5
(1)

Horror in the High Desert 4: Majesty
Original:Horror in the High Desert 4: Majesty
Ano:2025•País:EUA
Direção:Dutch Marich
Roteiro:Dutch Marich
Produção:Charlize Lane, Kenton McElroy
Elenco:Laurie Felix Bass, Suziey Block, Dutch Marich, David Morales, John Davis Walker

A estrada para o Inferno nem sempre é pavimentada com boas intenções. Basta ver o longo caminho percorrido pela franquia Horror in High Desert, explorando um acontecimento real de desaparecimento para ampliá-lo para uma população de pessoas parecidas, árvores que se movem, uma mina que dá acesso a uma cidade… a despeito do pontapé inicial de toda a jornada assustadora. O enredo é baseado no mistério do mochileiro Kenny Veach, que desapareceu em 10 de novembro de 2014, quando disse que iria explorar uma caverna em formato de M, registrando os passos de sua investigação para seus seguidores do youtube. Em um de seus últimos vídeos, ele relatou: “A entrada da caverna tinha a forma de um “M”. Sempre que encontro uma caverna, gosto de entrar… mas quando entrei lá meu corpo inteiro começou a tremer. Quanto mais me aproximava da boca daquela caverna, mais severa se tornava a vibração em todo o meu corpo. Finalmente me assustei e saí de lá. Foi uma das coisas mais estranhas que já aconteceu comigo“. Gravações de áudio alimentaram os arrepios sobre o mistério, com relatos sobre terem ouvido uma mulher gritando no local, no que foi apelidado de “Minerva Sound“.

Com essa base real, Dutch Marich desenvolveu o primeiro Horror in High Desert, substituindo Kenny por Gary Hinge (Eric Mencis). Em 2017, ele teria chegado ao deserto de Great Basin, em Nevada, a partir da cidade de Ruth, para investigar a tal caverna em formato M. Relatos de parentes, da jornalista Gal Roberts (Suziey Block) e do investigador particular William ‘Bill’ Salerno (David Morales) serviram para o episódio verdadeiro ser bem lembrado, despertando curiosidades e arrepios. O longa de 2021, sob o formato mockumentary (falso documentário), não se destacou na proposta, ainda que tenha uma boa narrativa e faça bom uso do material real de Kenny. Ao final, youtubers intrigados com o que viram sairiam para continuar a investigação, estabelecendo um gancho para a parte 2.

 

Horror in the High Desert 2: Minerva, de 2023, já não tinha mais conteúdo real para trabalhar e dependeu absolutamente da criatividade do roteiro de Marich. Em vez de continuar a partir do que deixou transparecer no final do anterior, optou por apresentar outra desaparecida, Minerva (Solveig Helene), na cidade de Cypress, Nevada. Mantendo a estrutura de documentário e found footage, a garota trocava vídeos com a amiga Cathy (Sami Sallaway), quando desapareceu. Materiais encontrados como gravações não enviadas à amiga e pinturas de rostos em árvores, de um estranho culto e de entidades ocultas mostraram que há muito mais nesse mistério do que uma caverna estranha no deserto. Marich aumentou a mitologia da franquia, mas não trouxe respostas sobre Gary, sobre investigações de youtubers e nem nada, trazendo novamente declarações de Gal e Salerno, repetindo uma frase em praticamente todos os filmes: “Isso mudou tudo.

Na verdade, mudou realmente tudo a partir do terceiro filme, Horror in the High Desert 3: Firewatch, de 2024. Se o primeiro já se mostrava suficiente para a proposta, o segundo ampliou de tal forma que provavelmente Marich não soube o que fazer com o monstro criado. Apresentou o aventureiro mexicano Oscar Mendoza (Marco Antonio Parra), que partiu para a região para investigar por conta própria, aproveitando que os incêndios na região permitiram sua livre movimentação. Com gravações que repetem até posicionamento de Gary, Oscar partiu para um trecho ferroviário conhecido como Desvio Edna para alcançar um vilarejo, atravessando uma longa caverna, em filmagens intermináveis em que ele relata estar sendo observado e consegue flagrar o que parece ser o ataque de árvores — o infernauta que quiser ver mesmo o que ele gravou terá que pausar o vídeo no momento.

