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Daddy´s Head
Original:Daddy´s Head
Ano:2024•País:UK
Direção:Benjamin Barfoot
Roteiro:Benjamin Barfoot
Produção:Patrick Tolan, Matthew James Wilkinson
Elenco:James Harper-Jones, Rupert Turnbull, Julia Brown. Charles Aitken, Nathaniel Martello-White, Nila Aalia, Mary Woodvine, Stella Gonet, Lexi Austin-Jones, Phillipa Flynn, Kaisa Hammarlund

Filmes que se utilizam de entidades, monstros ou outras forças sobrenaturais como expressões metafóricas de emoções reais são bastante comuns em tempos de horror elevado ou pós-horror. Dentre essas emoções, a culpa, o luto e a melancolia são frequentemente abordadas, assumindo um papel de protagonismo no chamado Grief Horror (algo como horror de pesar). Esse subgênero ganhou força nos anos 2010 com produções aclamadas como The Babadook, A Bruxa e Hereditário. Nesse contexto, Daddy’s Head, original da Shudder que fez certo barulho em 2024, se utiliza de uma criatura (ou parte dela) interessante para tratar das fases do luto em um núcleo familiar atípico.

Na trama, o jovem Isaac (Rupert Turnbull) lida com o trauma de perder o pai pouco tempo após a morte da mãe. Enquanto isso, sua madrasta Laura (Julia Brown) tem que superar a ausência do marido ao mesmo tempo em que se vê na obrigação de cuidar de um enteado que nunca morreu de amores por ela. Cada um possui uma maneira de experienciar o luto, seja desenhando criaturas monstruosas ou se afogando em litros e mais litros de vinho, mas ambos acabam obrigados a refletir sobre o próprio relacionamento com a aparição de uma entidade de rosto um tanto quanto familiar.

Eu não tinha muitas expectativas em relação a Daddy’s Head, então me surpreendi com um competente ensaio sobre a dor da perda em uma família um tanto quanto incomum. Diferente das abaladas relações entre mães e filhos presentes em The Babadook e Hereditário, aqui temos uma mãe que nunca foi mãe e nunca teve interesse em ser. Laura desde o início deixa claro que tolerava o garoto pelo amor que sentia pelo marido e tenta de todas as formas se convencer que não possui responsabilidades para com ele. Ao mesmo tempo, o jovem Isaac nunca teve nenhum afeto pela madrasta, mas inevitavelmente percebe que ela é o mais próximo de um familiar que lhe resta.

ALERTA DE SPOILERS! PROSSIGA POR SUA CONTA E RISCO!      

No entanto, o mais intrigante aqui é o monstro que dá nome ao filme. Aparentemente um extraterrestre que aterrissou próximo à mansão onde sofrem Laura e Isaac, o bicho parece ser um transmorfo, com a capacidade de apresentar várias faces, seja a de um cachorro ou a do falecido pai de Isaac (Charles Aitken). Além da aparência sinistra, vale também a ponderação sobre como o alienígena é uma representação da sensação de perda do garoto, além do rancor pela madrasta.

Não se trata de uma produção perfeita ou memorável, com alguns pontos que incomodam (como o início arrastado e toda a relação de Laura com Robert, o amigo da família interpretado por Nathaniel Martello-Whit, mas é um entretenimento honesto, com um monstro marcante e uma reflexão interessante.

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