0
(0)

O Primata
Original:Primate
Ano:2025•País:EUA, UK, Canadá, Austrália
Direção:Johannes Roberts
Roteiro:Johannes Roberts, Ernest Riera
Produção:Walter Hamada, John Hodges, Bradley Pilz
Elenco:Johnny Sequoyah, Jess Alexander, Troy Kotsur, Victoria Wyant, Gia Hunter, Benjamin Cheng, Charlie Mann, Tienne Simon, Miguel Torres Umba

De volta à casa de sua família no Havaí durante as férias universitárias, Lucy (Johnny Sequoyah) resolve aproveitar a ausência do pai, Adam (Troy Kotsur), para organizar uma festa junto com um grupo de amigos formado por Kate (Victoria Wyant), Nick (Benjamin Cheng), Hannah (Jessica Alexander) e sua irmã Erin (Gia Hunter). O que ela não imaginava era que seriam atacados pelo outro “membro da família”, o chimpanzé Ben (Miguel Torres Umba), contaminado com raiva, o que os leva a terem que se refugiar no restrito espaço de uma piscina.

Uma das duas coisas que mais me irrita em filmes são personagens de macaco sendo interpretados por atores vestidos de macaco (a outra são figurantes de multidão em fuga que passam rindo diante da câmera – acredite, acontece com mais frequência do que possa parecer). E aqui não estou me referindo a obras nas quais os macacos são humanoides, como boa parte dos filmes do universo O Planeta dos Macacos, ou àquelas em que o objetivo é fazer rir, como George, o Rei da Floresta (George of the Jungle, 1997), mas a casos como Congo (1995), com sua embaraçosa Amy, a Gorila Falante (Lorene Noh e Misty Rosas), indicada ao Framboesa de Ouro de Pior Atriz Coadjuvante e Pior Nova Estrela. Com Ben, o chimpanzé assassino de O Primata (Primate, 2025), tive a sensação de estar vendo um macaco de CGI que parece alguém vestido de macaco. Só depois descobri que ele é mesmo interpretado por um ator, em um trabalho complementado com próteses e animatrônicos. Talvez devido a essa combinação de recursos tive a impressão de que as dimensões corporais de Ben mudam de uma cena para outra, mas ficam os parabéns para o trabalho do ator Miguel Torres Umba.

Também merecem parabéns os efeitos visuais nos momentos de gore, embora eu os tenha sentido um tanto deslocados. Sei que chimpanzés são na realidade extremamente fortes, porém Ben causa estragos dignos de um Jason Voorhees ou de animais como um tubarão ou um tigre.

O que não consigo elogiar é a falta de imaginação do roteiro no uso de seu antagonista. O grande barato de se ter um chimpanzé assassino como ameaça é o fato de ele ser muito mais inteligente do que, por exemplo, os animais mencionados acima. No entanto, são poucas as situações no enredo em que isso é explorado, o que aumentaria o nível de tensão e a imprevisibilidade das cenas. Na maior parte do tempo, Ben é simploriamente bruto. A maçante cena do guarda-roupa ilustra bem essa ausência de criatividade, servindo apenas para enfileirar referências a O Iluminado (The Shining, 1980), Halloween – A Noite do Terror (Halloween, 1978) e Alien 3 (Alien³, 1992).

Também teria sido interessante explorar melhor as variações de humor em Ben, uma vez que ele é um animal domesticado e parte da família. Lucy e sua irmã possuem um laço afetivo com ele, e, se o seu animalzinho começa a se comportar de maneira estranha, tudo o que você quer é acreditar que em algum momento ele voltará ao normal. O potencial de suspense dessa dinâmica de docilidade e fúria é igualmente desperdiçado.

Na verdade, mal chegamos a conhecer o lado dócil de Ben. O filme já abre com um flashforward que o apresenta matando alguém de maneira bastante explícita. Depois, com os eventos já em ordem cronológica, nós o acompanhamos convivendo amigavelmente com as pessoas por muito pouco tempo antes de surgirem os efeitos da raiva. Não existe espaço para o público criar uma conexão emocional com o animal, diferentemente do que acontece em Cujo (1983), referência declarada do diretor (que possui outros filmes sobre ataques de animais no currículo, como Medo Profundo (47 Meters Down, 2017) e Medo Profundo: O Segundo Ataque (47 Meters Down: Uncaged, 2019)).

Aliás, se em Cujo os protagonistas se viam encurralados dentro de um carro, aqui o território de abrigo é uma piscina, local onde acontecem os melhores momentos do longa. A exceção fica por conta da cena em um quarto todo iluminado de vermelho, visualmente muito bonita, que mostra que, apesar de todos os contras, não estamos diante de uma produção executada de maneira medíocre e malcuidada. Da fotografia aos efeitos sanguinolentos, parece um filme em que a equipe por trás das câmeras está apostando bastante, e que vem chamando a atenção do público lá fora. Por aqui, na sessão de pré-estreia da qual participei, vi muita gente se divertindo genuinamente. Então, quem sabe valha a pena dar uma chance?

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *