nas comemorações do aniversário de Doug, o ator ruim de pontas Griffin diz ter conseguido os direitos da franquia Anaconda e sugere uma refilmagem. Trabalhando como editor de produções de casamento, Doug está relutante, mas aceita a ideia, o que necessitaria de recursos. Não conseguem muito com empréstimos, mas resolvem assim mesmo realizar uma versão de baixo custo do original em plena Floresta Amazônica — na verdade, filmada na Austrália.

No local, conhecem o cuidador de cobras Santiago Braga (Selton Mello, sempre ótimo), e levam como condutora da embarcação Ana Almeida (a portuguesa Daniela Melchior), que está fugindo de alguns perseguidores na região. As filmagens acontecem com o protagonismo canastrão de Griffin, totalmente como herói estereotipado com um palito na boca e postura artificial de herói, até acidentalmente matarem a cobra de estimação de Santiago e insistirem nas gravações, sem saber que nas proximidades há realmente uma anaconda fazendo vítimas. A partir daí, o roteiro amalucado acaba se perdendo em seu rumo, com as piores (no bom sentido) desculpas para os personagens se aventurarem nas matas, com a ameaça aparecendo de vez em quando.

Apesar do filme se chamar Anaconda, a cobra é apenas um macguffin para a proposta. Boa parte do humor se constrói de momentos idiotas que podem ou não funcionar para você. O melhor deles está no próprio trailer (mesmo vendo em cena, você acaba rindo pela conclusão da cena), mas há outros episódios ao estilo Jack Black como quando Kenny precisa aprender a urinar de pé com pessoas próximas para salvar o amigo picado por uma aranha venenosa, naquele tipo de humor escatológico e meio pastelão que pode não lhe servir. Mas há boas ideias ali também: em dado momento, eles encontram uma outra equipe na realização de um remake de Anaconda, imaginando que por ali podem estar Ice Cube, Jennifer Lopez e até Eric Stoltz. E também vale pelo personagem do Selton Mello ensinando os estrangeiros a dar uma cabeçada brasileira: “Toma!!“.

Quem assiste Anaconda imaginando ver uma produção de animal gigante, com ataques sangrentos e uma sensação constante de insegurança, vai se decepcionar. É um filme família, uma comédia boba, com efeitos especiais até aceitáveis para a proposta e personagens divertidamente idiotas. Não é filme para cinema e nem irá revolucionar o subgênero, mas pode divertir momentaneamente como uma sessão descontraída, feita a partir de uma boa ideia, e até levá-lo a um novo interesse pelo longa original, mesmo que seja para também rir de sua seriedade e da cachoeira invertida.

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