A Mulher de Preto (2012)

A Mulher de Preto (2012)
A Hammer volta a assombrar nossos pesadelos
A Mulher de Preto
Original:The Woman in Black
Ano:2012•País:UK, Canadá, Suécia
Direção:James Watkins
Roteiro:Jane Goldman, Susan Hill
Produção:Richard Jackson, Simon Oakes, Brian Oliver
Elenco:Emma Shorey, Daniel Radcliffe, Ciarán Hinds, Molly Harmon, Ellisa Walker-Reid, Sophie Stuckey, Misha Handley, Jessica Raine, Roger Allam, Lucy May Barker, Indira Ainger

A Hammer foi talvez a produtora de filmes de terror mais importante dos anos 50/60; tornou-se famosa ao trazer novas versões de Drácula e Frankenstein, responsável também por colocar Peter Cushing e Christopher Lee como ícones do gênero na época. Foram várias produções, envolvendo monstros clássicos, como vampiros, múmias, lobisomens, etc…Influenciou vários diretores, entre eles, Tim Burton, que lançou A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça inspirado nas antigas obras da produtora.

A Mulher de Preto é a aposta da nova Hammer, e pode ser considerado uma homenagem a própria produtora – o filme é ambientado na Inglaterra, não sei a época ao exato. Arthur (Daniel Radcliffe) é um advogado que, guarda uma profunda tristeza devido a morte de sua esposa, e cria sozinho seu filho. A firma onde ele trabalha, mesmo sabendo de sua condição, o pressiona a produzir mais, e dá a ele uma última chance: organizar a papelada para a venda de uma mansão em um pequeno vilarejo. Ao chegar, os nativos locais, não o recebem bem, entre eles o advogado local, que lhe entrega alguns papéis, e quer logo despachá-lo de volta a Londres. Sem entender, Arthur vai a mansão, que fica isolada do vilarejo em busca de respostas, e lá vê pela primeira vez “a mulher de preto“.

A Mulher de Preto (2012) (1)

Podemos dividir o filme em duas partes, a primeira é sensacional, clima de tensão sufocante durante a primeira hora de projeção. A segunda visita de Arthur à mansão deixa o espectador sem fôlego, quando o mesmo decide passar a noite, e resolver todas as pendências burocráticas da casa. Enquanto pesquisa, descobre o que aconteceu, é assombrado pelo fantasma da mulher de preto, além de crianças mortas no vilarejo, até aquele momento, sem explicação. Na segunda parte, a sequência final tenta ser mais dramática, porém cai em alguns clichês do gênero e deixa a desejar.

O filme é esteticamente impecável: na parte técnica tudo está perfeito, o figurino, o cenário que cria um ambiente aterrador tanto no vilarejo, quando na mansão. A fotografia meio acinzentada sempre envolta em neblinas só contribuem para clima de tensão que o filme proporciona. Há o exagero que os efeitos sonoros proporcionam, não há uma cena que escape do “Pam” nos momentos mais tensos; tudo isso para assustar o espectador. Funciona, mas não é o tipo de técnica que aprecio, prefiro quando o diretor explora mais o roteiro e tente criar medo e tensão sem apelar para esse recurso.

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O diretor James Watkins tem um currículo bacana, dirigiu o sensacional Eden Lake, além de assumir o roteiro do bom O Olho que Tudo Vê e da continuação e manter o nível em Abismo do Medo 2. É um cara que merece atenção, embora, infelizmente, nesta produção, ele tenha seus escorregões. Peca, por exemplo, por mostrar em exagero os bonecos da casa, mesmo sendo aterrorizantes, essas cenas acabam por serem repetitivas; deixa a desejar também no final, pois faltou um pouco de inspiração e criatividade; o fantasma da mulher de preto, quando revelado, é decepcionante. Era mais interessante quando víamos apenas seu vulto e suas sombras na casa.

Todas as atenções da mídia estavam voltadas para Daniel Radcliffe, que faz uma aposta certa ao escolher o papel de uma produção de terror, do que protagonizar um blockbuster em Hollywood. Ele deixa pra traz os trejeitos adolescentes da saga Harry Potter e encara um papel adulto, atua bem, dentro do que o roteiro proporciona, só deixa a desejar na sequência final, que exigia um pouco mais de empenho e emoção do jovem ator, mas é outro cara que tem um futuro promissor pela frente. O resto do elenco é perfeito e competente em suas atuações.

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A Mulher de Preto não será um novo clássico da Hammer, mas o resultado final, apesar dos tropeços, é satisfatório. É um terror bem produzido e que respeita o gênero. A produtora pode e ainda vai fazer muito pelo cinema de horror. Que este filme fique de exemplo para que ela saiba aproveitar os acertos e reconhecer os erros para os trabalhos futuros.

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Ivo Costa

Ivo Costa

Estudante de Cinema, fez parte do Juri Popular do Cinefantasy em 2011. Além de crítico do Boca do Inferno, atua como diretor e roteirista de curtas-metragens.

4 comentários em “A Mulher de Preto (2012)

  • 28/06/2017 em 10:45
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    Mistura terror e emoção… gostei… cenários perfeitos tb

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  • 22/08/2013 em 20:33
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    Poucos filmes assustam, e no fim nos arrancam lágrimas, um deles é este ótimo filme, e a atuação de Daniel é uma delícia.

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  • 02/08/2013 em 11:00
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    Filme recomendado para quem tem mais de 40 e não aguenta mais tanto sangue, tripas expostas e falta de talento.

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  • 25/05/2013 em 12:00
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    filminho chato…………

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