Mil Séculos Antes de Cristo (1966)

Mil Séculos Antes de Cristo (1966)

Mil Séculos Antes de Cristo
Original:One Million Years B.C.
Ano:1966•País:UK
Direção:Don Chaffey
Roteiro:Michael Carreras, Mickell Novak
Produção:Michael Carreras
Elenco:Raquel Welch, John Richardson, Percy Herbert, Robert Brown, Martine Beswick, Jean Wladon, Lisa Thomas, Malya Nappi, Richard James, William Lyon Brown

Remake de um filme de 1940, Mil Séculos Antes de Cristo foge dos padrões da Hammer ao embarcar nessa produção de aventura que mistura humanos e dinossauros. Sem a tradicional dupla Peter Cushing e Cristopher Lee no elenco (dois dos atores que mais atuaram pela produtora), a Hammer apostou na beleza de Raquel Welch para chamar a atenção dos marmanjos, colocando sua foto com suas curvas nos pôsteres da produção. Mas a principal contribuição do filme é do mestre em stop motion Ray Harryhausen (Fúria de Titãs-1981), responsável pelos melhores momentos do filme, com seus dinossauros.

O filme tem uma trama simples e gira em torno do encrenqueiro Tumaki (John Richardson, Black Sunday – 1960), um caçador que, ao brigar com o troglodita do pai, é expulso de sua tribo. Após vagar por descampados, Tumaki é socorrido por outra tribo, mais “civilizada” que a anterior. Conquista a admiração de todos após salvar uma criança do ataque de um dinossauro – inclusive das lindas loiras que fazem parte da ala feminina da tribo – principalmente de Loana (Raquel Welch). O problema é que Tumaki se interessa por uma das armas que a tribo constrói para se proteger, e com isso acaba arrumando confusão com um dos integrantes. Após uma briga, é expulso novamente. Tumaki decide voltar para encarar seu pai, mas dessa vez terá a companhia de Loana.

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Não há nenhuma pesquisa histórica para a construção da trama – afinal, os dinossauros foram extintos milhões de anos antes da data indicada no título do filme. Não há o que falar sobre atuações, o destaque fica realmente para Raquel Welch, que se tornou a sex symbol da década de 60, com suas lindas pernas e seu decote. Interessante notar como a personagem dela foge de qualquer referência a uma “mulher das cavernas”: além dos cabelos penteados, ela está maquiada em todas as cenas em que aparece (mas quem se importa com isso?). John Richardson não tem dificuldades em se adaptar ao personagem, uma espécie de anti-herói – brutamontes, sem educação, corajoso e conquistador – sendo disputado por duas das mulheres mais bonitas do filme.

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Além dos dinossauros concebidos por Ray Harryhausen, foram usados animais reais para representar os monstros da época – além de cobras, abutres – como uma Iguana e uma tarântula (concebidas nos efeitos especiais para funcionar como monstros gigantes). Mas o destaque do filme fica realmente para os dinossauros de Harryhausen, entre eles a Tartaruga Gigante, a luta entre o Tricerátops e o T-Rex, os Pteranodontes.

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O experiente diretor Don Chaffey realizou um bom trabalho, pois o filme é divertido e funciona, embora algumas cenas soem desnecessárias, estando ali para preencher espaço. Partindo de um princípio mais crítico, as tribos talvez funcionem como uma analogia a sociedade atual: a Tumaki, por exemplo, retrata aquela sociedade egoísta onde cada um faz de tudo pelo poder, não importa por quem tenha que passar por cima; já a de Loana é o sonho de uma sociedade ideal – harmoniosa e colaborativa –, tipo de convivência que aos poucos é aceita pela tribo de Tumaki, através de Loana, o que gera uma guerra entre os grupos. No final, o público fica com a sensação de que a mensagem do filme vai além do belo par de pernas de Raquel Welch.

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Ivo Costa

Ivo Costa

Estudante de Cinema, fez parte do Juri Popular do Cinefantasy em 2011. Além de crítico do Boca do Inferno, atua como diretor e roteirista de curtas-metragens.

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