King Cobra (1999)

King Cobra (1999)

King Cobra
Original:King Cobra
Ano:1999•País:EUA
Direção:David Hillenbrand, Scott Hillenbrand
Roteiro:David Hillenbrand, Scott Hillenbrand
Produção:David Hillenbrand, Scott Hillenbrand
Elenco:Pat Morita, Scott Hillenbrand, Casey Fallo, Hoyt Axton, Joseph Ruskin, Courtney Gains, Jerry Kernion, Erik Estrada, Nick Jameson, Paul Morgan Fredrix, Gary Bristow

Considerada o maior e mais venenoso ofídio do mundo, a cobra-real é também conhecida por seu canibalismo. Seu nome científico já define sua natureza – “Ophiophagus” ou “comedora de serpentes“. Tais características poderiam tranquilamente alimentar uma boa produção do gênero, já que a antagonista seria um predadora completa, tanto para os homens quanto para seus semelhantes, você deve estar pensando. Imagine, então, se uma dessas criaturas fosse alterada geneticamente, chegando ao tamanho exagerado de 15 metros, e resolvesse se hospedar na pequena cidade de Fillmore para uma refeição? Nada poderia dar errado, desde que o roteiro soubesse explorar suas deficiências técnicas num filme divertido e sangrento. Pois bem, a dupla David Hillenbrand e Scott Hillenbrand cometeu um atrocidade cinematográfica daquelas que devem ter servido de orgulho apenas para as serpentes que servem de alimento para a cobra-real.

Num laboratório secreto da Califórnia, cientistas têm trabalhado durante anos para encontrar a causa das agressões para poder controlá-las. Para tanto, desenvolvem criaturas geneticamente alteradas como Seth, metade cobra-real africana (King Cobra), metade cascavel oriental. Com a explosão do laboratório pela confusão de dois cientistas audaciosos, Seth escapa de seu cativeiro e, dois anos depois, em seu tamanho triplicado chega à cidade onde circulam personagens típicos de produções do estilo: o médico Dr. Brad Kagen (o próprio diretor e roteirista Hillenbrand), que, contrariando sua companheira policial, pretende trabalhar na cidade grande, e o prefeito Ed Biddle (Hoyt Axton, que faleceu dois meses depois do lançamento do filme), que pretende aumentar sua popularidade com uma festa local. Após algumas mortes misteriosas e o aparecimento de algumas peles gigantescas, o experiente biólogo Nick Hashimoto (o excepecional Pat Morita) é convidado para auxiliar na captura e destruição do perigoso animal.

King Cobra (1999) (2)

King Cobra (exibido na Rede Record como Cobra Assassina) é um típico filme B subgênero “animal X homem“, que poderia muito bem fazer sucesso se fosse uma sátira ao gênero ou uma homenagem às produções sobre monstros gigantes, tão comuns nas décadas de 50 e 60. No entanto, King Cobra faz parte da época de transição entre as criaturas animatrônicas e os efeitos em CGI, o que não justifica um trabalho sério e que esconde o vilão em boa parte da produção, sem aparecer por completo uma vez sequer. Se o problema do longa estivesse apenas relacionado aos (d)efeitos especiais, ainda seria comum enquadrar a produção entre outras pérolas bizarras, mas divertidas, desde que haja uma boa história para contar. Porém, King Cobra permite evidenciar os erros numa numeração incontável. Só para citar os mais evidentes:

1) A cobra tem 15 metros de cumprimento e ainda assim consegue entrar nas casas sem deixar vestígios. Há o caso do morador que chega em casa depois do trabalho, abre a porta da casa com sua chave e é atacado pelo monstro, sem explicação alguma para a presença dele ali.

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2) Em determinado momento, a cobra gigante aparece supostamente morta para depois atacar sua vítima. Um personagem explica que as cobras usam desse artifício para caçar. Mesmo que isso seja verdade, precisava ser demonstrado? Qual a finalidade de uma cobra monstruosa e quase indestrutível agir desse modo? Será que os roteiristas quiseram mostrar para o público o estudo que fizeram das cobras?

3) Pat Morita diz que armas de fogo não são úteis para matar cobras, já que elas são ágeis. Mas, Seth é particularmente devagar e por diversas vezes fica parada diante das vítimas. Há ate a cena em que um dos caçadores tem a cobra na mira, mas é impedido pela experiência oriental do biólogo.

Sem dúvida nenhuma, o melhor do filme é o astro da franquia Karate Kid, Sr. Miyagi, que mesmo distante de suas origens e sem utilizar toda a sua elasticidade é capaz de apresentar as melhores cenas e ensinamentos. Por exemplo, quando lhe é perguntado o porquê do uso de uma bicicleta para se aproximar da cobra, ele responde: “Você já viu japonês correndo? Japoneses não foram feitos para correr.

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Se tudo já não fosse suficiente ruim, o roteiro tende a piorar a avaliação ao fazer do personagem de Morita um herói, resistente aos ataques da cobra e um antídoto antiofídico ambulante, por ter injetado altas doses de veneno em seu sangue durante suas experiências no laboratório. Mas, será que ele não poderia ser vítima das gigantescas presas, funcionando como garras em sua pele?

Por essas e outras mais, King Cobra não vale nem como sessão trash com os amigos ou como uma possível continuação do, pelo menos, divertido Anaconda, como o filme chegou a ser distribuído em DVD em alguns países. Nem mesmo a ponta do veterano Erik Estrada reserva uma qualidade ao filme. Uma monstruosa perda de tempo!

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

8 comentários em “King Cobra (1999)

  • 05/06/2014 em 17:52
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    Esse filme é muito ruim mesmo! As mortes são todas em off e a cobra não come uma pessoa sequer.

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  • 29/05/2014 em 16:00
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    Lembro de ter alugado quando era lançamento… pior que quando eu assisti – com 10 anos – eu achei legal.

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  • 29/05/2014 em 13:51
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    Confesso que também gostei do king cobra , pelo menos eu achei divertido pet MOrita , contracenando com a cobra.kk ao invés de Daniel sã , e suas acrobracias boileicas.. kkkk brincadeirinha pessoal..

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  • 28/05/2014 em 20:53
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    Gostei , lembro que o aluguei na mesma hora que vi na locadora na inesquecível época dos vhs .

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  • 27/05/2014 em 17:12
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    Na trilha de “ANACONDA”, “KING COBRA” funciona. Claro, a trama é ultrapassada, obvia, mas garante uns momentos divertidos, principalmente aqueles envolvendo a cobra Seth.
    Há cenas bem bacanas, como a caçada à Seth que termina na morte de todos os homens, a sequencia de invasão à casa do homem e a quase cena de sexo…
    Enfim, “KING COBRA” merece mais uma mensagem, talvez como grande filme de monstro, mas, como Filme B de Monstro!!!!

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