Como 2018 se tornou um decepcionante ano para a indústria dos jogos de terror

Quando publicamos aqui no Boca do Inferno a lista dos jogos de terror mais aguardados de 2018, estávamos realmente animados com o que o ano prometia. E, infelizmente, saímos frustrados.

Com a consolidação da atual geração de consoles e a proliferação de pequenas e médias produtoras que tiveram bastante destaque com jogos indies reinventando formas de contar histórias sombrias em jogos, 2018 deu uma impressão que tinha tudo para dar certo e reacender o setor que havia sido ovacionado em 2017.

Entre adiamentos e jogos que nem mesmo deram respostas de porque não foram lançados este ano, os lançamentos de maior destaque em 2018 para o gênero foram bastante fracos, principalmente entre aqueles que eram os mais aguardados.

Prometeram muito e entregaram pouco

Definitivamente a maior decepção do ano se deu com Agony, cujo título virou uma piada na comunidade gamer em referência a gigantesca agonia que era terminá-lo. Dominado por uma campanha de marketing orgânico gigantesco (coisa rara hoje em dia), o jogo foi vítima de sua própria ambição, ao querer nos colocar no controle de uma alma que acordava no inferno mais bem criado visualmente, sem saber como chegou ali e numa missão de tentar sair.

Ao invés de horrendo, o jogo nos sujeitou apenas a um gameplay simples, repetitivo, com uma monotonia sem fim, sem nada de realmente interessante para se fazer. O jogo ganha destaque em sua violência visual e enredo até interessante, mas nada compensa o desprazer que é a enfadonha experiência.

Na mesma linha, a aguardada adaptação de um dos elementos da literatura ocultista mais aclamados de Lovecraft, Call of Cthulhu, não surpreendeu em absolutamente nada o público, mesmo que considerado um jogo aceitável, com enredo bastante envolvente e um visual bonito e macabro.

No papel do detetive Edward Pierce e investigando a estranha morte de uma família, você vai parar numa cidade dominada por uma névoa que envenena a mente de todos. É na jogabilidade que Call of Cthulhu falha em trazer ideias tão simplistas e genéricas, um stealth ruim de doer e uma exagerada linearidade mesmo com opções de diálogo que dão uma sensação de que a jornada aqui foi incompleta e o legado de Lovecraft não foi totalmente aproveitado.

E isso porque não irei me debruçar sobre jogos que beiram o desastroso como Metal Gear Survive, ou a impressionante reviravolta no fim da produtora Telltale sem lançar por completo a última temporada de The Walking Dead, que finalizaria a história de Clementine. Por sorte, a Skybound deu continuidade ao projeto.

Os que se salvam

Entre jogos que estão do lado positivo da balança, acho que o maior destaque vai para Remothered: Tormented Fathers, cuja versão completa foi lançada apenas este ano, ainda que já tivesse dado as caras no PC no final do ano passado.

Vindo de uma produtora pequena e explorando a fórmula clássica de se fazer jogos de terror em terceira pessoa, Remothered homenageia games como Clock Tower e Silent Hill. No controle de uma detetive, você precisa desvendar um mistério que acaba virando algo macabro. As boas mecânicas de stealth, o enredo crescente e personagens carismáticos, até nos vilões, dão um toque todo especial ao jogo, mas que também peca pela falta de inovações dentro do gênero.

The Missing: JJ Macfield and the Island of Memories é justamente uma proposta diferente. Numa ilha misteriosa, seu objetivo é encontrar sua melhor amiga que sumiu após você ter um apagão. Com um enredo surpreendente, The Missing também possui uma jogabilidade diferenciada em mecânicas mais inovadoras mesmo para um jogo 2D com grafismo 3D. Tudo isso com um refinado toque de humor mórbido.

E considerado um sucesso de vendas, Vampyr também teve lá seus feitos. Ambientado numa Londres vitoriana, você controla Jonathan Reid, um talentoso médico transformado em vampiro. O RPG de mundo semiaberto sai da zona de conforto de enredos e jogabilidades clássicas, principalmente por nos fazer trabalhar com intensidade seu sistema de escolher vítimas para alimentação do personagem, que impacta no jogo de diferentes formas. Infelizmente, o game chegou cheio de bugs, repleto de problemas técnicos e poucos desafios que exigem mais do jogador, o que sujou sua imagem no lançamento.

Ainda falando de superproduções, um dos jogos que se salvam este ano é State of Decay 2. Com um mundo aberto gigante, mas mal aproveitado, você é um sobrevivente num apocalipse zumbi, vivendo em comunidade, com total liberdade de escolher como vai atingir seus objetivos, do caos explosivo ao stealth. Embora divertido, principalmente em seu modo online, o jogo tem um ar de ultrapassado, sem inovações e zero carisma de seus personagens.

Correndo por fora

É novamente por fora dos grandes estúdios que correm alguns dos melhores jogos que passeiam pelo gênero de terror este ano.

Talvez o único jogo a brincar com elementos de terror aclamado de verdade esse ano seja o recém lançado Dusk. O game é uma homenagem ao design de níveis, combates diretos, armas e estética dos jogos de tiro clássicos dos anos 90.

Com ritmo insano e trilha sonora explosiva com inspirações em heavy metal, o jogo é um mundo aberto, onde a sociedade desabou e a humanidade enfrenta sua extinção. Você assume o papel do último sobrevivente da cidade, precisando enfrentar os terrores que causaram essa devastação, buscando alimentos e itens para cumprir seus objetivos.

Considerado por muitos como “o sonho de um fã de atirador retrô que se tornou realidade”, Dusk mistura elementos de clássicos como Quake e Doom.

Que venha 2019

A conclusão que chegamos dos jogos de terror em 2018 é que, mesmo entre os melhores lançamentos, nada foi exatamente marcante. Até os maiores sucessos de crítica possuem francas ressalvas.

Num ano de produções idolatradas como Red Dead Redemption 2, Spider Man e o premiado game do ano God of War, o gênero de terror se apequenou um pouco. Aliás, 2018 foi um ano repleto de muitos jogos como há tempos não víamos, mas com a estranha sensação que a qualidade da maioria desses produtos não acompanhou realmente a evolução do mercado.

Para 2019 ficam boas expectativas com lançamentos já programados para o primeiro trimestre como o remake de Resident Evil 2, Metro Exodus e Days Gone, sem falar em produções menores que ainda não possuem data de lançamento definida. Mas ainda assim, é bom manter as expectativas num patamar seguro.

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Samuel Bryan

Samuel Bryan

Jornalista, acreano, tão fã de filmes, games, livros e HQs de terror, que se não fosse ateu, teria sérios problemas com o ocultismo. Contato: games@bocadoinferno.com.br

2 comentários em “Como 2018 se tornou um decepcionante ano para a indústria dos jogos de terror

  • 31/12/2018 em 13:41
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    o autor não chegou em conclusão nenhuma, apenas reclamou de forma altamente tendenciosa dos jogos que ele não gostou, falou falou falou e não chegou á lugar nenhum, isso não é um artigo, é só um desabafo, algumas das opiniões completamente equivocadas e vão de encontro com o consenso do público em geral, ao ponto de nem compensar argumentar

    e não citou Visage,sucessor espiritual de P.T. amplamente considerado um grande jogo de terror lançado este ano em Early Access com 89% de avaliações positivas na Steam

    Resposta
    • 03/01/2019 em 22:41
      Permalink

      cara Visage saiu só AGORA, nem dá pra colocar como um game de 2018, até prq não saiu para os grandes consoles.

      Resposta

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