5
(1)

Os Sete Relógios de Agatha Christie
Original:Agatha Christie's Seven Dials
Ano:2026•País:UK
Direção:Chris Sweeney
Roteiro:Chris Chibnall, Agatha Christie
Produção:Rebecca Roughan
Elenco:Mia McKenna-Bruce, Edward Bluemel, Martin Freeman, Helena Bonham Carter, Hughie O'Donnell, Alex Macqueen, Dorothy Atkinson, Mark Lewis Jones, Tim Preston, Ella-Rae Smith, Iain Glen, Nyasha Hatendi, Nabhaan Rizwan, Corey Mylchreest, Robinah Kironde, Josef Davies

Mistério, assassinato, conspiração são comumente encontrados na literatura intrigante da escritora inglesa Agatha Christie. Mais uma de suas publicações, desta vez lançada em 1929, com o título nacional “O Mistério dos Sete Relógios“, foi adaptada na curiosa minissérie Os Sete Relógios de Agatha Christie, com seus três episódios disponíveis na Netflix. Com produção da Orchid Pictures e criação e roteiro de Chris Chibnall, ela traz no elenco rostos conhecidos como o de Martin Freeman (o Bilbo da franquia Hobbit), Helena Bonham Carter (de Clube da Luta e da franquia Enola Holmes) e Iain Glen (Game of Thrones).

No enredo, cinco anos após a morte de Lord Caterham (Glen) na Plaza de Toros de Ronda, a viúva Lady Caterham (Carter) alugou a propriedade para a realização de uma festa organizada pelo magnata do aço Sir Oswald Coote (Mark Lewis Jones). É nesse evento que a filha dela, Lady Eileen “Bundle” Brent (Mia McKenna-Bruce), tem intenções românticas com Gerry Wade (Corey Mylchreest), amigo de seu falecido irmão e um dos convidados do Ministério das Relações Exteriores. Sabendo que ele costuma acordar tarde, seus amigos Ronny Devereux (Nabhaan Rizwan) e Bill Eversleigh (Hughie O’Donnell), escondem oito despertadores em seu quarto, sem imaginar que, na manhã seguinte, Gerry seria encontrado morto por overdose de medicação para dormir.

Bundle não quer acreditar na teoria de suicídio e, em um acesso de raiva no quarto dele, ela encontra uma carta que ele escreveu para a irmã, Loraine (Ella-Rae Smith), alertando-a sobre os “Sete Mostradores” — uma tradução mais adequada para “dials” do título. Embora a New Scotland Yard não se interesse por uma investigação aprofundada, a garota percebe sempre a presença do Superintendente Battle (Freeman), observando nas proximidades, e acaba encontrando Ronny baleado na estrada. Antes de morrer, ele menciona os tais sete mostradores e pede que a jovem fale com Jimmy Thesiger (Edward Bluemel).

Investigando o que seriam os Sete Mostradores, Bundel é conduzida a uma boate decadente de Londres, onde encontra o ex-funcionário de sua mãe, Alfred (Josef Davies), e descobre uma reunião secreta com seis pessoas mascaradas, com relógios no rosto, mencionando a ausência de uma sétima. Tudo parece ter relação com um encontro que George Lomax (Alex Macqueen), o Subsecretário do Ministério das Relações Exteriores, vai organizar numa mansão no fim de semana, contando com a presença do inventor Dr. Cyril Matip (Nyasha Hatendi), que pretende apresentar sua criação ao governo britânico, e quase foi vítima de uma mulher misteriosa em 1920, na ocasião da morte de Lord Caterham.

No encontro, entre o pedido de casamento de Lomax e a sensação de que Matip poderá ser roubado, Bundle reencontra Battle, sem a astúcia dos detetives criados por Agatha Christie, e precisará desvendar o assassinato de Wade, o atentado sofrido por Thesiger e a relação com o clube secreto, culminando em perseguições e a fuga em um trem. Algumas pistas e teorias podem ajudar o infernauta mais atento, embora a resolução do mistério e a principal motivação estejam distantes dessa possibilidade e também da obra original, em liberdades criativas capazes de incomodar os fãs da escritora.

Os Sete Relógios de Agatha Christie é uma boa produção, com cenários belíssimos, cores alegres e elenco de primeiro escalão, contando com o carisma bem-humorado e intrometido de Mia McKenna-Bruce. No entanto, se é possível enaltecer o enredo adulto e o uso discreto da principal linha narrativa da escritora, por outra a condução deixa bastante a desejar. Lento, verborrágico e com humor discreto, a minissérie não empolga, com doses rasas de tensão e uma necessidade exagerada de parecer inteligente. Parece tentar emular Knives Out, mas com personagens não tão bem desenvolvidos como Rupert ‘Pongo’ Bateman (Tim Preston), bastante mencionado e sem nenhuma razão de existir ali.

Talvez se fosse enxugada em apenas um filme, Os Sete Relógios de Agatha Christie teria um resultado melhor, e poderia até empolgar Gerry Wade e ele não dormiria nem com medicamento. Deixa uma ponta para uma segunda temporada, algo como uma versão alternativa de Enola Holmes, porém, mesmo sendo fãs de mistérios do estilo whodunit, espero que não aconteça.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 1

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *