![]() O Duende Perverso
Original:Leprechaun 6: Back 2 Tha Hood
Ano:2003•País:EUA, Índia Direção:Steven Ayromlooi Roteiro:Steven Ayromlooi Produção:Mike Upton Elenco:Warwick Davis, Tangi Miller, Laz Alonso, Page Kennedy, Sherrie Jackson, Donzaleigh Abernathy, Sticky Fingaz, Keesha Sharp, Sonya Eddy, Beau Billingslea, Christopher Murray, Vickilyn Reynolds, Willie C. Carpenter |
Warwick Davis atuou como o Duende pela última vez em O Duende Perverso, também conhecido como O Duende 6, lançado em 2003, com a direção e roteiro de Steven Ayromlooi. Embora seja um sexto filme, ele é uma espécie de “parte 2” do anterior, O Duende Assassino: A Maldição (2000). A relação se deve ao título original — o quinto filme recebeu o nome Leprechaun in the Hood e este sexto, Leprechaun 6: Back 2 Tha Hood — e ambos serem ambientados nos guetos americanos. Trata-se do que antigamente era chamado blaxploitation, um subgênero que teve seu período produtivo nos anos 70, destacando Shaft (1971), Blacula (1972), Coffy: Em Busca da Vingança (1973), e muitos outros. É melhor que o filme anterior, com um enredo que valoriza um pouco mais o vilão, mas está longe de ser recomendável.
A trajetória de Davis como Duende começou em 1992 com O Duende, de Mark Jones, contando com uma novinha Jennifer Aniston. Já não foi grande coisa para inspirar O Retorno do Duende (1994), de Rodman Flender. Este foi seguido por O Duende Assassino (1995), o melhorzinho da franquia, e o pavoroso O Duende 4: No Espaço (1996), ambos dirigido por Brian Trenchard-Smith, que pretendia comandar um quinto filme, ambientado na Casa Branca, algo como Chucky fez na terceira temporada de sua série. Como não conseguiu a aprovação da Lionsgate para a realização, Rob Spera assumiu a direção de O Duende Assassino: A Maldição. O mesmo aconteceu com Ayromlooi, quando escreveu um roteiro ambientado numa ilha tropical e não foi aprovado, mantendo-o no comando desde que fizesse as mudanças sugeridas.
Uma característica que incomoda na série O Duende e a condição independente de cada exemplar. A mitologia da criatura mudava de um filme para outro, e seu retorno não tinha conexão com a morte no anterior. No primeiro, o Duende só temia o trevo de quatro folhas e era obrigado a limpar sapatos; no segundo, a única ameaça ao vilão era um ferro fundido e ele poderia realizar três desejos e se casar com uma moça que espirrasse três vezes. Um medalhão poderia torná-lo uma estátua no terceiro longa, além de cada moeda de ouro dar a chance de você fazer um pedido e, caso seja mordido pelo monstrinho, poderia se transformar nele. Já sua aventura no espaço o tornou um alienígena gigante, com urina poderosa. O Duende Assassino: A Maldição voltou a ter estátua e medalhão, assim como a força do trevo e a fala rimada, algo que também variava entre os filmes.
O quinto filme foi o único que não culminou com a morte do Duende. Ele encerrou o filme como um produtor musical de hip-hop, com diversas piadinhas sobre drogas, e nenhuma personagem feminina. Felizmente, algumas dessas ideias foram descartadas em O Duende Perverso. Começa bem interessante contando a história antiga dos duendes, com a animação de páginas de livro, no aspecto de uma fábula. Diz que nos tempos antigos, para proteger sua fortuna, os reis convocavam duendes para defendê-la. Após a batalha, todos retornavam à terra, mas um deles foi cobiçado pelo ouro e não quis retornar. Saltando para os tempos atuais — em 2002 —, o Padre Jacob (Willie C. Carpenter) está confrontando o Duende para ficar com o ouro e investir em um centro juvenil no gueto de Los Angeles. Ele mistura água benta com um trevo de quatro folhas e invoca a terra, através de várias mãos, para aprisionar o duende, morrendo logo em seguida pelos ferimentos. Uma conclusão interessante e bem realizada e que poderia ser a de toda a franquia.
No ano seguinte, as amigas Emily Woodrow (Tangi Miller) e Lisa Duncan (Sherrie Jackson) estão sem perspectivas para o futuro e aceitam a ajuda da mística Esmeralda (Donzaleigh Abernathy), que diz que elas terão acesso a uma grande riqueza, mas devem negá-la, pois isso trará perdição. Mais tarde, elas se reúnem com os amigos Rory Jackson (Laz Alonso), ex-namorado de Emily, e Jamie (Page Kennedy) para churrasco no local onde o duende foi puxado no prólogo. Emily cai em um buraco e encontra o ouro do Duende, libertando também a criatura. Eles dividem a fortuna e mudam de vida, comprando carro e roupas e dando um trato no visual.
Logo, o Duende começa a fazer vítimas, assim como também retorna o humor pastelão e sem graça, como o que acontece na cozinha. Em vez de simplesmente torná-lo um monstro vingativo, o roteiro irregular de Ayromlooi opta por momentos desnecessários com o vilão se drogando e fazendo piadinhas irritantes. Quando percebem a ameaça, coincidentemente Jamie revela que anda encontrando trevos de quatro folhas nas ervas (jura?), algo que será usado por Rory para colocar nas balas de um revólver, apesar da informação do amigo sobre a arma às vezes travar. Além deles há um grupo de jovens que dominam a área, cobram dívidas e fazem ameaças: se você não viu o filme, obviamente já sabe que eles só servirão para aumentar o número de mortes.
O combate final com a criatura é até divertido, mostrando uma grande resistência do inimigo em lutas pelo prédio e no alto dele. Dificilmente você terá simpatia pela protagonista até pelo fato dela continuar se interessando pelo babaca do Rory, mesmo depois de ele ignorá-la para ficar com outra. Quando você percebe que o roteiro quer insistir em tornar o rapaz o herói do filme, o interesse pela sobrevida de todos vai para o espaço. Há algumas mortes violentas e efeitos até aceitáveis para uma sexto filme, realizado com baixo orçamento, mas não valem a recomendação. Se tivesse se encerrado no prólogo, como um curta-metragem, O Duende 6 teria dado um final digno ao esforço interpretativo de Warwick Davis. Contudo, como os personagens que cobiçam o ouro do Duende, há produtores que somente pensaram em lucrar com o lançamento nas locadoras, a despeito de uma narrativa mais interessante.






