Você Não Estará Só é um filme que, nos seus melhores momentos, justifica completamente sua existência: tem atuações acima da média, uma fotografia de personalidade própria, um argumento genuinamente original dentro de um subgênero que tende à repetição e uma coragem temática que muitos filmes mais polidos sequer ousam.Continue lendo…

A Única Saída consegue algo que poucos filmes contemporâneos alcançam: expor as entranhas do capitalismo com crueza que incomoda precisamente porque soa verdadeira. Park Chan-wook não oferece soluções fáceis ou catarse redentora, apenas espelho implacável que reflete a violência sistêmica naturalizada em nossas vidas cotidianas.Continue lendo…

Miss Violence expõe as possibilidades e os limites de um certo tipo de cinema austero. Demonstra como a estética de distanciamento pode ser aplicada a material extremo sem sensacionalismo barato. É um filme que merece ser visto, discutido, debatido, mas também questionado rigorosamente sobre a ética de sua própria forma.Continue lendo…

Bugonia é sobre reconhecer que estamos todos presos em sistemas que causam sofrimento, mas dos quais não conseguimos escapar porque estão integrados a toda estrutura de existência moderna. É sobre perceber que teorias conspiratórias são simultaneamente falsas e verdadeiras: não há cabal literal de reptilianos controlando governos, mas há estruturas de poder que operam precisamente como conspiração, apenas mais difusas e mais devastadoras por serem sistêmicas ao invés de intencionais. Temas pesados que Lanthimos trata com seriedade merecida. Se o filme não alcança todos os seus objetivos, ao menos tem ambição de tentar. Em era de franquias calculadas e cinema de marca, há valor em falhas interessantes, e Bugonia é falha interessante de cineasta excepcional, o que o torna ainda mais fascinante que sucessos medíocres de talentos menores.Continue lendo…

Não oferece nada que justifique suas duas horas de duração. Não há inovação visual, não há profundidade emocional, não há sustos eficazes, não há personagens memoráveis, não há temas desenvolvidos além de conceitos. É exercício de mediocridade que ocasionalmente flerta com incompetência técnica, produto de fórmula seguida mecanicamente sem inspiração ou paixão.Continue lendo…

Num cenário global onde horror frequentemente se homogeneíza, um épico de horror em preto e branco enraizado em mitologia de Kerala é automaticamente interessante. Bramayugam é obra visualmente impressionante em momentos isolados, sonoramente excepcional do início ao fim, tematicamente ambicioso e politicamente relevante. Por outro lado, é narrativamente irregular, ritmicamente problemático, excessivamente longo e frequentemente hermético. Apesar dos percalços, o filme demonstra que o cinema de horror indiano possui mitologias ricas esperando por adaptação, que há audiência para horror lento e atmosférico enraizado em culturas específicas, e que é possível fazer filmes visualmente distintos com orçamentos modestos.Continue lendo…

No cinema, a máxima prevalece: não importa apenas o que se conta, mas como se conta. Dark Encounter ignora essa regra e sepulta uma premissa promissora sob camadas e camadas de execução falha. Por isso, o verdadeiro ‘encontro sombrio’ desta obra não está em sua trama, mas no choque violento entre a ambição desmedida de seu realizador e sua total incompetência narrativa, um abismo doloroso entre o filme que poderia ter sido e o desastre que realmente é.Continue lendo…

Um duelo em silêncio entre duas almas que se reconhecem pelo veneno que guardam, um jogo de ferroadas emocionais que transpiram ressentimento e cada palavra lateja como promessa de dor, lembrando que algumas amizades só sobrevivem porque ninguém teve coragem de arrancar o ferrão.Continue lendo…