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Pânico: A História por Trás do Filme
Original:Scream: The True Story
Ano:2022•País:EUA
Direção:Tom Jennings
Roteiro:
Produção:David Tomlin
Elenco:Nicholas Calderon, Theresa Croftm, Jackie Green, Olivia Hytha, Steve Shippy, Cindy Kaza, Michael Salerno

A trajetória dos slashers pela Sétima Arte sofreu uma mudança significativa em 1996, quando Casey (Drew Barrymore) atendeu um telefonema ameaçador, enquanto se preparava para uma sessão de filme e pipoca. Desde então o entretenimento deu as mãos ao horror teen de mistério e investigação, proporcionando uma longa franquia com o selo Wes Craven e a escrita criativa de Kevin Williamson. E, claro, que os verdadeiros fãs de Ghostface, um invasor doméstico com propósito vingativo, já devem saber que o fio tênue condutor do ponto de partida envolveu a série de assassinatos cometidos por Danny Rolling, popularmente conhecido como o Estripador de Gainesville.

Em quatro dias, entre 24 e 27 de agosto de 1990, Danny assassinou cinco estudantes universitárias em um massacre gráfico, envolvendo facadas, estupro e decapitação. Depois, descobriu-se que no ano anterior, quando residia em Shreveport, ele já havia feito três vítimas: William Grissom, de 55 anos, sua filha Julie, de 24, e seu neto Sean, de 8 anos. A condição dos corpos permitiu a conexão, assim como a própria confissão do assassino, preso numa tentativa de roubo. Condenado à morte e executado por injeção letal em 2006, seus crimes trouxeram paralelos com os de Ted Bundy e atraíram a atenção de Kevin Williamson no conceito de jovens sendo mortos por um assassino mascarado em um campus.

Há vários materiais na internet sobre os crimes, como vídeos do youtube, e reportagens que fizeram partes de programas investigativos, alguns com detalhes gráficos dos atos perversos de Danny Rolling. No entanto, se você tem curiosidade por documentários de true crime e está curioso para saber mais detalhes do que aconteceu na época, como foi o julgamento e prisão, sugiro que passe longe, a quilômetros de distância, de Pânico: A História por Trás do Filme (Scream: The True Story, 2020), o primeiro episódio da terceira temporada da série de investigação paranormal “Shock Docs“. Trata-se de um exploitation moderno que, além de ser bem cansativo e mal realizado, presta um desserviço ao conteúdo que interessa e ainda desrespeita as vítimas ao — praticamente — inocentar Danny, com a justificativa de um envolvimento demoníaco.

Em seus depoimentos na época, por um tempo, Danny Rolling chegou a dizer que possuía uma dupla personalidade a qual a chamou de “Gemini“, uma entidade maligna que assumia seu corpo e o fez cometer os crimes. Uma ideia que durou pouco tempo, ainda mais depois que descobriram que uma semana antes de ser preso ele havia assistido a O Exorcista III  (The Exorcist III, 1990), em que há referências ao “Assassino Geminiano“, o espírito de um assassino morto que continua cometendo seus crimes possuindo pessoas como o próprio Padre Karras. Só essa informação já invalida toda a narrativa de possessão demoníaca, mas, para fins oportunistas, o episódio foi realizado em um show de absurdos, interpretações rasas e bobagens inverossímeis.

Com a narração gutural de Steve Shippy, creditado como Investigador Paranormal, apoiado pela médium Cindy Kaza, eles decidem investigar o lado sobrenatural dos crimes, passando inicialmente pelo acampamento de Danny Rolling, próximo da universidade onde os crimes foram cometidos. Com aparelhos de gravação EIP e outros acessórios, eles ouvem risadas na mata, gravam por diversas vezes o que seria a “voz de Danny” assumindo seus atos para posteriormente relacioná-los ao demônio. A câmera nervosa mostra a curiosidade dos dois, a fogueira crepitando e a escuridão, apoiados por sons de suspense. São tantas manifestações, incluindo um empurrão em Steven e uma sombra que o abraça, que fica difícil levar a sério tudo aquilo. E o que mais impressiona é a seriedade da dupla, sem mostrar sequer uma sensação incômoda diante do desconhecido.

Depois eles ainda farão reportagens na casa de infância de Danny, onde uma senhorinha que reside lá diz ser perturbada por poltergeists, incluindo um beliscão no mamilo do marido. Eles pedem ajuda a Michael Salerno, um demonologista cristão, para a realização de um exorcismo no local. As cenas são intercaladas por imagens de arquivo de Danny, fotos da família, desenhos feitos pelo assassino para ilustrar sua perturbação demoníaca. Há o depoimento de uma ex-companheira de Danny e do promotor que auxiliou na condenação e que deve ter se arrependido de ter participado de um mockumentary que contesta suas acusações.

O título oportunista pode levar os fãs de Pânico a conferir o episódio na HBO, imaginando o conteúdo informativo. Não há. O programa sugere que o próprio pai de Danny possa também ter sido possuído pela entidade para camuflar a violência doméstica cometida. Para piorar, cenas de “reconstituição“, com performances canastronas, completam o desastre mostrando, inclusive, o momento no acampamento em que Danny poderia ter sido visitado por uma entidade na mata, transformando o homem solitário em um psicopata violento. Ainda que quisessem fantasiar em cima do massacre — vide os frutos de Ed Gein e o próprio Pânico (1996) —, poderiam partir para a ficção assumida e não como um documentário da Discovery, e tratar todo o material como um entretenimento de mau gosto.

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