4.5
(10)

O Pássaro Sangrento
Original:Deliria / Aquarius / Stage Fright
Ano:1987•País:Itália
Direção:Michele Soavi
Roteiro:George Eastman, Sheila Goldberg
Produção:Joe D'Amato, Donatella Donati
Elenco:David Brandon, Barbara Cupisti, Domenico Fiore, Robert Gligorov, Mickey Knox, Giovanni Lombardo Radice, Clain Parker, Loredana Parrella, Martin Philips, James Sampson

Quando o cinema começou a dar seus primeiros passos, a maioria dos atores de teatro evitava trabalhar naquela estranha nova mídia. Enquanto o trabalho nos palcos era visto como algo nobre, e que realmente exigia talento e dedicação, os filmes eram considerados uma moda passageira, apenas mais uma engenhoca criada para entreter o público mais vulgar, e que logo iria desaparecer para dar lugar à novidade da semana seguinte.

Tendo o teatro se tornado o espetáculo elitista que é hoje, e o cinema a verdadeira diversão das massas, a grande parte do povão nunca se deu ao trabalho de assistir a uma peça de verdade. O que é uma pena, pois, apesar de tudo, o palco ainda tem muitas qualidades, sendo a melhor de todas, sem dúvida, o fato de que os atores estão ali, na sua frente, vendo o público enquanto o público os vê. São pessoas de carne e osso, que podem improvisar, errar, mudar o texto ou, quem sabe, se revelar psicopatas e massacrar elenco e equipe em frente aos nossos olhos!

A ideia do assassino que transcende os limites da ficção para matar na vida real é antiga, e dezenas de diretores já mostraram serial killers saindo de um filme dentro do filme, desde malucos inspirados por matanças cinematográficas (exemplo mais recente: A Centopeia Humana 2) até entes sobrenaturais escondidos nas películas (Cigarrette Burns, Cut: Cenas de Horror). Mas foi das mãos talentosas de Michelle Soavi que, e, 1987, surgiu O Pássaro Sangrento, o filme que dá uma guinada neste tema, propondo a história de um assassino serial que escapa do sanatório, e acaba parando num teatro, onde está sendo ensaiada uma peça sobre… um assassino serial! Assim, infiltrado entre elenco e equipe, todos trancados para um ensaio noturno, o maníaco Irving Wallace pode preparar seu próprio espetáculo para aquela noite, que envolve muito sangue, pavor e uma dose genial de metalinguagem.

Apesar de ser italiano, O Pássaro Sangrento não deve ser considerado um giallo. Trata-se, sim, de um legítimo slasher, com a figura do maníaco encapuzado (no caso, portando uma belíssima cabeça de coruja) que dizima suas vítimas apenas pelo seu sanguinolento prazer de caçar. Ajuda o fato de o elenco, liderado pelos talentosos David Brandon e Barbara Cupisti, ser bastante simpático e crível, agindo como gente grande diante do perigo, e não como adolescentes em corpos de adultos. A única que parece deslocada é Mary Sellers, que tem uma beleza atípica demais para o papel supostamente sexy que interpreta.

Soavi conduz brilhantemente o roteiro de George Eastman e Sheila Goldberg, criando um filme visualmente deslumbrante e sufocante. Nas palavras do ator Giovanni Lombardo Radice, em entrevista ao Boca do Inferno, “[trabalhar com Soavi] foi como estar sendo dirigido por Puck de ‘Sonho de uma noite de verão’ de Shakespeare, ou por Marc Chagall. Muita fantasia, um gênio visual e nenhuma lógica em momento algum.” A lógica, de fato, é um elemento dispensável, como em tantos filmes italianos da época. O que importa é o horror, a ironia e a paixão pelo cinema. E também, neste caso, pelo teatro.

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Média da classificação 4.5 / 5. Número de votos: 10

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6 Comentários

  1. Eu adorei o filme.
    Olha, sei que é um slasher e que tem que ter o clichê e falta de lógica as vezes kkkkkkk, mas porra 8 pessoas contra 1 assassino que nem com arma de fogo estava? Kkkkkkkkkkk. E aquele cara – o diretor com o macho em mãos morreu fácil fácil pro assassino, se fosse eu, teria ao menos corrido e tentado acertar ele também, ele com a serra dele e eu com o meu Machado. Oxi kkkkkk. E o final… Kkkkk O final achei confuso, pois eu jurava que o assassino tinha sido encontrado morto e levado pela polícia e paramédicos, só que agora que lembrei, que fui perceber que por isso a Alicia – A FINAL GIRL – ficava o tempo todo olhando os corpos sendo levados quando estava no carro da polícia 🚨. Agora faz sentido. Kkkkk

  2. Teatro. Quem for assistir esse filme tenha essa ideia em mente. É uma peça de teatro trazida para as telas, que conta a historia de uma peça de teatro, com atores de teatro, atuando como estivessem no teatro, maquiagem de teatro, cenário de teatro, música de tetro… É isso! É um bom slasher onde todo mundo morre por um motivo besta (por causa de uma maldita chave). Para quem desacredita no assassino/coruja, acredite ele tem um propósito de usar essa máscara tão cartunesca e está totalmente no contexto do filme. E o assassino não sai por ai com uma moto serra, ou um facão, é bem mais que isso…Mais um filme que eu desconhecia e assisti por achar a critica no Boca do Inferno, assisti em casa na madrugada e deu um gostinho dos anos 80. Recomendo para quem tem um gosto mais apurado. Se for procurar algo mais violento, mais acelerado, mais produzido, esqueça, se curte slasher anos 80 é altamente recomendo.

  3. Quando vi a quantidade de Caveiras e uma crítica tão positiva resolvi conferir tal obra, na verdade eu já estou familiarizado com o terror italiano, mas nunca tinha visto esse filme. Sinceramente ele merece todo mérito da lista ! Filme foda pra caralho, cenas explícitas de decapitações, mortes á sangue frio ,tudo em um filme de ritmo acelerado, nada de lentidão ou marasmo e suspense excessivo. Aqui as coisas acontecem de verdade , adoro quando o assassino mete a “Tramontina” á sangue frio durante a peça de teatro ! Um dos 3 melhores slashers que já vi e não é exagero nenhum eu dizer isso. Altamente recomendado. valeu “Boca do Inferno”.

  4. Um filme excelente! As cenas de morte são originais e muito bem elaboradas. A cena da furadeira é a melhor de todas, porque não dá pra saber que arma a Coruja está usando até o final da tortura.
    A Coruja é sem dúvida, melhor que muitos assassinos mascarados dos slashers americanos!
    Excelente! Assustador!

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