Sem respostas mas se mostrando financeiramente atrativo, Marich lançou ano passado o quarto filme, Horror in the High Desert 4: Majesty. Trata-se de algo abominável, cansativo, sonolento, e que não serve para nada que não seja demonstrar oportunismo e enrolação. Apresenta Dolly Broadbent (Laurie Felix Bass), que cresceu no rancho Majesty, até o local ser consumido por um incêndio. O marido de Dolly, Gerald, resgatou o que sobrou da tragédia, incluindo coisas mantidas nos porões, como uma caixa que havia desaparecido por décadas. O que havia ali deixou o pai de Dolly, Beau Hayden (John Davis Walker), completamente transtornado, paranoico.

Ele traz gravações e a linha do tempo feitas por Beau, tempos depois que se mudaram para o rancho Majesty, em 1969. O senhor via pessoas na propriedade, algumas “parecidas conosco, outras não”, “algumas temem a luz do dia, outras não“, e passou a fazer registros disso, com fotos e gravações — e você achava que o found footage começou nos anos 80, com Cannibal Holocaust! E são essas gravações que permeiam todo o filme, com comentários novamente de Gal e Salerno, únicos vínculos da franquia. Poderia ser interessante, mas trazem registros longos e cansativos, com o homem investigando movimentações na propriedade, seguindo luzes durante minutos intermináveis até aparecer algo e a gravação cortar: o que mais se vê são esses passeios pela mata, com árvores e mais árvores, casas decrépitas, movimentos na própria moradia dele — repetições da mesma ideia usada no segundo e terceiro filmes. Não explica onde estariam sua esposa Nancy e a própria filha Dolly, se elas estão escondidas ou alocadas para a cidade.

Nossa busca é por encontrar algumas respostas“. Diz a narração, mas não é o que acontece. Beau até atravessa a mina por onde Oscar passou, vê algumas coisas cabeludas numa movimentação de poucos segundos, obrigando mais uma vez o infernauta a interromper o filme para encontrar o Wally. Ainda que em todos os filmes os relatos sejam de “várias aparições“, como se fosse uma comunidade à espreita, quando aparece algo estranho, é só um exemplar e nada mais. O próprio Beau chega a questionar se aquilo tudo não seria ações de vândalos para fazê-los vender a propriedade, o que extrairia qualquer influência sobrenatural. Mas nem isso se justifica.

Embora esteja sendo aterrorizando por essas presenças e tenha feito alguns registros, ainda assim ele continua morando ali. Gal diz que rancheiros não conseguiriam se estabelecer além de sua propriedade, mas fica a pergunta: e se vendessem todo o terreno, não teria um dinheiro bom para buscar um lugar mais simples e sem ameaças? Horror in the High Desert 4: Majesty se mostra dispensável e desnecessário para a compreensão da franquia, ainda mais por simplesmente esquecer do sumiço de Gary e Oscar e a morte de Minerva: “o condado não quis se aprofundar na investigação.” Então existe algo ali que autoridades sabem a respeito, mas preferem manter distância! Mas, quanto menos respostas, mais curiosos são atraídos para lá, em um ciclo de desaparecimentos misteriosos sem fim.

Para quem achava que o quarto poderia finalmente encerrar a série, esqueça. Ao final, mais um gancho faz a ponte para o próximo. Marich já revelou o título: Horror in the High Desert 5: Mantis, a partir de um informante do vilarejo de onde estariam vindo as criaturas sinistras. Se é que existe algo assim. Preferia simplesmente ter visitado a caverna em formato M e mais nada.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 1

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *