Mientras Duermes (2011)

Mientras Duermes (2011)
Um ensaio sobre a loucura
Mientras Duermes
Original:Mientras Duermes
Ano:2011•País:Espanha
Direção:Jaume Balagueró
Roteiro:Alberto Marini
Produção:Julio Fernández
Elenco:Luis Tosar, Marta Etura, Alberto San Juan, Petra Martínez, Iris Almeida, Carlos Lasarte, Amparo Fernández

Jaume Balagueró é um diretor bem conhecido por aqui, pelos menos pelos fãs de horror. Principalmente por sua participação na franquia [Rec] (em parceria com Paco Plaza), o espanhol tem em sua carreira outros filmes interessantes como Los sin nombre (A Seita) e Darkness (A Sétima Vítima) – lançados comercialmente nas locadoras. Em Mientras Duermes (Enquanto Você Dorme seria a melhor tradução), seu trabalho mais recente, o sobrenatural é deixado de lado: o terror está na mente humana, e os estragos que ela pode causar.

Felicidade, este sentimento é questionado por César, um homem solitário beirando os 40 anos. Ele não consegue ser feliz mesmo tendo motivos e busca uma razão para viver e seguir em frente. Zelador de um prédio antigo, César segue sua rotina diária, distribuindo jornais aos moradores, sendo simpático, porém logo vemos que a sua gentileza é apenas uma máscara de uma mente doentia, uma estranha obsessão pela linda Clara, uma das moradas do prédio. Não sabemos até então o que ele quer com a garota, já que não vemos o que realmente acontece em suas visitas noturnas. Vamos descobrindo aos poucos, nas conversas de César com sua mãe (uma velha moribunda que padece em um hospital), onde ele conta com a maior naturalidade, como deseja acabar com o sorriso daquela vagabunda. A pobre senhora nada pode fazer a não ser escutar as perversões do filho.

Já estamos acostumados com psicopatas no cinema e na vida real: todos têm suas regras para atingirem seus objetivos, e sempre podemos ficar cada vez mais surpresos nos níveis de maldade que a mente humana pode chegar. Aqui, César apenas quer tirar a felicidade de suas vítimas. Sabemos durante o filme que Clara não foi a primeira. Ele não tem a intenção de matar, apenas de desgraçar a vida das vítimas, o que soa mais perturbador. O Zelador atormenta a vida de Clara (sem ela saber que seja ele) e vai até as últimas consequências para conseguir o que quer. Lógico que não será fácil, e encontrará vários obstáculos pelo caminho, dentre eles uma irritante pré-adolescente que percebe a obsessão de César e o chantageia, mesmo não sabendo com quem está mexendo.

Narrado pelo ponto de vista de César, interpretado brilhantemente por Luis Tosar (Celda 211), opção interessante do roteiro de Alberto Marini, pois mesmo cometendo suas barbaridades, chegamos a torcer por ele em certos momentos da trama – uma estranha mistura de repulsa e empatia, méritos também para o diretor, que consegue criar esse conflito interno no espectador. Clara, interpretada pela linda Marta Etura (também de Celda 211), tem uma atuação competente como vítima de uma estranha obsessão. Clara não consegue ver o que está acontecendo ao seu redor, e nada parece abalar sua felicidade.

Mientras Duermes (2011) (2)

A história se passa basicamente em um prédio, assim como Rec e Na Teia do Mal (um média metragem que fez parte da série Películas para No Dormir). Balegueró prova que é possível realizar um bom filme, contar uma boa história, mesmo com baixo orçamento, mantendo um alto nível. O longa não tem o ritmo alucinante e claustrofóbico de Rec, não assusta e nem dá medo, mas é incômodo e angustiante. A revelação nos momentos finais causa um desconforto que só vendo pra entender.

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Ivo Costa

Ivo Costa

Estudante de Cinema, fez parte do Juri Popular do Cinefantasy em 2011. Além de crítico do Boca do Inferno, atua como diretor e roteirista de curtas-metragens.

3 comentários em “Mientras Duermes (2011)

  • 13/08/2019 em 20:24
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    Ótimo filme, gostei muito.
    O medo não está só em monstros, demônios e assassinos. A maldade humana é muito mais inquietante e tensa, nunca se sabe o que esperar de outra pessoa, quais intenções estão no seu íntimo e até onde suas ações são capazes de ir. “Mientras duermes” soube abordar a perversão de uma mente infeliz e perturbada, que não se compraz com êxitos pessoais, mas com a infelicidade alheia, deleitando-se com o sofrimento que causa.
    O final fechou muito bem a trama, fugindo do convencional e deixando o filme na memória.

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