Letf Hand Path: 30 anos de um disco que revolucionou o death metal

Durante a era de ouro do death metal no começo da década de 1990, enquanto os países de língua inglesa eram mais populares no cenário com Death, Morbid Angel, Cannibal Corpse, Obituary e Autopsy nos Estados Unidos, além dos britânicos da Carcass, Napalm Death, Benediction, Bolt Thrower e Paradise Lost, bandas como Entombed, Dismember, Grave, Hypocrisy e Unleashed faziam parte da poderosa escola sueca, produzindo um som tão intenso e agressivo quanto os “líderes” do eixo EUA-Inglaterra. Os primeiros discos do metal da morte made in sweden tiveram uma aceitação incrível e rapidamente essas bandas se tornaram grandes nomes do metal extremo mundial. E nessa safra escandinava riquíssima, um disco em especial merece destaque: Left Hand Path, primeiro disco da Entombed.

O grande problema de gravar uma série de músicas boas e apresentá-las na forma de um full-lenght de estreia é a dificuldade de atender às expectativas do público nos próximos álbuns, e esse foi um problema que o então quarteto sueco (a banda se tornou um quinteto somente a partir do terceiro disco) enfrentou no dia 04 de junho de 1990, quando lançou seu debut há exatos 30 anos. Algumas músicas já eram conhecidas por uma pequena parcela do público porque foram gravadas nas demo-tapes da época em que a banda se chamava Nihilist, período de 1987 a 1989, mas o alcance do primeiro álbum certamente foi muito além das três demos pré-Entombed.

A faixa que dá título ao disco é um épico com quase sete minutos de duração, dividida em duas partes. Na primeira, a banda apresenta a essência do metal extremo, equilibrando peso, velocidade e agressividade na medida exata, dando uma aula de death metal para as próximas gerações. Na segunda parte, o teclado sombrio introduz os acordes da música tema do filme Phantasm (1979), composta por Malcolm Seagrave e Fred Myrow, e na sequência todos os instrumentos se juntam para fazer uma versão apocalíptica da trilha infernal.

A ilustração maligna e sombria apresentada na capa de Left Hand Path foi concebida pelo artista Daniel Seagrave, que também fez a arte demoníaca do insuperável Altar of Madness (melhor disco de death metal de todos os tempos!), além de outras dezenas de capas para bandas como Suffocation, Vader, Malevolent Creation e Pestilence. Vale a pena ter esse quadro emoldurado na parede, tanto pela qualidade da pintura quanto pelo que ela representa para a história do death metal.

Left Hand Path foi gravado no Sunlight Studio em 1989 e quem assina a produção é o sueco Tomas Skogsberg, que já produziu uma infinidade de discos de metal para bandas como Exhumed, General Surgery, Darkthrone, Gorgoroth e Katatonia. Assim como Scott Burns e Digby Pearson, Tomas Skogsberg tem uma longa lista de grandes álbuns de metal extremo no currículo e seu legado certamente será lembrado para sempre na história do death metal.

Um dos diferenciais no lançamento de Left Hand Path foi a distorção de guitarra extremamente ardida, idealizada pelo ex-guitarrista Leif “Leffe” Cuzne, que saiu da banda em 1989, quando o nome ainda era Nihilist. Ele não gravou as guitarras do disco, mas participou do processo de composição, criando um efeito único com seu pedal Boss HM-2 Heavy Metal ligado a um amplificador Peavey. A sonoridade criada por Leif foi um elemento importante para a aceitação do clássico Left Hand Path pelo público e revolucionou a história do death metal mundial com um efeito até então inédito nos álbuns do estilo.

A importância de Left Hand Path para a história do death metal é inegável. Ele é considerado um clássico absoluto do estilo e até hoje serve de influência para novas bandas em todo o mundo, mesmo após trinta anos de seu lançamento.

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Juliano Jacob

Marketeiro digital, mineiro da gema e viciado em xadrez. Fã de filmes e livros aterrorizantes, guitarrista/baterista amador, escreve sobre música macabra no Boca do Inferno.

5 comentários em “Letf Hand Path: 30 anos de um disco que revolucionou o death metal

  • 22/09/2020 em 05:06
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    Na verdade não nascia nos anos 90, o estilo ja era dos anos 80, foi tudo muito rápido , quando nós anos 70 as bandas não gostavam do rótulo heavy mas assumia uma evolução no som como sabbath , deep, led, ac DC, o heavy surge nos anos 80 com o iron maiden e outras bandas, era algo novo que tirou a parte blues Rock n roll , já nos anos 83 surgia o trash, em 83 84 85 por aí ja tinha alguns resquícios de Black metal com bathory , hellhammer com letras fora do comum underground e satânica, ai sim em 87 , estavam surgindo as primeiras bandas de death evolução natural do trash vocal gutural que tb passou para o Black. Anos 90 os dois estilos seguiam juntos fazendo lendas no estilo extreme,
    Eu baixei esse álbum ouvi mto pouco não considero clássico absoluto do gênero, mas uma das primeiras lá pelos países nórdicos, o primeiro álbum do darkthrone sim e épico death metal técnico show de bola.

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  • 12/07/2020 em 17:31
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    Sem duvida alguma é um grande disco, mas dai dizer que revolucionou o Death Metal, eu discordo totalmente, ele é sim muito foda, mas não revolucionou não, ele faz parte da grande levada de bandas de Death Metal que no inicio dos anos 90 lançaram grandes discos, também gosto muito do Clandestine, segundo disco da banda, mas os últimos discos o som já não estava bom, muito diferente desses dois que eu citei e do Wolverine Blues que é muito bom por sinal também.

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  • 15/06/2020 em 11:46
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    Por coincidência descobri esse disco há poucas semanas. É excelente.

    Faltou mencionar que os gritos no início da primeira música são do filme Hellraiser.

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  • 07/06/2020 em 11:03
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    Ótimo texto em homenagem para uma lenda do Death Metal.

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