Para quem veio atrás do que Undertone prometia ser, um exercício de imersão sonora, de terror construído no espaço entre o que se ouve e o que se imagina, o filme é uma oportunidade perdida de forma tão retumbante que quase tem valor pedagógico. Leia Mais

E se o terror maior não estiver na tela, mas no silêncio entre duas vozes ao telefone? Fede Álvarez pegou esse conceito e o levou até o limite: sem atores para filmar, sem cenários, sem iluminação, e ainda assim entregou algo que aperta o estômago de um jeito que a maioria das produções com orçamento dez vezes maior não consegue. O que se vê aqui é pouco. O que se sente é muito.Leia Mais

Você Não Estará Só é um filme que, nos seus melhores momentos, justifica completamente sua existência: tem atuações acima da média, uma fotografia de personalidade própria, um argumento genuinamente original dentro de um subgênero que tende à repetição e uma coragem temática que muitos filmes mais polidos sequer ousam.Leia Mais

Imperfeito nos pontos em que toda obra ousada costuma ser, ainda assim é um filme que entende profundamente o gênero que habita e o leva a sério. E quando o terror é tratado com essa convicção, o resultado não é só eficaz. É memorável.Leia Mais

Numa era onde carregamos dispositivos de rastreamento voluntariamente, onde documentamos vidas em tempo real para consumo de estranhos, onde confiamos em algoritmos para proteger informações mais sensíveis, Pânico permanece relevante porque continua perguntando: quem realmente está observando quando observamos nossas telas?Leia Mais

A Única Saída consegue algo que poucos filmes contemporâneos alcançam: expor as entranhas do capitalismo com crueza que incomoda precisamente porque soa verdadeira. Park Chan-wook não oferece soluções fáceis ou catarse redentora, apenas espelho implacável que reflete a violência sistêmica naturalizada em nossas vidas cotidianas.Leia Mais

Miss Violence expõe as possibilidades e os limites de um certo tipo de cinema austero. Demonstra como a estética de distanciamento pode ser aplicada a material extremo sem sensacionalismo barato. É um filme que merece ser visto, discutido, debatido, mas também questionado rigorosamente sobre a ética de sua própria forma.Leia Mais

Bugonia é sobre reconhecer que estamos todos presos em sistemas que causam sofrimento, mas dos quais não conseguimos escapar porque estão integrados a toda estrutura de existência moderna. É sobre perceber que teorias conspiratórias são simultaneamente falsas e verdadeiras: não há cabal literal de reptilianos controlando governos, mas há estruturas de poder que operam precisamente como conspiração, apenas mais difusas e mais devastadoras por serem sistêmicas ao invés de intencionais. Temas pesados que Lanthimos trata com seriedade merecida. Se o filme não alcança todos os seus objetivos, ao menos tem ambição de tentar. Em era de franquias calculadas e cinema de marca, há valor em falhas interessantes, e Bugonia é falha interessante de cineasta excepcional, o que o torna ainda mais fascinante que sucessos medíocres de talentos menores.Leia Mais

Não oferece nada que justifique suas duas horas de duração. Não há inovação visual, não há profundidade emocional, não há sustos eficazes, não há personagens memoráveis, não há temas desenvolvidos além de conceitos. É exercício de mediocridade que ocasionalmente flerta com incompetência técnica, produto de fórmula seguida mecanicamente sem inspiração ou paixão.Leia Mais

Num cenário global onde horror frequentemente se homogeneíza, um épico de horror em preto e branco enraizado em mitologia de Kerala é automaticamente interessante. Bramayugam é obra visualmente impressionante em momentos isolados, sonoramente excepcional do início ao fim, tematicamente ambicioso e politicamente relevante. Por outro lado, é narrativamente irregular, ritmicamente problemático, excessivamente longo e frequentemente hermético. Apesar dos percalços, o filme demonstra que o cinema de horror indiano possui mitologias ricas esperando por adaptação, que há audiência para horror lento e atmosférico enraizado em culturas específicas, e que é possível fazer filmes visualmente distintos com orçamentos modestos.Leia Mais

No cinema, a máxima prevalece: não importa apenas o que se conta, mas como se conta. Dark Encounter ignora essa regra e sepulta uma premissa promissora sob camadas e camadas de execução falha. Por isso, o verdadeiro ‘encontro sombrio’ desta obra não está em sua trama, mas no choque violento entre a ambição desmedida de seu realizador e sua total incompetência narrativa, um abismo doloroso entre o filme que poderia ter sido e o desastre que realmente é.Leia Mais