Judas (2015)

Judas (2015) (1)

[Filme poster=”http://bocadoinferno.com.br/wp-content/uploads/2014/12/jds.jpg” nacional=”Judas” ano=”2015″ original=”Judas” pais=”Brasil” diretor=”Joel Caetano” roteiro=”Joel Caetano” produtora=”Mariana Zani” elenco=”Richard Rodrigues, Crispin Thomas, João Caetano, “]

[Avaliação nota=”5”]

O que é preciso para o cinema do gênero de horror nacional vingar? Qualidade não falta! Hoje temos nomes conhecidos e consolidados e uma leva de novos diretores apostando no gênero…, mas ainda parece faltar alguma coisa. Seria um problema com distribuição de filmes? Leis de incentivo? Ou talvez o próprio público, que sempre consome o horror hollywoodiano, muitos deles bem fracos e inferiores às recentes produções nacionais. Talvez seria interessante copiar a fórmula do cinema americano? Ou é melhor que exploremos a rica cultura nacional? No caso de Judas, de Joel Caetano, a aposta vem da tradicional “malhação de Judas”, realizada no Sábado de Aleluia – nada mais é do que descer o cacete em um boneco que figura o traidor de Jesus Cristo.

Um garoto (Richard Rodrigues) anda com seu boneco pela periferia de São Paulo, sem a intenção de fazer nada com ele, defendendo-se de outras crianças que queriam dar um jeito de malhá-lo. Porém em casa o confronto será com o rude pai (João Caetano), que vai colocar em cheque a lealdade do garoto com o boneco (ou vice-versa?).

Judas (2015) (2)

Joel caetano entrega seu melhor trabalho até o momento. Sempre realizando curtas com baixo orçamento, Joel continua na mesma fórmula, com a mesma equipe, porém ficando desta vez atrás das câmeras e não atuando. Vemos um amadurecimento técnico e narrativo em Judas, com uma fotografia bem refinada, com um tom mais puxado para o sépia, enaltecendo o ambiente da periferia, que contracena bem com a bela direção de arte (a concepção do boneco é maravilhosa e assustadora). A trilha sonora marca o tom certo nas cenas de maiores tensão. O roteiro se utiliza de pouquíssimos diálogos, focando os principais momentos nas ações, expressões dos atores – o que aproxima Joel cada vez mais da linguagem do curta-metragem.

No elenco temos a presença do garoto Richard Rodrigues, que foi um achado por Joel e Mariana Zani – o moleque, mesmo sem formação teatral, encaixou-se bem no personagem, e, mesmo sem dizer uma única palavra, consegue demonstrar diversos sentimentos em situações perigosas, apenas com expressões faciais e corporais. O pai do garoto é interpretado por João Caetano (pai de Joel na vida real), e também se encaixa perfeitamente no papel de um bêbado rude.

Judas é produzido por Mariana Zani

Joel entrega um horror que trilha entre o sobrenatural e o natural com um final aterrador – a narrativa pode despertar várias interpretações e gerar discussões interessantes. O curta vai bem, e já recebeu prêmios em alguns festivais, entre eles, na Mostra Mondo Estronho, em Curitiba, como Melhor Curta entre vários exibidos, e já trilha seu caminho também pelo exterior. Joel, que dirigiu um dos seguimentos do longa Fábulas Negras (A Loira do Banheiro, o melhor na minha opinião), consolida-se no cenário nacional de filmes do gênero, fazendo com que continuemos aguardando, quem sabe, um longa-metragem. Sobre as questões levantadas no primeiro parágrafo dessa crítica, tenho uma declaração, o Cinema de Horror Nacional continua na luta.

Ivo Costa

Estudante de Cinema, fez parte do Juri Popular do Cinefantasy em 2011. Além de crítico do Boca do Inferno, atua como diretor e roteirista de curtas-metragens.

3 comentários em “Judas (2015)

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