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POV: Presença Oculta
Original:Bodycam
Ano:2025•País:Canadá
Direção:Brandon Christensen
Roteiro:Brandon Christensen, Ryan Christensen
Produção:Chris Ball, Brandon Christensen, Kurtis David Harder
Elenco:Jaime M. Callica, Sean Rogerson, Catherine Lough Haggquist, Angel Prater, Keegan Connor Tracy, Chris Casson, Elizabeth Longshaw, Colette Nwachi, Joe Perry, Kevin Doree

As “bodycams“, aquelas câmeras acopladas aos uniformes policiais, têm a função de transmitir segurança, tanto para as vítimas de ocorrências quanto para os próprios agentes, evitando injustiças e abusos. É a principal ferramenta “found footage” do horror POV: Presença Oculta (Bodycam, 2025), produção dirigida por Brandon Christensen (de Night of Reaper, 2025) e que propõe o resgate da fórmula estilizada por A Bruxa de Blair (The Blair Witch Projetc, 1999). Não é o primeiro longa a fazer uso das câmeras corporais, como foi visto, por exemplo, em Operação Obscura (Body Cam, 2020), e também já foi explorada por aqui no reality show Polícia 24 Horas, versão brasileira da série documental Cops.

Agora, imagine se nessas jornadas madrugada a dentro de policiais, no atendimento a chamados, algo fora do comum fosse testemunhado? Além de confusões em bares e violência doméstica, o que aconteceria se os agentes envolvidos se deparassem com uma ocorrência sobrenatural perturbadora, na pior noite de suas vidas? É o que acontece com os oficiais Jackson (Jaime M. Callica) e Bryce (Sean Rogerson), quando recebem uma informação sobre problemas aparentemente domésticos numa casa sinistra em um bairro decadente.

Seus registros corporais passeiam por uma moradia decrépita através de dois “pontos de vista” (a ideia para o título nacional nem um pouco condizente com o original), sendo que Jackson encontra uma mulher desorientada com as roupas sujas de sangue, enquanto Bryce chega a um porão onde há um poço, com a palavra RISE (ascensão) escrita na parede, e um homem carregando algo numa toalha. Apesar de pedir para que mostre suas mãos, o avançar do estranho ocasiona disparos do policial, resultando em uma tragédia.

Disposto a esconder as provas, temendo ouvidoria, perda do cargo e até prisão, tendo a preocupação com a gravidez da esposa, Michelle (Elizabeth Longshaw), Bryce estimula o colega a ajudá-lo, notando que os drogados que circulam pelo lado externo da casa e nas redondezas estão com olhares fixos, indicando que a ação drástica trará consequências ainda mais bizarras e assustadoras. Ambos os policiais irão vivenciar um pesadelo de possessão, olhares mortos e uma bocarra até descobrir o que significa os dizeres “você tirou algo de nós; nós tiraremos algo de você“.

Christensen faz referência pouco discreta ao cult de Eduardo Sánchez e Daniel Myrick, incluindo a pessoa vista de costas, todos os caminhos conduzindo ao mesmo lugar, gritos perdidos e a confissão para a câmera como fez Heather Donahue em 1999. Já o passeio por corredores intermináveis, problemas na lanterna, sons estranhos e aparições digitais — os efeitos no último ato são bem artificiais — são parte do roteiro genérico de centenas de filmes do estilo “found footage“. O roteiro, de Brandon e Ryan Christensen, deixa pontas soltas e situações mal explicadas, mas que são spoilers, orientados no próximo parágrafo.

SPOILERS

Aparentemente, o longa faz simbologia às drogas. Além da entidade alucinar os nóias, a ideia de “elevação” e do nariz sangrando do Oficial Bryce parecem contribuir para essa intenção. Contudo, não se explica por que a Esposito (Angel Prater) foi encontrada amarrada em um local e por que a mãe de Jackson, Ally (Catherine Lough Haggquist), que sabia o que estava acontecendo, foi com a polícia à casa maldita, depois de avisar o filho várias vezes a não voltar lá. Se ela conhecia o risco e viu o filho naquela situação, por que continuou por lá?

FIM DOS SPOILERS

Iniciando de maneira intensa, tanto que boa parte do prólogo é vista no trailer, POV: Presença Oculta perde força entre o meio e o fim, apostando mais no conflito entre os policiais: há o que quer corromper imagens e esconder provas e o que certinho, que entrará de gaiato na maldição proposta. Há alguns sustos ocasionais e uma sensação constante de ameaça, mas não são suficientes para destacar o longa no subgênero. Vale uma espiada pelo esforço do diretor em homenagear o estilo, sem que precise da tela grande para ampliar a experiência.

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