![]() A Múmia Azteca
Original:La momia azteca
Ano:1957•País:México Direção:Rafael Portillo Roteiro:Alfredo Salazar, Guillermo Calderón Produção:Guillermo Calderón Elenco:Ramón Gay, Rosita Arenas, Crox Alvarado, Luis Aceves Castañeda, Jorge Mondragón, Arturo Martínez, Emma Roldán, Julián de Meriche, Salvador Lozano, Jaime González Quiñones |
A contribuição da família Salazar para a expansão do cinema de horror mexicano foi bem significativa, principalmente depois da segunda metade da década de 50. Enquanto Abel atuou em produções mais bem conceituadas como O Morcego (El vampiro, 1957) e O Barão do Terror (El barón del terror, 1962), seu irmão Alfredo, notando a evolução do gênero com a Universal Pictures, saiu um pouco das comédias para escrever o roteiro de diversas bagaceiras sem sentido envolvendo múmias, vampiros, o Monstro de Frankenstein e até o Hombre Lobo. O ponto de partida para essa mudança de sintonia foi a fantasia La bruja, de 1954, com um de seus atores favoritos e galã no México: Ramón Gay.
Ele também seria o protagonista da trilogia da Múmia Azteca, uma trinca de produções bagaceiras realizadas em preto e branco e filmadas concomitantes, explorando o que a Universal havia feito a partir de 1932, com o astro Boris Karloff: A Múmia Azteca (La momia azteca, 1957), A Maldição da Múmia Azteca (La maldición de la momia azteca, 1957) e A Múmia Azteca Contra o Robô Humano (La momia azteca contra el robot humano, 1958), com o mesmo elenco e a direção de Rafael Portillo. Como foram filmadas ao mesmo tempo, nota-se a repetição de cenários, a sobrevida dos personagens e a reutilização de cenas para conter os custos de produção.
Para evitar problemas de direitos autorais com a Universal, Alfredo Salazar e o co-roteirista Guillermo Calderón mudaram a ambientação do Egito para o México, das múmias egípcias para as astecas, ainda que repitam a estrutura narrativa de um romance antigo sendo descoberto e punido, reencarnação e vingança. Eles também exploraram a polêmica envolvendo Virginia Tighe, de Pueblo, Colorado, que passou um processo de hipnose em 1952, comandado por Morey Bernstein, que a conduziu a recordações da infância e de uma outra vida, quando disse ter sido Bridey Murphy, uma mulher que faleceu na Irlanda em 1864, trazendo detalhes de sua vida e morte e que depois foram refutados por pesquisadores.
A Múmia Azteca apresenta o cientista Dr. Eduardo Almada (Ramón Gay), que apresentou em um congresso de neuropsiquiatras sua teoria sobre o hipnotismo ser capaz de descobrir vidas passadas. Sem provas por não ter sido capaz de colocar em prática suas pesquisas pelo risco do experimento, Almada recebe o apoio da namorada Flor Sepúlveda (Rosita Arenas), que se voluntaria para ajudá-lo em suas comprovações científicas. Enquanto ela atravessa o processo de hipnotismo, as ações são observadas pelo ladrão conhecido como O Morcego (Jesús Murcielago Velázquez), ao final revelado como o cientista rival Dr. Krupp (Luis Aceves Castañeda), expulso do meio científico por realizar experimentos mesclando humanos e animais.
Sob hipnose, Flor revela que anteriormente viveu no período asteca como Xochitl, uma jovem que foi preparada durante a vida para ser casta e sacrificada ao deus Tezcatlipoca. Como descobriram seus encontros amorosos com o guerreiro Popoca (Ángel Di Stefani) — uma boa sugestão de nome para um gato —, ambos foram condenados à morte: Popoca foi enterrado vivo, amaldiçoado a ser o guardião de duas relíquias, uma couraça dourada e um bracelete, que possuem informações sobre o local onde se encontra o tesouro asteca; já Xochitl foi apunhalada e enterrada ao lado do amante.
Quando retorna à consciência, Almada percebe que só conseguirá comprovar o experimento se encontrar a tumba da múmia e trazer uma das relíquias para apresentá-la ao congresso. Para tal busca, sob um templo asteca, ele leva o pai de Flor, Dr. Sepúlveda (Jorge Mondragón), e o irmão dela, o medroso e alívio cômico Pinacate (Crox Alvarado), sem saber que o pequeno Pepe (Jaime González Quiñones) se infiltrou na aventura, e o Morcego também está à espreita. A retirada do peitoral despertará a múmia, disposta a se vingar daqueles que a estão roubando até identificar em Flor, uma incrível semelhança com sua amada Xochitl.
Apesar dos aspectos de horror envolvendo uma múmia em maquiagem bagaceira, caminhando lentamente para se vingar, o roteiro também caminha nos mesmos passos. A criatura não terá mais que três minutos em cena, com o enredo se dedicando aos experimentos, ao longo ritual asteca de sacrifício (repetido nas continuações) e a busca à tumba. Não há cenas de ataque da múmia, nem mesmo sequências de assassinatos, em uma história que pouco empolga e é bastante chupinhada do clássico. E há, claro, alguns absurdos sem sentido como o fato de uma múmia asteca ser afastada pela ameaça de um crucifixo, como se fosse um vampiro e ainda ignorando o distanciamento entre o período asteca e o cristianismo.
Somente ao final é revelada a identidade do Morcego como o cientista Krupp: como o mascarado não possui o mesmo corpo de sua verdadeira identidade, são facilmente notados os momentos em que o vilão aparece trocando tiros com a polícia em um corpo mais magro do que quando retiram sua máscara. Dr. Krupp passaria a ser o arqui-inimigo do cientista Almada na trilogia da “múmia azteca“, retornando em um papel maior na continuação A Maldição da Múmia Azteca.
Para os arqueólogos de produções bagaceiras do cinema de horror, pode valer a pena conhecer o ponto de partida de uma trilogia pouco inspirada, seja para rir cada vez que é mencionado o nome Popoca ou de seus absurdos. Não é difícil encontrar essas pérolas no youtube, com opção de legendas traduzidas.






