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Até o Vento tem Medo
Original:Hasta el viento tiene miedo
Ano:1968•País:México
Direção:Carlos Enrique Taboada
Roteiro:Carlos Enrique Taboada
Produção:Jesús Grovas
Elenco:Marga López, Maricruz Olivier, Alicia Bonet, Norma Lazareno, Renata Seydel, Elizabeth Dupeyrón, Rita Sabre Marroquín, Irma Castillón, Rafael Llamas

Até o Vento tem Medo (1968) é uma produção mexicana escrita e dirigida por Carlos Enrique Taboada (Veneno para as Fadas). Fortemente influenciado pelo melodrama e pela então incipiente linguagem das telenovelas, esse telefilme se utiliza de um formato de forte apelo popular para criar uma narrativa sombria e assustadora.

O filme conta a história de Claudia (Alicia Bonet, de O Escapulário), uma jovem que estuda em um internato e é assombrada por estranhos pesadelos envolvendo uma garota que se suicidou. Esses pesadelos parecem ter alguma relação com uma torre localizada dentro do terreno do colégio, que permanece sempre trancada – supostamente para a segurança das alunas.

Após invadir a torre para investigar suas suspeitas, Claudia e suas amigas são deixadas de castigo durante as férias. Agora, presa em um colégio quase vazio, a protagonista passa a suspeitar que a tal torre guarda o fantasma de uma antiga aluna do internato, aparentemente em busca de vingança contra aqueles que foram – direta ou indiretamente – responsáveis por sua morte.

Embora seja uma produção de horror (e funcione muito bem como tal), Até o Vento tem Medo também dialoga com outro gênero muito popular no México: o melodrama. Assim, além das sugestões de uma ameaça sobrenatural, o filme também explora características melodramáticas, como excesso emocional, segredos do passado e conflitos morais bem definidos.

Outra característica do melodrama é o uso de personagens estereotipadas. E isso também é notável aqui. Claudia é vista apenas como uma jovem inocente e, dentre seu grupo de amigas, poucas recebem características individuais.

Da mesma maneira, é possível questionar algumas das decisões do roteiro, como ao colocar as garotas para fazer um strip-tease sem qualquer motivo aparente ou ao introduzir um novo personagem em determinado momento da narrativa, somente para descartá-lo em seguida.

Ainda falando sobre a estrutura, a obra também tem uma forte influência das narrativas televisivas da época, especialmente do formato das telenovelas (que teve início no Méxco apenas 10 anos antes do lançamento desse filme). Nota-se, por exemplo, a tendência do roteiro em explicar tudo o que está acontecendo por meio de diálogos expositivos, enquanto a direção de fotografia privilegia o uso de câmera parada, com os personagens quase sempre no centro do quadro.

Porém, as características mencionadas anteriormente não devem ser vistas como problemas ou limitações narrativas, já que servem para incentivar o diretor a ser ainda mais criativo nas suas cenas de terror. E é justamente no terror que Carlos Enrique Taboada explora todas as potencialidades da sua história.

Embora nunca esconda a presença do fantasma, o diretor desenvolve as suas aparições de forma crescente. Em um primeiro momento, o fantasma aparece para perturbar a ordem daquele lugar. Em seguida, ele revela segredos antes ocultos. E, por fim, ele toma conta dos personagens para exercer sua vingança. Aliás, a virada para essa terceira etapa – a da vingança – é um tanto surpreendente.

Outro ponto positivo do roteiro é ao apostar no recurso do foreshadowing, técnica em que a narrativa antecipa eventos futuros. Com isso, os pesadelos de Claudia deixam de ser uma visão do passado e passam a assumir um caráter premonitório, ao mesmo tempo em que a narrativa adota uma estrutura circular.

Em conclusão, Até o Vento tem Medo é uma obra que mistura a linguagem do melodrama, da telenovela e do terror. E por mais que essa combinação de gêneros e estilos possa, até certo ponto, sacrificar um pouco da narrativa, ela também possibilita – e incentiva – o diretor exercitar sua veia criativa. O resultado é uma grata surpresa — e um filme que merece ser (re)descoberto.

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1 comentário

  1. Eu AMO esse filme! É o meu segundo filme de terror mexicano favorito.
    Um filme gótico moderno, e uma história de fantasma de verdade!
    É um filme excelente!

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