EXCLUSIVO! Entrevistamos James Wan: “Distorcer expectativas é o que deixa as coisas interessantes para mim” (Parte 1)

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Depois de cinco anos, o cineasta James Wan finalmente volta a se sentar na cadeira de diretor à frente de uma produção de horror. A bola da vez é Maligno, que traz Annabelle Wallis como Madison, uma mulher que começa a ter visões de terríveis assassinatos, e logo descobre que os crimes são reais e que podem estar ligados a ela de alguma forma.

Todo o projeto foi envolto em mistério durante seu desenvolvimento, e antes de o filme finalmente chegar aos cinemas, no dia 9 de setembro, o Boca do Inferno teve a oportunidade de participar de uma mesa redonda com James Wan, promovida pela Warner Bros., para conversar sobre o novo filme e sobre o caminho que o diretor trilhou até chegar a Maligno.

Desde quando Wan começou, lá em 2004, com o lançamento de Jogos Mortais, já se vão dezessete anos de trabalho. Isso é tempo suficiente para várias mudanças acontecerem dentro da indústria cinematográfica, e mais especificamente dentro do gênero horror. E claro que isso não passou despercebido para Wan. “Nos últimos anos, o horror se tornou algo muito mais bem aceito pelo grande público. De tempos em tempos, você vê que é o horror que salva a indústria [cinematográfica]. Sempre que os negócios vão mal, são os filmes de terror que aparecem e erguem a indústria novamente”, comenta o cineasta.

“Eu acho que, em Hollywood, onde o dinheiro é uma das coisas mais importantes, é claro que isso é relevante.” Mas Wan enxerga o cinema de horror por outro ponto de vista, mais otimista: “o que mais gosto é o fato de que as gerações atuais aceitam muito bem esse mundo, e eu espero que, se eles amarem o gênero, eles acabem descobrindo [os filmes] mais antigos.”

Mesmo tendo começado sua carreira com Jogos Mortais, o nome de James Wan se tornou realmente conhecido depois, com outras franquias. “Nos últimos dez anos eu fiquei conhecido como o cara dos fantasmas, do sobrenatural, dos jump scares, por conta de Sobrenatural e Invocação do Mal, ele admite. “Eu não queria me repetir nesse sentido. Eu queria brincar com o horror de novo, mas não queria fazer a mesma coisa. Maligno foi uma volta às minhas raízes. Eu queria voltar a um filme de terror menor, mais íntimo, o tipo de filmes que eu fazia quando comecei, mais viscerais.”

Antes de Maligno, porém, Wan se aventurou por trabalhos maiores fora do terror, o mais recente deles sendo uma adaptação para os cinemas da HQ Aquaman. Ele já está trabalhando em sua sequência, mas conta que não queria gravar o segundo filme sem uma pausa. “Quando eu estou fazendo filmes grandes, eu sempre digo a mim mesmo que meu próximo filme vai ser pequeno. Quando estou fazendo um filme pequeno e me faltam ferramentas, eu penso que meu próximo filme será grande. (risos) Intercalar acaba mantendo as coisas interessantes para mim.”

O roteiro de Maligno foi escrito por Akela Cooper, mas a história foi uma ideia de James Wan e de Ingrid Bisu. Mas como funciona o processo criativo do cineasta? “Eu gosto de começar pensando em que tipo de filme quero fazer. Se eu encontrar uma história interessante, uma ideia interessante ou mesmo um personagem interessante, eu vejo o que consigo construir a partir daí.” Wan prossegue: “Mas acima de tudo, eu sempre tento pensar primeiro se estou fazendo algo diferente – ou, pelo menos, diferente do que eu mesmo já fiz, porque não quero ficar me repetindo. Há um motivo para eu não ter voltado a Invocação do Mal 3. Eu já tinha contado as histórias que queria contar, e queria seguir para algo diferente, original.”

“Eu trabalho junto com os roteiristas para incluir as coisas que quero colocar no filme, as coisas que eu quero ver”, explica Wan, que busca sempre manter sua visão da história, mesmo quando não escreve os roteiros. “É um processo bastante colaborativo, deixar o roteirista livre para contar a história e escrever os personagens, mas, ao mesmo tempo, brincar na caixa de areia que é o filme que eu quero fazer.”

Tá, mas podemos entender agora sobre o que é Maligno? Sem spoilers, Wan conta que o filme “começa como uma história sobrenatural, que pode ser um filme de fantasmas ou de demônios, mas ele se torna algo diferente. Distorcer essas expectativas é o que deixa as coisas interessantes para mim.” De fato, o longa é diferente do que o diretor costuma fazer, mas, ainda assim, deixa bem clara sua identidade e suas influências – Wan cita Mario Bava, Dario Argento, Brian De Palma e David Cronenberg como algumas delas.

Não dá pra sabermos exatamente em qual subgênero Maligno se encaixa, mas o trailer da produção já apresenta seu vilão, Gabriel, um assassino que se veste de preto e se move de forma ágil, mas que não mostra seu rosto. Para desenvolvê-lo, Wan conta que trabalhar em filmes maiores foi de grande utilidade: “Eu pego coisas que aprendi a cada filme e uso no filme seguinte. O que eu levei comigo foram algumas experiências técnicas que aprendi com os filmes maiores, e são conhecimentos que eu precisava para trazer Gabriel à vida.”

“Gabriel é um personagem física e tecnicamente complexo”, ele continua. “Tivemos que lidar com animatronics, bonecos, efeitos visuais e performances corporais, então foi uma combinação de vários elementos que trouxeram esse vilão à vida. Isso foi parte da diversão, me desafiar a trabalhar com coisas que eu não tinha trabalhado antes, pelo menos não nessa intensidade.”

A conversa com James Wan ainda seguiu por uns bons minutos, mas entramos no campo dos spoilers, com detalhes sobre enredo, personagens e mais. A segunda parte dessa entrevista, então, vai ficar pra depois. Maligno estreia nos cinemas brasileiros já na semana que vem, e logo em seguida voltamos pra terminar esse papo. Vocês vêm?

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Silvana Perez

Escolheu alguns caminhos errados e acabou vindo parar na Boca do Inferno. Ainda fala de feminismos no Spill the Beans e de ciclismo no Beco da Bike.

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