4.7
(3)

Chucky - 3ª Temporada
Original:Chucky - Season Three
Ano:2023-2024•País:EUA
Direção:Jeff Renfroe, John Hyams, Samir Rehem, Amanda Row
Roteiro:Alex Delyle, Amanda Blanchard, Catherine Schetina, Diana Pawell, Don Mancini, Isabella Gutierrez, Josh E. Jacobs, Nick Zigler, Rachael Paradis
Produção:Don Mancini, Nick Antosca, David Kirschner, Harley Peyton, Alex Hedlund, Jeff Renfroe
Elenco:Zackary Arthur, Björgvin Arnarson, Alyvia Alyn Lind, Devon Sawa, Brad Dourif, Jennifer Tilly, Fiona Dourif, Carina London Battrick, Lara Jean Chorostecki, Jackson Kelly, Callum Vinson

Após o fraco O Culto de Chucky (2017), foi um prazer ver a franquia do brinquedo assassino ganhar novo fôlego com a aclamada primeira temporada de Chucky (2021). Mas, se na segunda temporada (2022) já presenciávamos o início de uma queda na qualidade, na terceira testemunhamos o seu tombo.

Os problemas começaram antes mesmo da estreia. As filmagens foram interrompidas por causa da greve do Sindicato dos Roteiristas da América, resultando em um hiato entre julho e novembro de 2023. A temporada acabou dividida em duas partes: os quatro primeiros episódios saíram em outubro de 2023, enquanto o restante foi lançado apenas em abril de 2024. E a diferença entre elas é gritante. Se a primeira metade consegue ser ainda mais sombria e divertida do que as anteriores, a segunda parece um trem desgovernado que ajudou a afundar a série de vez.

A história se passa um ano após os eventos do segundo ano. Jake (Zackary Arthur), Devon (Björgvin Arnarson) e Lexy (Alyvia Alyn Lind) ainda estão se recuperando dos eventos traumáticos vividos na Catholic School of the Incarnate Lord e usam as redes sociais para tentar descobrir o paradeiro de Caroline (Carina London Battrick). Enquanto isso, Chucky (Brad Dourif) tenta reconquistar a confiança de Damballa, que o abandonou após o exorcismo que sofreu na temporada anterior. Envelhecendo rapidamente, o boneco vê sua “imortalidade” ameaçada e precisa realizar um sacrifício grandioso para cair novamente nas graças da sua entidade protetora.

Depois de uma tentativa frustrada de massacre em Amityville, Chucky decide partir para o que seria considerado, ironicamente, o lugar mais perigoso do mundo: a Casa Branca. Ele acaba nas mãos de Henry Collins (Callum Vinson), filho caçula do presidente dos EUA, James Collins (Devon Sawa). Sem alternativa, nosso trio de heróis se infiltra na residência oficial do governo norte-americano. Em meio a assassinatos misteriosos cometidos pelo aparentemente inofensivo boneco Good Guy, a temporada passa a assumir um interessante clima de “história de detetive” à la Agatha Christie.

Ainda que toda a franquia Child’s Play seja fundamentada no ocultismo — com rituais de vodu e transferência de alma — os elementos sobrenaturais inseridos aqui foram completamente desnecessários. Em certos momentos, a impressão é de estar assistindo a algo mais próximo de Os Fantasmas se Divertem do que de Brinquedo Assassino. A ideia de simular a morte de um personagem para que ele encontre o vilão “do outro lado” e depois seja ressuscitado soa como uma fórmula já desgastada. Esse recurso só serviu mesmo para Jake ter tido a chance de perdoar o pai e encerrar esse arco — algo extremamente difícil de acontecer nessa série.

Fica a sensação de que Don Mancini não consegue concluir suas histórias. O apego às próprias criações parece interferir no desenvolvimento da trama. Isso não significa que personagens queridos como Andy, Kyle ou Glen/Glenda precisem necessariamente morrer, mas é inegável que está cada vez mais difícil amarrar tantas pontas soltas.

E o que dizer sobre o final? Mais uma vez, não há exatamente um encerramento, apenas foi dado mais linha em um punhado de histórias. Tiffany (Jennifer Tilly) volta à forma de boneca e se reconcilia com Chucky, fugindo com Caroline, enquanto o momento mais surpreendente — e também mais estranho — mostra Jake, Devon e Lexy aprisionados em corpos de marionetes, sendo encontrados por Nica (Fiona Dourif).

A decisão de levar Chucky à Casa Branca foi, sem dúvida, a escolha mais acertada da temporada. O tom político, que já vinha crescendo, ganha força, incluindo momentos em que o boneco cogita bombardear cidades como Pyongyang e Moscou.

O humor ácido ainda rende boas cenas — como a hilária consulta médica de Chucky. As mortes continuam criativas e tecnicamente bem executadas; a cena em que o presidente Collins é assassinado, por exemplo, está entre as minhas favoritas. Mas nem só de mortes sangrentas e piadas sobrevive uma série. O relacionamento entre Jake e Devon também evolui, com destaque para o arco envolvendo a primeira vez do casal. Já Lexy encontra em Grant (Jackson Kelly), irmão mais velho de Henry, seu par ideal. A fragilidade na atuação dos protagonistas não é novidade, e não incomoda muito mais do que nos anos anteriores.

Apesar de parecer mais focada do que a anterior, essa temporada perde o controle em diversos momentos, com excesso de personagens e tramas que soam forçadas. A história paralela de Tiffany na prisão, que deveria funcionar como “alívio cômico“, acaba exagerando e caindo no ridículo. Há uma linha tênue entre humor ácido e comédia escrachada beirando o pastelão. A cena da morte da cozinheira famosa, Evelyn Elliott (Nia Vardalos), controlada pelo vodu de Tiffany, é tão constrangedora que parece ter saído diretamente de um episódio de Mr. Bean. Tiffany Valentine continua sendo uma das melhores personagens da franquia, mas dessa vez foi muito mal aproveitada, seu melhor momento nessa temporada foi justamente na cena que deveria marcar sua “sentença de morte”.

Se a primeira temporada figura entre os melhores produtos da saga — ao lado de Brinquedo Assassino (1988), Brinquedo Assassino 2 (1990), A Noiva de Chucky (1998) e A Maldição de Chucky (2013) — a terceira pode ser colocada ao lado de O Filho de Chucky (2004), O Culto de Chucky e da temporada anterior como os piores. Confesso que fiquei aliviado com o fim da série, estava cada vez mais difícil acompanhar o rumo que história estava tomando. Tomara que, no futuro, a franquia volte aos trilhos e se aproxime mais do clima sombrio de A Maldição de Chucky.

Por questões financeiras, a série foi cancelada — algo que já parecia inevitável. Como toda série, Chucky tinha um prazo de validade e foi até onde deu, até mais longe do que deveria. Mas isso não significa o fim definitivo. Como o próprio Don Mancini disse, Chucky sempre volta. O desafio agora será encontrar uma forma digna de dar continuidade — e, principalmente, um desfecho coerente — a tantos personagens acumulados ao longo dos anos. Atualmente, a série está disponível no catálogo do Disney+.

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