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Força Diabólica
Original:The Tingler
Ano:1959•País:EUA
Direção:William Castle
Roteiro:Robb White
Produção:William Castle
Elenco:Vincent Price, Judith Evelyn, Darryl Hickman, Patricia Cutts, Pamela Lincoln, Philip Coolidge, William Castle, Leon Alton, Gertrude Astor, Richard Barthelmess, Gail Bonney, Pat Colby, George DeNormand

“Lembre-se: gritar na hora certa pode salvar sua vida.”

– William Castle

Imagine num mesmo filme a parceria de dois nomes com grande relevância e associação com o gênero horror, o produtor e diretor William Castle e o ator Vincent Price (ícone eterno ao lado de Bela Lugosi, Boris Karloff, Christopher Lee e Peter Cushing). Pois essa dupla esteve em dois projetos divertidos do final doa anos 50 do século passado: A Casa dos Maus Espíritos (House on Haunted Hill, EUA, 1958), explorando o tema de casas assombradas, e Força Diabólica (The Tingler), lançado no ano seguinte e com uma história de “cientista louco” em experiências com uma criatura bizarra que se materializava na espinha dorsal das pessoas quando em estado de medo extremo.

No roteiro de Robb White, o patologista Dr. Warren Chapin (Vincent Price) trabalha numa penitenciária realizando autópsias nos presidiários com pena de morte. Ele tem um interesse especial em experiências com os cadáveres para estudar uma teoria onde todas as pessoas possuem um pequeno monstro internamente nas vértebras atrás do pescoço, que se desenvolve pelo medo e pavor, podendo ser combatido apenas com a reação de gritos desesperados como único mecanismo de defesa.

Seu assistente é o jovem David Morris (Darryl Hickman), namorado de Lucy Stevens (Pamela Lincoln), que é a irmã da esposa infiel do cientista, Isabel Stevens Chapin (Patricia Cutts), em crise de relacionamento conjugal repleta de ameaças e ironias recíprocas.

Depois que o Dr. Chapin conhece Oliver Higgins (Philip Coolidge) e sua esposa surda e muda Martha (Judith Evelyn), proprietários de uma pequena sala de cinema, ele aproveita a oportunidade de fazer experiências com a mulher incapaz de gritar. Ele também utiliza drogas em si mesmo como o LSD, para ajudar com efeitos alucinógenos. Sua teoria é comprovada, confirmando a existência da criatura bizarra, uma espécie de centopeia mutante, batizada como “The Tingler” (algo como “Formigador” ou “Arrepio”). O monstro é extraído da coluna vertebral da mulher, mas consegue escapar e invade a sala de cinema causando pânico e espalhando o horror nos espectadores, que precisam gritar para salvar suas vidas (conforme as sábias palavras de William Castle, que apareceu no início do filme com uma narração de alerta do perigo mortal).

Além do lendário Vincent Price, cuja presença sempre marcante já agrega grande valor para qualquer filme, graças ao carisma e associação principalmente com o cinema bagaceiro de horror e ficção científica, os destaques de Força Diabólica são os divertidos efeitos práticos com o monstro tosco e suas movimentações hilárias com “fios invisíveis”. Tem também uma cena memorável e colorida (a única em contraste com o restante produzido com fotografia em preto e branco) envolvendo uma banheira cheia de sangue.

William Castle (1914 / 1977) ficou conhecido pela criatividade em campanhas de marketing de seus filmes com orçamentos pequenos, apresentando surpresas para o público nas salas de exibição. Em Macabro (Macabre, 1958), ele ofereceu apólices de seguro de vida para quem morresse de medo no cinema. Já em A Casa dos Maus Espíritos, utilizou um dispositivo especial para assustar o público, um sistema batizado de “Emergo” que consistia num esqueleto humano iluminado movimentado por um complexo mecanismo de polias, cordas e correias, que era arremessado por cima das pessoas. Em Treze Fantasmas (13 Ghosts, 1960), o efeito utilizado, conhecido por “Illusion-O”, era uns óculos de papel com uma das lentes na cor azul e a outra vermelha, que permitia ao espectador visualizar os espectros do filme. E em Força Diabólica, o truque recebeu o nome “Percepto”, com dispositivos instalados nas cadeiras, que vibravam liberando pequenos choques elétricos.

Curiosamente, em 1993, o diretor Joe Dante homenageou William Castle em Matinee – Uma Sessão Muito Louca (Matinee), que contava a história de um cineasta nos anos 1950 que inovava o gênero horror com filmes baratos e sistemas de interação com o público nas salas de cinema.

Força Diabólica foi exibido na televisão e lançado em DVD no Brasil, sendo que uma das versões foi pela “Versátil Home Vídeo” no box “Mestres do Terror: William Castle”, além também de ser encontrado no “Youtube” com a opção de legendas em português.

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