Mother Mary (2026)
Mother Mary vai decepcionar quem foi atrás do thriller que o marketing prometeu, e vai satisfazer apenas parcialmente quem se abrir para a proposta mais surrealista do filme. Leia Mais
Economista de formação, gerente bancário por imposição, professor universitário por vocação, fotógrafo por paixão e crítico de cinema por devoção. Nascido em Salvador, criado no Chile e atualmente radicado em Ilhéus, acredita que o horror é a mais humana das linguagens, e que não há café suficiente para quem escreve sobre ele madrugada adentro.
Mother Mary vai decepcionar quem foi atrás do thriller que o marketing prometeu, e vai satisfazer apenas parcialmente quem se abrir para a proposta mais surrealista do filme. Leia Mais
Para quem veio atrás do que Undertone prometia ser, um exercício de imersão sonora, de terror construído no espaço entre o que se ouve e o que se imagina, o filme é uma oportunidade perdida de forma tão retumbante que quase tem valor pedagógico. Leia Mais
A A24 quer te fazer sentir o peso de ser mãe. Mary Bronstein filmou um grito, e Rose Byrne dá tudo pra sustentá-lo, mas grito enclausurado demais vira ruído. Câmera sufocando quem já não respira, som artificial fingindo urgência, roteiro girando sem sair do lugar. Leia Mais
Uma conversa essencial sobre cinema de horror autoral, feminismo e o novo momento do gênero no Brasil.Leia Mais
E se o terror maior não estiver na tela, mas no silêncio entre duas vozes ao telefone? Fede Álvarez pegou esse conceito e o levou até o limite: sem atores para filmar, sem cenários, sem iluminação, e ainda assim entregou algo que aperta o estômago de um jeito que a maioria das produções com orçamento dez vezes maior não consegue. O que se vê aqui é pouco. O que se sente é muito.Leia Mais
Você Não Estará Só é um filme que, nos seus melhores momentos, justifica completamente sua existência: tem atuações acima da média, uma fotografia de personalidade própria, um argumento genuinamente original dentro de um subgênero que tende à repetição e uma coragem temática que muitos filmes mais polidos sequer ousam.Leia Mais
Imperfeito nos pontos em que toda obra ousada costuma ser, ainda assim é um filme que entende profundamente o gênero que habita e o leva a sério. E quando o terror é tratado com essa convicção, o resultado não é só eficaz. É memorável.Leia Mais
Pânico 7 é o filme que a franquia sempre usou como piada interna: um Stab sem alma, feito por Hollywood quando não há mais nada a dizer, só dinheiro a cobrar. Leia Mais
É um filme de horror que não aterroriza direito, thriller que não gera tensão suficiente, alegoria que não ressoa emocionalmente. Funciona melhor como exercício de estilo do que como obra completa.Leia Mais
Um reality show que virou pesadelo narrativo: ousado na proposta, fascinante na execução inicial, mas condenado a preservar seus segredos para sempre no gelo do cancelamento.Leia Mais
Numa era onde carregamos dispositivos de rastreamento voluntariamente, onde documentamos vidas em tempo real para consumo de estranhos, onde confiamos em algoritmos para proteger informações mais sensíveis, Pânico permanece relevante porque continua perguntando: quem realmente está observando quando observamos nossas telas?Leia Mais
A Única Saída consegue algo que poucos filmes contemporâneos alcançam: expor as entranhas do capitalismo com crueza que incomoda precisamente porque soa verdadeira. Park Chan-wook não oferece soluções fáceis ou catarse redentora, apenas espelho implacável que reflete a violência sistêmica naturalizada em nossas vidas cotidianas.Leia Mais
O Escondido conta uma história sobre invasão alienígena e identidade com competência técnica suficiente, mas sem a imaginação ou coragem para torná-la memorável.Leia Mais
Miss Violence expõe as possibilidades e os limites de um certo tipo de cinema austero. Demonstra como a estética de distanciamento pode ser aplicada a material extremo sem sensacionalismo barato. É um filme que merece ser visto, discutido, debatido, mas também questionado rigorosamente sobre a ética de sua própria forma.Leia Mais
Como objeto de estudo sobre diferença entre ousadia imperfeita e competência polida, a comparação com Bugonia é fascinante: ambos têm virtudes, nenhum é completamente bem-sucedido, e a preferência entre eles diz tanto sobre quem assiste quanto sobre os filmes em si.Leia Mais
Bugonia é sobre reconhecer que estamos todos presos em sistemas que causam sofrimento, mas dos quais não conseguimos escapar porque estão integrados a toda estrutura de existência moderna. É sobre perceber que teorias conspiratórias são simultaneamente falsas e verdadeiras: não há cabal literal de reptilianos controlando governos, mas há estruturas de poder que operam precisamente como conspiração, apenas mais difusas e mais devastadoras por serem sistêmicas ao invés de intencionais. Temas pesados que Lanthimos trata com seriedade merecida. Se o filme não alcança todos os seus objetivos, ao menos tem ambição de tentar. Em era de franquias calculadas e cinema de marca, há valor em falhas interessantes, e Bugonia é falha interessante de cineasta excepcional, o que o torna ainda mais fascinante que sucessos medíocres de talentos menores.Leia Mais
Não oferece nada que justifique suas duas horas de duração. Não há inovação visual, não há profundidade emocional, não há sustos eficazes, não há personagens memoráveis, não há temas desenvolvidos além de conceitos. É exercício de mediocridade que ocasionalmente flerta com incompetência técnica, produto de fórmula seguida mecanicamente sem inspiração ou paixão.Leia Mais
Num cenário global onde horror frequentemente se homogeneíza, um épico de horror em preto e branco enraizado em mitologia de Kerala é automaticamente interessante. Bramayugam é obra visualmente impressionante em momentos isolados, sonoramente excepcional do início ao fim, tematicamente ambicioso e politicamente relevante. Por outro lado, é narrativamente irregular, ritmicamente problemático, excessivamente longo e frequentemente hermético. Apesar dos percalços, o filme demonstra que o cinema de horror indiano possui mitologias ricas esperando por adaptação, que há audiência para horror lento e atmosférico enraizado em culturas específicas, e que é possível fazer filmes visualmente distintos com orçamentos modestos.Leia Mais